Indo para a casa primeiro encontro de alguém

Você finalmente conseguiu marcar de sair com aquela mulher dos seus sonhos… E mesmo que você não seja tímido com ela, sempre tem aquele frio na barriga e a dúvida do que fazer. Mas não se preocupe, porque nesse artigo eu vou te dar varias dicas de como agir no primeiro encontro.. Você terá momentos inesquecíveis com a sua gata depois que aplicar essas dicas. 350 PERGUNTAS PARA PRIMEIRO ENCONTRO. Confira a nossa lista de 350 perguntas criativas e interessantes para fazer no primeiro dia de encontro: 1. Qual é o lugar mais divertido do seu bairro? 2. O que é uma coisa que você ensinou a fazer? 3. Você é uma pessoa da manhã ou uma coruja noturna? 4. Quais são as duas verdades e uma mentira ... Veja aqui 30 programas e opções originais para um primeiro encontro. Siga lendo na galeria a seguir. A Microsoft pode ganhar uma comissão de afiliado caso você compre algo recomendado nos ... Entao para quem quer conversar ate o ponto de onibus pode ser uma boa, e ai começa a ter confiança, amadurecer amizade ai vai se indo um terceiro encontro ir para algum lucar reservado como a casa dele pode ser uma boa caso vc se sinta avontade, mas de vara dizer que é caseiro por isso que tem que ser na casa, entao se for assim caseiro em casa , convida para a sua casa, a da sua avó da ... 1. Essa viagem de primeiro encontro. 'Uma vez eu saí com um garçom que eu conheci em um restaurante que eu frequentava. Acabamos indo para o apartamento do amigo dele para vê-lo trabalhar (ele ... Descubra como se comportar no primeiro encontro. Para te ajudar nesse momento tão tenso, reuni 7 dicas essenciais de como se comportar no primeiro encontro, confira. 1) Tenha auto controle. Não deixe o nervosismo tomar conta da situação, afinal de contas é apenas um encontro, ele não vai te morder . O dia passou rápido, a imagem da jovem mulher não saía da cabeça dele, mas como na vida apenas o primeiro encontro é demorado, após alguns dias viu seu amor platônico novamente, dessa vez bem rápido, enquanto passava de ônibus indo para casa após um árduo dia de trabalho. Verdade ou Desafio Jogue As melhores perguntas para o seu primeiro encontro Perguntas do primeiro encontro. O primeiro encontro é sempre um desafio e nem sempre é fácil iniciar uma conversa e mantê-la. Aqui está uma lista de perguntas para ajudar a tornar seu primeiro encontro inesquecível. Puxando Conversa 👇 Perguntas do primeiro encontro Com certeza o primeiro encontro para todas as mulheres acabam sendo repleto de ansiedade e nervosismo, não conheço até hoje nenhuma mulher que estivesse super tranquila e relaxada antes do primeiro encontro com aquele homem. Estamos aqui com você, para mostrar que o primeiro encontro não é nenhum bicho de sete cabeças, Marque num café, bar, cinema.... algum local público em que você vá pelos seus próprios meios (a pé, de ônibus, metrô, uber, carro que seja) e não fique na dependência dele buscar ou levar. Se o encontro for legal futuramente vocês vêm como proceder. Mas primeiro encontro com quem você não conhece JAMAIS na casa da pessoa nem na sua!

Sou Babaca Por Querer Que O Namorado Da Minha Amiga Não Passe Mais A Quarentena Aqui E Volte Pra Casa Dele?

2020.08.06 06:08 denesfernando Sou Babaca Por Querer Que O Namorado Da Minha Amiga Não Passe Mais A Quarentena Aqui E Volte Pra Casa Dele?

Olá Luba, editores, gatas e Turma. Essa história que vou compartilhar aqui é recente, ainda estou tratando em terapia, mas ela começa um pouquinho lá atrás.
Um ""pouco"" de background para situar a todos de onde tudo isso começou.
Em 2013 comecei namorar um cara que vou chamar de Karen, por ele ser muito, mas muito CUSÃO (inclusive, ele se parece muito com você Luba e por vocês serem tão idênticos, eu passei um bom tempo sem assistir o canal, pois não conseguia te ver sem lembrar dele). Mas, enfim, em 2015 ele e o grupo da faculdade dele decidiram morar todos juntos em uma casa perto da faculdade, pois estava exaustivo para todos trabalharem em pontos distintos da cidade (São Paulo, para se alguém quiser se situar).
Então, em janeiro de 2016, eles se mudaram e eu ia para lá aos fins de semana, até que acabei me mudando para a casa em Junho do mesmo ano, no dia do meu aniversário.
Pois bem, foi uma fase horrível da minha vida por causa do meu ex, terminamos em maio de 2017 e tive que sair da casa. Esse meu ex era um abusador, um aproveitador, a pior pessoa que eu poderia ter conhecido na minha vida. Os abusos psicológicos que ele cometeu comigo, afetaram totalmente minha confiança e em como eu viria a me relacionar com outros caras, fora as crises de ansiedade que eu arrasto até hoje.
Mas então, eu fiquei amigo dos amigos dele da faculdade e em especial da Karls que virou minha melhor amiga.
Em 2017 eles terminaram a faculdade e em 2018 o contrato da casa venceu e eles finalmente poderiam se mudar, áquela altura ninguém suportava mais olhar pra cara do Karen.
Então, foi nesse momento, que a Karls e o Akarls me chamaram para vir morar com eles numa nova casa. Sem o Karen. E hoje nós três vivemos como uma família feliz com os nossos pets.
2019
Eu conheci um cara, eu vou chamar ele de Lars.
Lars e eu começamos a trocar mensagens, se conhecer, nos aproximarmos. Até então, antes dele, todos os outros caras que eu acabei ficando, não davam certo, (tem muito gay problemático nessa cidade). Mas Lars foi diferente, conforme nos conhecíamos, ele ia transpondo todas as muralhas que eu usava como defesa, pois meu maior medo seria voltar para um relacionamento abusivo, tóxico e doentio.
Com o Lars eu fui bem devagar, realmente queria conhecer ele, pra ver se o que eu estava sentindo era o certo e se ele não iria me fazer mal.
Nesse tempo conhecendo ele, eu desabafava com Karls todas as minhas inseguranças, pois ela tinha vivido todo o meu drama com o meu ex, ela sabia dos meus medos, receios, inseguranças em me relacionar com alguém e ela me dava todo o apoio, pra poder voltar a acreditar e saber que nem todo mundo é igual o Karen, que na verdade eu dei azar com o Karen, mas que não seria assim de novo.
Depois de tantos embates sobre minhas agruras eu acabei me desarmando e me permiti começar algo com o Lars.
Um mês e meio depois, finalmente decidi trazer ele em casa, para conhecer meus amigos e 😏.
Então, foi nesse fim de semana de novembro de 2019 que coisas aconteceram.
Depois de ficarmos, acabei aceitando os meus sentimentos por ele, pensei que depois de tanto tempo solteiro, passando por aventuras fracassadas com pessoas que não se encaixavam, onde a química só proporcionava uma reação inicial. Ali estava talvez o momento de poder compartilhar momentos com alguém.
Mas aquele início de sonho desmoronou muito rápido. No domingo quando ele estava pra sair para trabalhar, Lars me contou que iria para o Beto Carrero com um amigo. Fui pego de surpresa, pois ele não havia mencionado nada nas nossas conversas durante a semana.
Na época, Lars trabalhava como bartender numa cafeteria e reclamava de trabalhar muito, não ter finais de semana livres e só folgar nas segundas-feiras.
Como não tínhamos oficializado nada, nossa primeira vez foi na noite anterior e o fato de estar disposto a querer começar a construir uma relação tinha sido algo que eu havia arrazoado no meu coração, achei absurdo demais eu questionar porque ele não tinha me falado nada antes.
Tudo bem, ele iria no Beto Carrero com um amigo, logo após sair da cafeteria. Pegaria o ônibus na estação do Tietê no domingo a noite, passaria o dia no parque, já que a folga seria na segunda, e na segunda a noite ele voltaria e iria trabalhar na terça-feira de manhã. Eu, pelo menos, imaginei que seria assim.
Na segunda-feira, eu fui trabalhar normal, vi as fotos dele no Beto Carrero, os stories no Instagram aparentemente nada de estranho, mas a primeira coisa que me chamou a atenção foi o fato dele não ter postado um único story com o amigo, mas até aí, se eu encucasse com isso, seria uma atitude tóxica e eu não queria isso. Numa relação deve existir confiança.
Nós não nos falamos o dia inteiro, pois eu não iria ficar o importunando num passeio como aquele, que ele aproveitasse o máximo possível. Foi quando às 18:00 eu resolvi mandar uma mensagem para ele, já que eu estava saindo do trabalho.
A mensagem era mandando um "oi" e desejando que ele tivesse se divertido bastante e fizesse uma viagem tranquila de volta.
Foi quando ele me respondeu que não voltaria aquela noite, que ele iria para Balneário Camboriú com o amigo passear de barco. Eu fiquei completamente sem reação, foi um choque. Ele só reclamava de como o trabalho explorava ele, não era flexível e do nada, de uma viagem totalmente espontânea que aconteceu aleatoriamente pra aproveitar um dia de folga num bate e volta, surgiu uma folga no dia seguinte.
Eu não tive como não ser arrastado de volta para os tempos do Karen, onde eu fui trouxa por anos, onde ele matava aula pra transar na escada da faculdade, dizia que ficava até mais tarde no serviço pra não pegar trânsito, mas na verdade ia para dates furtivos de apps de pegação (inclusive tenho uma história ótima com relação a isso da época do Karen), enfim, meu cérebro e meu coração ligaram o sinal vermelho, as sirenes começaram a zunir no meu ouvido, a última coisa que eu queria era ser enganado como fui na minha última relação.
Voltando, Lars não falou mais nada depois disso, fui pra casa naquele dia. Na terça-feira de manhã, outro sinal de alerta, não tinha nenhuma mensagem no celular. Isso poderia ser irrelevante, se a gente não tivesse passado o último mês e meio, trocando várias mensagens e memes da hora que acordava até a hora de dormir. Me senti mal, a conversa tinha morrido da noite para o dia, fiquei angustiado, pois eu estava começando a gostar dele e aquilo mudou da noite para o dia.
Terça-feira se foi, ele em Balneário Camboriú, fotos e stories no Instagram se seguiram e nada desse amigo misterioso.
Finalmente, a noite ele estava voltando e mandou uma mensagem dizendo que estava exausto, mas estava voltando. Nesse momento, minha mente já tinha formulado mil e uma histórias, mas resolvi ser prudente, apesar da angustia que estava sentindo.
Foi difícil dormir aquela noite, na manhã seguinte, ele mandou uma mensagem dizendo que havia chegado, estava exausto, mas estava indo trabalhar.
Nossa conversa, já não era a mesma, algo tinha mudado, as palavras ou a ausência delas são um termômetro para o coração, escrever para outra pessoa é um ato de conexão e o nosso elo havia se rompido.
Foi quando resolvi confrontá-lo.
Segue abaixo a conversa no whatsapp:
[28/11 11:56] Denes: Desculpa, Lars.
[28/11 11:56] Denes: Eu não sei de fato o que aconteceu
[28/11 11:56] Lars: Pelo o que ?
[28/11 11:56] Denes: mas desde terça que eu sinto que nossa conversa morreu
[28/11 11:56] Lars: :(
[28/11 11:56] Lars: Eu que peço desculpas
[28/11 11:57] Denes: se vc puder me dar uma luz
[28/11 11:57] Lars: Questão de conversa tbm não sei ... :(
[28/11 11:58] Lars: Não quero ser cuzao contigo
[28/11 11:58] Denes: me diz o que tá acontecendo
[28/11 11:59] Lars: Gosto olhando no olho
[28/11 11:59] Lars: Gosto de vc
[28/11 11:59] Denes: talvez não haja olho no olho se eu não entender o que está acontecendo
[28/11 12:00] Denes: eu tb descobri que estou gostando de vc
[28/11 12:00] Denes: descobri de uma maneira bem ruim
[28/11 12:00] Denes: só quero que vc me diga
[28/11 12:00] Denes: sem medo
[28/11 12:02] Lars: Eu recebi uma ligação de alguém antes de viajar que me deixou balanceado
[28/11 12:02] Denes: prossiga
[28/11 12:02] Lars: Não gosto da ideia por aqui
[28/11 12:03] Lars: Mas tá bom ...
[28/11 12:03] Denes: por favor, agora que começou, não pare
[28/11 12:03] Lars: Pouco antes de conhecer vc eu tinha acabado um relacionamento ...
[28/11 12:03] Denes: hum
[28/11 12:04] Lars: E tipo ainda algo que me deixa balançado e tal ...
[28/11 12:05] Denes: entendi
[28/11 12:05] Denes: ah...
[28/11 12:05] Lars: E tipo não quero mentir pra vc
[28/11 12:05] Lars: Nem ser um cuzao contigo me entende
[28/11 12:05] Lars: Quero ser sincero sempre
[28/11 12:05] Lars: Não só com vc mas comigo mesmo
[28/11 12:06] Denes: então, o livro de Harry Potter que está com vc, foi um presente de um amigo meu que faleceu esse ano, será que posso pegar com vc na catraca amanhã da Santos Imigrantes
[28/11 12:06] Lars: Sim ... Claro ... Mas queria conversar mais com vc pessoalmente
[28/11 12:06] Lars: Se não se importar
[28/11 12:07] Lars: Tenho um presente pra vc
[28/11 12:07] Denes: eu vou me importar
[28/11 12:07] Denes: por favor, sem presentes
[28/11 12:07] Lars: Tudo bem :(
[28/11 12:09] Denes: amanhã as 8:30 te encontro na Catraca
[28/11 12:09] Lars: :( eu lhe entendo sabe ... Mas confesso que gosto de vc e queria que vc permanecesse na minha vida independente de qualquer coisa
[28/11 12:09] Denes: não será possível
[28/11 12:09] Lars: Tudo bem eu entendo vc ... :(
[28/11 12:09] Lars: Me desculpa
[28/11 12:10] Denes: te encontro amanhã na catraca sem falta
[28/11 12:21] Lars: Hj vc sai que horas do trabalho?
[28/11 12:24] Denes: Desculpa, Lars. Mas eu só pretendo te encontrar para pegar o meu livro. Não, temos nada para conversar. Você não me deve satisfações, justificativas ou esclarecimentos. Apenas o meu respeito. Mas, mesmo assim. Esse ponto final precisa ser colocado.
[28/11 12:25] Lars: Tudo bem eu entendo e respeito vc ... Falei de hj pq posso te entregar hj o livro
[28/11 12:25] Lars: Ele está comigo aqui no trabalho
[28/11 12:26] Denes: Eu saio às 18:00
[28/11 12:26] Lars: Posso te entregar hj o mesmo horário ... Na estação melhor pra vc
[28/11 12:27] Denes: Que horas na Santos Imigrantes vc vai passar por lá?
[28/11 12:27] Lars: Umas 19h a 19:30
[28/11 12:28] Lars: Mas espero a sua hora
[28/11 12:28] Denes: Okay, as 19:00 estarei lá
[28/11 12:28] Denes: Se chegar antes estarei sentado em algum dos bancos da plataforma
[28/11 12:29] Lars: Tá bom
[28/11 12:29] Lars: Sei o que vc vai falar ... Mas desculpas :(
Quando ele falou dessa ligação do ex e ficou balançado, eu senti uma enxurrada de sentimentos negativos, o tsunami de chorume que eram as mentiras do Karen voltando a tona. Todas as desculpas esfarrapadas, parecia que eu estava vivendo tudo outra vez.
Eu estava cego, na gana de não querer cometer os mesmos erros do passado, acabei sendo seco, duro e intolerante, condenando um pelos erros de outro.
Eu já tinha sentenciado dentro de mim que aquela viagem foi algo que ele tinha programado com o ex e que tinha ido com ele e que eles tinham se acertado e que ele queria me manter como step se nada desse certo. Enfim…
Nesse mesmo dia, fui buscar o meu livro (um fato curioso, esse livro que foi presente de um amigo que veio a falecer em 2019, foi um presente pra me lembrar o quanto eu sou uma pessoa corajosa, era a edição de 20 anos da Pedra Filosofal nas cores da Grifinória e dentro ele escreveu a famosa frase da Luna "As coisas que perdemos sempre acabam voltando para nós. Mas nem sempre na forma em que pensamos." https://imgur.com/a/ebJFd2U
Ironicamente, quando paro pra olhar isso em particular, penso na grande ironia de tudo.
Eu cheguei antes na estação, fiquei esperando, sentado num banco na plataforma, vendo vários trens passando, várias pessoas descendo na estação vindo depois de mais um dia de trabalho. A minha ansiedade estava a mil, eu queria chorar, estava angustiado com tudo aquilo, pior, sem entender como "tinha cometido" o mesmo erro outra vez.
Ele chegou uns 15 minutos depois, estava com o livro na mão, eu peguei o livro e então ele me estendeu os braços pedindo um abraço, fiz com ele o que eu devia ter feito com o Karen, olhei para ele com a minha pior cara de desgosto e nojo e falei "Adeus", virei as costas e deixei ele lá.
Hoje, não me orgulho do que eu fiz, sinto vergonha quando penso, mas para que vocês entendam aquele gesto, mesmo ele não sabendo, era algo traumatizante, no término com o Karen, quando coloquei minhas malas e meus livros no táxi, ele chegou até mim e na maior cara de pau, na sua maior interpretação pra burguês ver, ele me pediu um abraço e o trouxa aqui cedeu esse abraço, então ele sussurrou no meu ouvido "Sou eternamente grato por tudo o que a gente viveu e você vai sempre poder contar comigo para o que você precisar" e quando eu precisei o que eu ouvi? "Não tenho obrigação nenhuma de te ajudar."
Quando eu saí da estação, bloqueei o Lars em todas as redes sociais, Facebook, Instagram, Whatsapp e até o número dele pra ele não me mandar SMS ou ligar. Não queria nunca mais ouvir falar dele pelo resto da minha vida.
Alguns dias se passaram e a Karls me contou que Lars havia mandado mensagem para ela no Instagram dizendo que estava preocupado comigo, queria falar comigo e eu irredutível falei que nunca mais queria saber nada a respeito dele.
Então ali eu tinha colocado uma pedra em cima desse assunto, vida que segue.
Dezembro de 2019
Karls é uma garota muito linda, mas em todos esses anos de amizade ela só se envolvia com os piores caras do Tinder, uma fase da vida dela que fazemos piada, mas que se você olhar atentamente, era bem triste.
Ela tinha o sonho de conhecer um cara bacana, compartilhar momentos, viver toda aquela fantasia de namoro, dormir abraçada, assistir anime, cantar músicas da Disney e cozinhar todos os pratos possíveis de todos os programas de culinária que existem no mundo.
Depois de anos, esse cara apareceu. Vamos chamá-lo de Darls.
Darls é um cara super carismático, que faz amizade por onde ele passa, falador, contador de piada, solicito, uma pessoa que todo mundo iria adorar ter como amigo.
JANEIRO 2020
Parecia que Darls sempre esteve nas nossas vidas, Akarls e eu o recebemos de braços abertos, pois víamos o quanto ele fazia Karls feliz.
Logo ele começou me pedir dicas e mais dicas de coisas que fariam a Karls feliz e nesses 5 anos de amizade eu era a pessoa que mais sabia de tudo o que a Karls gostava.
FEVEREIRO 2020
Eles oficializaram o namoro, (meio rápido, mas…), então ela entrou numa tour para conhecer todas os amigos dele, pois ele queria apresentar a namorada para as pessoas importantes na vida dele.
Darls mora a 35km de distância, num bairro distante, 2 horas de viagem no mínimo, mas ele sempre estava vindo passar mais tempo aqui.
MARÇO 2020
Pandemia chegou, isolamento social foi instaurado, pessoas em casa. Eu sou editor de vídeo, então estou trabalhando em casa desde que esse inferno começou. E quem acabou vindo para cá, também? Exatamente, Darls.
A companhia dele era agradável, e por vermos Karls feliz, nada objetamos, aceitamos naturalmente a estadia dele aqui. Mesmo que nunca tenhamos conversado isso entre nós, foi natural olharmos para a felicidade dela.
ABRIL 2020
Um mês de quarentena, eu sou uma pessoa ansiosa. Solteiro que passou da barreira dos 30, já havia sentenciado que não conheceria ninguém e morreria só, pois já estava sem esperança de conhecer alguém em um mundo sem um vírus mortal, imagina em um mundo onde estar perto 2 metros de alguém pode ser sua sentença de morte.
Eu comecei entrar numa crise terrível, comecei trabalhar demais, a fazer 12 horas de trabalho por dia e no meu tempo vago eu comecei a assistir todos os filmes e curtas gays já foram produzidos no mundo. E nisso, fiz a burrada de assistir um filme que superestimei por anos.
Brokeback Mountain.
'O que eu fiz da minha vida?'
Eu fiquei tão mal, mas tão mal, que naquela noite eu fui dormir chorando e os dias que se seguiram eu tive tanto remorso pelo final daquele filme, que certo dia eu comecei chorar na frente da Karls e do Darls enquanto a gente almoçava.
No final de abril, meu tio implorou que eu fosse na casa dele, pois estava tendo um problema entre minha mãe e minha irmã e ele estava preocupado da minha mãe acabar se metendo em um avião e vindo pra São Paulo no meio de uma pandemia. Fui, como se eu já não estivesse colapsando, ainda tinha que resolver o problema de outras pessoas.
Naquela semana, eu assisti um vídeo, tenho 80% de certeza que foi no LubaTV os outros 20% acho que foi no canal do Henry Bugalho, que falava sobre perdão, algo do tipo "se não perdoamos, do que adianta pedirmos desculpas" e eu já estava muito reflexivo.
De noite, eu estava no apartamento do meu tio, quando recebi uma notificação de que alguém tinha me seguido no Twitter.
Abri a notificação e vi que era o Lars me seguindo quase 6 meses depois. Ele não tinha twitter e tinha criado uma conta por causa da quarentena.
Minha primeira reação foi bloquear ele, mas aí bateu aquele turbilhão de coisas acumuladas nessa quarentena. O final de Brokeback Mountain, a fala sobre perdão e um detalhe sobre o Lars que pesou muito, ele tem diabetes, acho que é um tipo raro, ele desenvolveu super novo, ele toma dois tipos de insulina, ele é grupo do risco.
Sentei no sofá e me perguntei, 'o que ele queria depois de todos esses meses? Ele não entendeu o meu "Adeus"?'
Pois, bem. Fui até o Instagram, desbloqueei ele e mandei a seguinte mensagem:
"O que você quer?"
Ele levou uma meia hora pra me responder, o 'digitando…' parecia eterno.
Resumindo, ele falou que se importava muito comigo, que eu marquei a vida dele, que nunca quis se distanciar de mim, que jamais foi a intenção me magoar com o que quer que tenha acontecido e que nunca dei a oportunidade dele se explicar.
E eu respondi, que não importava o que ele tivesse para me dizer, não ia mudar a opinião que eu tinha sobre ele.
Ledo engano, meus caros.
Fui dormir às 4 da manhã, tirei tudo de dentro de mim, tudo o que eu inventei na minha cabeça. Porque no meu relacionamento anterior eu ouvi tantas mentiras, que acabei jurando que qualquer um iria mentir para mim, era o único referencial que eu tinha.
Só para que vocês saibam, era realmente um amigo, as fotos que ele tirou junto com o amigo no Beto Carrero, foram todas no celular do amigo a folga da Terça-feira, o chefe dele estava devendo uma folga para ele e como ele não iria poder tirar essa folga a mais do que as que estavam previstas para Dezembro, o chefe deu a folga pra ele na terça para que ele aproveitasse mais um dia de viagem. E sim, o ex dele ligou, ele ficou balançado, pois eles tinham tido uma história recém terminada, mas ele me contou, primeiro porque eu insisti, mas também porque ele não queria mentir pra mim, já que eu tinha todo esse problema com mentiras, então ele queria ser honesto comigo desde o início e que nunca foi a intenção dele voltar com o ex, tanto que ele não voltou, ele queria estar comigo, e que mesmo tendo passado todo aquele tempo ele nunca tinha me esquecido e não tinha desistido de mim.
Eu falei para ele que não sabia como reagir a tudo aquilo, disse que não sabia se seria capaz de confiar nele. E que ele não tivesse esperança, mas que eu iria refletir sobre tudo aquilo.
Então eu voltei pra casa e compartilhei a história com Karls e Darls.
Karls ficou meio com o pé atrás, mas Darls me apontou os erros que eu cometi, me fez enxergar o quanto eu tinha exagerado pelo medo e desconfiança que eu tinha, que não tinha nada a ver com Lars e minha ficha caiu.
Agora, tudo o que me restava era o meu orgulho, eu precisava passar por cima disso.
Voltei a conversar com Lars, aos poucos, foi difícil no início, mas ele foi muito tolerante, eu expliquei que não estava sendo fácil voltar a conversar com ele, mas que compreendi que muito daquela situação era culpa minha.
Ele começou a me mandar mensagens de manhã e a noite, de bom dia e boa noite e esporadicamente algum meme. Foram duas semanas conversando quando houve a necessidade da gente se ver. Eu não sabia como iria reagir.
Sim, ele viria aqui em casa no meio de uma quarentena, mas antes que cresça os julgamentos, moramos próximo um do outro, ele viria a pé, sem pegar nenhuma condução e num horário de pouco fluxo.
MAIO 2020
Então comuniquei que ele viria aqui em casa para Karls, Akarls e Darls. Aparentemente, achei que todos tinham recebido a notícia de bom grado.
Ele veio, a primeira coisa que ele fez foi ir para o banheiro tomar banho, com Covid não se brinca. Depois, sentamos e conversamos, e mais uma vez, eu falei tudo de novo, dessa vez olhando no olho, colocando tudo a limpo, uma conversa franca, contei de todas as impressões que eu tive de tudo o que aconteceu, como a narrativa se construiu na minha cabeça e porque agi da maneira que agi.
Em contra partida, ele disse que estava tudo bem, disse que ficou muito chateado, mas os amigos dele conversaram com ele dizendo que tinha um motivo para eu agir como eu tinha agido. Ele me falou que nunca me esqueceu e queria ter uma oportunidade de conversar comigo e esclarecer as coisas, pois sabia que tudo tinha sido um grande mal entendido. Ele falou que mandou várias mensagens para a Karls, mas não obteve resposta. E quando ele me mandou o convite no Twitter, ele disse que seria a sua última tentativa de se aproximar de mim, se não desse certo, ele mesmo desistiria de tudo.
Ele passou três dias aqui em casa, eu não me abri tanto com ele com relação a isso, mas eu senti muito remorso por como as coisas aconteceram por minha causa.
Outra coisa, lembra na mensagem, quando ele falou que tinha um presente para me dar e eu falei que não queria? Ele trouxe o presente, ele guardou o presente todo esse tempo e disse que toda vez que via o presente, ele lembrava de tudo o que a gente viveu e a coisa que ele mais queria era me dar esse presente, que ironicamente ele comprou na viagem para o Beto Carrero.
Era um funko do Harry Potter, já que eu amo muito Harry Potter. (Não, não sou transfóbico, eu amo Harry Potter desde 2000). http://imgur.com/gallery/cah0Ry7
Ele voltou pra casa dele. Continuamos a nos falar, reatar laços, ter essa troca.
Compartilhei minhas impressões com Karls e Darls, eu estava relutante, desacreditado. As pessoas subestimam relacionamentos abusivos, mas a gente carrega coisas por anos, os estragos são terríveis, estava eu provavelmente estragando uma oportunidade de ser feliz por medo de ser feliz.
As coisas foram devagar, estávamos conversando de nossas rotinas na quarentena, ele o quanto sentia falta do trabalho e não aguentava mais assistir séries e eu o quanto estava trabalhando e engordando, já que editor de vídeo trabalha em casa, praticamos isolamento social antes disso "estar na moda" (✌️ salve editores do canal, eu juro que tô escrevendo essa história que já passa de 4 mil palavras, pensando se realmente o Luba lerá essa história na Turma-Feira, fico imaginando no trabalhão que vocês vão ter pra editar, se eu puder pedir, posta a Timeline pra eu ver como ficou no final, curto muito timelines [Sim, pra quem não entende, isso é meio creep]).
JUNHO 2020
Lars voltou, veio para estar comigo no meu aniversário, inclusive ele me presenteou com Find Me do André Aciman, ele disse que queria me dar a muito tempo, pois em novembro do ano passado eu estava lendo Call me by your name e eu estava namorando pra comprar o livro quando fosse lançado, mas não deu nem tempo dele poder comprar na época.
No meu aniversário, resolvi cozinhar para comemorar, fazer escondidinho de frango. Eu estava de folga e queria fazer algo especial para Karls, Darls, Akarls e Lars. Eu passei a tarde e começo da noite cozinhando e Lars me ajudando.
Então, aconteceu o estopim de todo o caos.
Karls e Darls desceram e viram que o escondidinho não estava pronta ainda, ela fechou a cara e disse "Nossa, ainda não está pronto?". Depois eles fizeram um sanduíche e comeram e subiram, bastou aquilo pra me entristecer, até entendo que ela poderia estar com fome, mas ela bater porta de armário e a porta da geladeira acabou todo o meu ânimo, me senti super mal.
Comi aquele escondidinho triste, o clima na mesa estava tenso e na boa o que era pra ser uma comemoração no que eu acreditava ser entre família, foi a porcaria de um jantar de aniversário que eu perdi tempo fazendo.
Lars voltou pra casa dele, continuamos nos falando e estreitando os laços, aproveitando a companhia um do outro, e finalmente no meio de toda essa situação de merda que estamos vivendo no planeta, senti uma esperança de que talvez tudo daria certo, pelo menos uma vez.
Mais uma vez, ele veio passar o fim de semana aqui em casa, e foi divertido, assistimos filme, contamos piadas e o melhor, eu estava podendo dormir abraçado com ele, por a cabeça no travesseiro e não me sentir só.
JULHO 2020
O mês do caos, eu odeio Julho, por tantos motivos, sério. Eu tenho inúmeras histórias de desgraças nesse mês que PQP (Gif da Xuxa).
Lars me mandou mensagem dizendo que ele teve uma briga terrível com o sobrinho dele, na briga eles só faltaram sair na porrada, ele falou que estava mal por estar na casa da irmã dele e por toda essa indisposição com o sobrinho que tem 18 anos e é um completo folgado. Ele disse que iria procurar um lugar pra ficar, mas até lá, ele perguntou se poderia ficar aqui até encontrar esse lugar.
E como eu já fui colocado pra fora de casa pelo meu tio e me vi sozinho, eu sei o quanto é importante ter alguém pra estender uma mão amiga nessa hora.
Eu respondi que sim, mas que ia comunicar o Karls e o Akarls. Expliquei a situação Lars e eles falaram que tudo bem.
A Karls começou a fazer um freela permanente em um grande estúdio aqui de SP, então ela já não estava ficando em casa e quando estava, ficava a maior parte do tempo com o Darls, que ficou aqui em casa, mesmo ela trabalhando regularmente, já que as coisas estão flexibilizadas por aqui.
A princípio, Lars ficaria aqui até dia 10, ele tinha acertado de ir morar com um pessoal que ele achou num grupo do Facebook, mas o lugar onde esse pessoal ia morar não deu certo, pelo o que ele me contou, foi lance com a Porto Seguro, ele ficou decepcionado, porque os meninos eram legais. Então, ele voltou para a busca de encontrar um lugar pra ficar, eu inocente disse que ele poderia ficar o tempo que precisasse.
Interiormente, eu queria me redimir por toda a injustiça que foi o nosso início, queria fazer certo dessa vez, pois ele estava sendo bom pra mim e eu nunca tinha tido isso, esse convívio.
Enquanto ele estava aqui, comecei a ter companhia para o almoço, passei a comer direito, já que ele é obrigado a comer certo por causa da diabetes, eu estava até me alimentando nos horários certos. As noites assistíamos séries abraçados, até a hora de dormir. Parecia um oasis no meio de todo esse inferno que estamos vivendo, por um único instante eu esqueci de tudo de ruim.
Nesse período, ele estava procurando vários quartos, mas só encontrava cativeiros sendo alugados por mercenários.
Conforme o mês ia passando, Karls estava bem estressada com tudo e quando estava todo mundo na cozinha, ela parecia evitar querer falar com ele. No início, eu pensei que fosse TPM ou alguma coisa em particular dela com Darls.
Mas eu tive certeza que era alguma coisa com o Lars, no dia que estávamos jantando e ela veio informar que o botijão de gás tinha acabado e ela tinha comprado um novo, mas ela insinuou que estávamos cozinhando demais. Eu fiquei, sem reação, pois não esperava por aquilo, como eu falei, ela e o Darls estavam fazendo todas as receitas que existiam na internet, como que o Lars 10 dia aqui era a causa do botijão ter acabado?
Então aquilo começou a ficar espinhoso e o meu erro foi não ter confrontado. Eu comecei a me sentir acuado com o Lars e não sabia o que fazer, ele já estava numa puta situação frágil por ter saído da casa da irmã por indisposição com o sobrinho e a coisa que eu mais queria era que ele se sentisse confortável na minha própria casa.
No meio de tudo isso, ele voltou a trabalhar e eu passei a acordar cedo junto com ele, pra tomar café e abrir o portão pra ele poder sair, num desses dias, eu levantei e fui no banheiro e enquanto eu usava, a Karls bateu na porta perguntando quem é que estava lá dentro de uma maneira meio ríspida, no caso era eu, mas o Lars viu a situação toda, ele não me falou, mas eu reparei que ele parou de tomar banho de manhã antes do trabalho. Dizia ele que o banho da noite era suficiente.
Depois, ele parou de tomar café da manhã, disse que tomaria café na cafeteria que ele trabalha.
A próxima coisa que aconteceu foi um dia que eu estava na cozinha e fui informado que Karls e Akarls decidiram que não iríamos mais fazer as compras de mercado juntos. E que só manteríamos os produtos de limpeza e higiene e que o resto era cada um por si.
Confesso, que na hora não compreendi o que estava acontecendo, eu estava muito desligado, na verdade não acreditava que os meus amigos estavam me excluindo por causa do Lars, eu estava sendo ingênuo, pois não imaginaria que aquilo estava acontecendo.
No meio desse caos todo, Lars, virou pra mim e disse que a irmã dele pediu que ele fosse na casa dela. Então ele iria direto do trabalho e dormiria lá no sábado para o domingo, já que estaria de folga e voltaria pra cá no domingo a noite.
Só que ele não voltou, ele disse que a irmã dele pediu para que ele dormisse lá mais uma noite. Pensei, okay, ele vem então amanhã direto do trabalho pra cá, mas aí ele não veio na segunda, foi quando o peso de tudo bateu.
A essa altura eu já estava angustiado com tudo aquilo e direcionei minha frustração para o lado errado, em vez de confrontar quem estava causando toda essa situação insatistória, eu cobrei dele, porque ele não estava aqui. Perguntei, porque ele não queria estar mais aqui. Ele falou que queria. Então, eu perguntei porque o domingo, virou segunda e agora a segunda virou terça? Ele hesitou, aí eu perguntei se era por causa da Karls e ele disse que só não queria incomodar ninguém.
Eu fiquei mal, por ele se sentir mais incomodado na minha casa do que na casa da irmã dele com o sobrinho folgado que estava fazendo da vida dele um inferno.
Fiquei desapontado, ele veio na quarta, conversei com ele, disse que iria conversar com a Karls sobre toda essa situação. Mas já era tarde.
Era a última semana de Julho, e antes mesmo que eu pudesse conversar com a Karls, Akarls chegou dizendo que não dava mais para dividirmos a conta de água como estávamos fazendo, por 3, teríamos que dividir por 5, já que a conta ficou mais cara.
Na sexta-feira daquela semana, Lars encontrou um quarto numa casa que ele meio que alugou as pressas e ele se mudaria na primeira segunda de agosto. Quando eu pude confrontar Karls, no sábado, sobre tudo aquilo, já era tarde. Falei que fiquei chateado deles quererem repartir a conta da casa por 5 com o Lars pelo mês que ele passou aqui, mas isso nunca foi nem cogitado nos 5 meses do Darls aqui. Falei que fiquei decepcionado por ela não ser capaz de enxergar a minha felicidade. Por não ser capaz de ver o quanto eu estava feliz, como eu enxerguei a felicidade dela com o Darls e o recebemos de bom grado dentro de casa por causa da felicidade dela. Disse que foi muito cômodo pra ela ter alguém pra poder dormir junto, assistir coisas juntos, ter os momentos a dois e quando eu pude ter o mesmo, ela não olhou para mim com os mesmos olhos.
Enfim, Lars se mudou, tomei esse tempo que poderia estar assistindo uma série com ele para escrever tudo isso. Angustiado e decepcionado. Darls não tem culpa de nada do que está acontecendo, mas agora acho completamente injusto ele estar aqui e o Lars não estar, não sei o que fazer, minha vontade é de falar, "acabou a quarentena para os dois, pode voltar para sua casa". Me sinto injustiçado e triste por alguém que eu amo tanto, não ter sido capaz de enxergar que eu estava feliz. É isso, estou esperando a próxima sessão da minha terapia e Karls e Darls estão lá no quarto dela e eu estou só.
E para finalizar, essa foi minha conversa agora a pouco com o Lars.
Lars https://imgur.com/gallery/PRrxEI6
submitted by denesfernando to TurmaFeira [link] [comments]


2020.07.25 05:31 altovaliriano [Tradução] Os Outros confundiram Waymar Royce com um Stark

Texto original: https://www.reddit.com/asoiaf/comments/9qvrsy/spoilers_extended_the_killing_of_a_range
Autor: u/JoeMagician
Título original: The Killing of a Ranger
[…] Esta é a versão reescrita da minha teoria de 2015, A Cold Death in the Snow: The Killing of a Ranger, com algumas seções novas e conclusões mais bem explicadas, além de um bom e velho tinfoil. E significativamente menos citações, adequações nos spoilers e menos texto em negrito. Eu queria fazer um vídeo da teoria e não estava satisfeito com a versão original, então aqui está uma versão nova e aprimorada como um bônus.
O vídeo completo está aqui, se você preferir assistir, e a versão em podcast aqui, se você preferir ouvir, bem como pode ser encontrada no Google Play e no iTunes.
Aproveite!

Os Três Patrulheiros

Um dos eventos menos compreendidos em ASOIAF acontece exatamente no capítulo de abertura da saga. Waymar Royce, um fidalgo do Vale, e os dois patrulhieros Will e Gared estão perseguindo selvagens saqueadores na Floresta Assombrada. Antes que possamos nos localizar, Waymar é emboscado pelos demônios de gelo conhecidos como Os Outros. Waymar pronuncia sua famosa e incrivelmente foda frase "Dance comigo, então" e começa o duelo. Waymar segura as pontas até que o Outro acerta um golpe, depois zomba do patrulheiro e, finalmente, a espada de Wamyar se quebra contra a lâmina de gelo. Um fragmento perfura o olho de Waymar e o grupo de Outros que se aproxima, cerca-o e mata-o com golpes coordenados. Para piorar, Waymar é reanimado como uma criatura e massacra seu ex-companheiro Will. O outro irmão deles, Gared, escapa do ataque e foge para o Sul até ser capturado em uma fortaleza perto de Winterfell e executado por Ned Stark em razão de ter desertado da Patrulha.
É um prólogo que deixa o leitor com muitas perguntas não respondidas sobre o que acabou de ler. Por que esses patrulheiros foram atacados e por tantos outros? Onde estavam seus servos mortos-vivos que eles normalmente usam para matar? E por que eles estavam duelando com Waymar Royce em particular, um guarda de nenhuma nota em particular em sua primeira missão? Primeiro, vejamos o histórico de Waymar.
Sor Waymar Royce era o filho mais novo de uma Casa antiga com herdeiros demais. Era um jovem atraente de dezoito anos, olhos cinzentos, elegante e esbelto como uma faca. Montado em seu enorme corcel de batalha negro, o cavaleiro elevava-se bem acima de Will e Gared, montadosem seus garranos de menores dimensões. Trajava botas negras de couro, calças negras de lã, luvas negras de pele de toupeira e uma cintilante cota de malha negra e flexível por cima de várias camadas de lã negra e couro fervido. Sor Waymar era um Irmão Juramentado da Patrulha da Noite havia menos de meio ano, mas ninguém poderia dizer que não se preparara para a sua vocação. Pelo menos no que dizia respeito ao guarda-roupa.
(AGOT, Prólogo)
Segundo as informações que recebemos, Waymar foi o terceiro filho do formidável "Bronze" Yohn Royce, lorde de Pedrarruna e da casa Royce. Ninguém sabe ao certo por que Waymar escolheu se juntar à Patrulha. Sendo filho de um Senhor, ele poderia se casar em uma Casa menor e obter suas próprias propriedades, tornar-se um cavaleiro de torneios, visitar Essos e lutar como um mercenário se quisesse. Poderia fazer quase tudo. Em vez disso, escolheu se juntar à Patrulha da Noite. E Waymar é muito bonito, Sansa Stark se apaixonou por ele à primeira vista:
Foi hóspede em Winterfell quando o filho foi para o Norte vestir o negro – tinha uma tênue lembrança de ter se apaixonado perdidamente por Sor Waymar.
(AFFC, Alayne I)
Gared e Will são um pouco menos ilustres. Will é um caçador furtivo apanhado por Lord Mallister e escolheu a Muralha em vez de perder a mão. Gared ingressou na Patrulha quando menino e é patrulheiro há quarenta anos. Senhor comandante Mormont fala muito bem deles.
Mormont pareceu quase não ouvi-lo. O velho aquecia as mãos no fogo.
Enviei Benjen Stark em busca do filho de Yohn Royce, perdido em sua primeira patrulha. O rapaz Royce estava verde como a grama de verão, mas insistiu na honra de seu próprio comando, dizendo que lhe era devido enquanto cavaleiro. Não desejei ofender o senhor seu pai e cedi. Enviei-o com dois homens que considerava dos melhores que temos na Patrulha. Mas fui tolo.
(AGOT Tyrion III)

A Missão

Agora que estamos mais familiarizados com esses patrulheiros, vamos abordar a explicação mais simples: que foi um encontro acidental entre os Outros e os patrulheiros. Talvez os Outros estivessem viajando pela floresta para se encontrar com Craster e acidentalmente encontraram três patrulheiros. Faz sentido. Os Outros e os patrulheiros são inimigos históricos. No entanto, existem grandes problemas nisso. O primeiro é quando Royce e companhia alcançam suas presas, os saqueadores já foram transformados em criaturas.
Prestou atenção à posição dos corpos?
Will encolheu os ombros.
Um par deles está sentado junto ao rochedo. A maioria está no chão. Parecem caídos.
Ou adormecidos – sugeriu Royce.
Caídos – insistiu Will. – Há uma mulher numa árvore de pau-ferro, meio escondida entre os galhos. Uma olhos-longos – ele abriu um tênue sorriso. – Assegurei-me de que não conseguiria me ver. Quando me aproximei, notei que ela também não se movia – e sacudiu-se por um estremecimento involuntário.
Está com frio? – perguntou Royce.
Um pouco – murmurou Will. – É o vento, senhor.
O jovem cavaleiro virou-se para seu grisalho homem de armas. Folhas pesadas de geada suspiravam ao passar por eles, e o corcel de batalha movia-se de forma inquieta.
Que lhe parece que possa ter matado aqueles homens, Gared? – perguntou Sor Waymar com ar casual, arrumando o longo manto de zibelina.
Foi o frio – disse Gared com uma certeza férrea. – Vi homens congelar no inverno passado e no outro antes desse, quando eu era pequeno.
Waymar, porém, percebe algo errado na avaliação de Gared. Está quente demais para a estação, tanto que o Muralha está derretendo ou "chorando".
Se Gared diz que foi o frio… – começou Will.
Você fez alguma vigia nesta última semana, Will?
Sim, senhor – nunca havia uma semana em que ele não fizesse uma maldita dúzia de vigias.
Aonde o homem queria chegar?
E em que estado encontrou a Muralha?
Úmida – Will respondeu, franzindo a sobrancelha. Agora que o nobre o fizera notar, via os fatos com clareza. – Eles não podem ter congelado. Se a Muralha está úmida, não podem. O frio não é suficiente.
Royce assentiu.
Rapaz esperto. Tivemos alguns frios passageiros na semana passada, e uma rápida nevasca de vez em quando, mas com certeza não houve nenhum frio suficientemente forte para matar oito homens adultos.
Os saqueadores morrem congelados com o tempo quente demais. Como leitores, sabemos que os Outros têm controle sobrenatural sobre o frio, indicando que eles são os assassinos. E então, quando Waymar e Will voltam, descobrem que os corpos desapareceram.
O coração parou em seu peito. Por um momento, não se atreveu a respirar. O luar brilhava acima da clareira, sobre as cinzas no buraco da fogueira, sobre o abrigo coberto de neve, sobre o grande rochedo e sobre o pequeno riacho meio congelado. Tudo estava como estivera algumas horas antes.
Eles não estavam lá. Todos os corpos tinham desaparecido.

A Armadilha

O curioso Waymar morde a isca e a armadilha foi ativada. Will, de seu ponto estratégico em cima de uma árvore, vê seus predadores desconhecidos emergirem da floresta. (AGOT, Prólogo)
Uma sombra emergiu da escuridão da floresta. Parou na frente de Royce. Era alta, descarnada e dura como ossos velhos, com uma carne pálida como leite. Sua armadura parecia mudar de cor quando se movia; aqui era tão branca como neve recém-caída, ali, negra como uma sombra, por todo o lado salpicada com o escuro cinza-esverdeado das árvores. Os padrões corriam como o luar na água a cada passo que dava.
Will ouviu a exalação sair de Sor Waymar Royce num longo silvo. [...]
Emergiram em silêncio, das sombras, gêmeos do primeiro. Três… quatro… cinco… Sor Waymar talvez tivesse sentido o frio que vinha com eles, mas não chegou a vê-los, não chegou a ouvi-los. Will tinha de chamá-lo. Era seu dever. E sua morte, se o fizesse. Estremeceu, abraçou a árvore e manteve o silêncio.
Os Outros armaram uma armadilha para esses patrulheiros e a puseram em ação, não foi um encontro casual. Eles estão apenas tentando matar todos os membros da Patrulha da Noite que puderem? Eu não acredito nisso. Will e Waymar são mortos na Floresta Assombrada, mas o terceiro corvo, Gared, consegue escapar dos Outros. Ele corre para o sul até ser pego pelos Starks e decapitado por Lorde Eddard por deserção.
Há seis Outros não feridos, camuflados e ansiosos para matar ali mesmo com ao menos dez criaturas (incluindo Waymar e Will) e eles deixam de perseguir Gared. Matá-lo seria fácil e rápido, e ainda assim eles não o fazem. Isso não aconteceria se eles estivesse apenas tentando empilhar corpos de patrulheiros.

Claro que Craster está envolvido

A única conclusão que resta é que todo o cenário não era uma armadilha para três homens da Patrulha da Noite, e sim uma armadilha para um patrulheiro em particular: Waymar Royce. Ele é escolhido pelos Outros para um duelo individual por sua vida. Mas por quê? Waymar não é nada de especial na Patrulha. Enquanto isso, Gared e Will são veteranos nas terras além da Muralha. Eles seriam os maiores prêmios, taticamente falando. Como os Outros sequer poderiam saber como procurar por Waymar?
Me perdoará por isso, se tiver lido minhas outras teorias, mas mais uma vez, a resposta é Craster. Waymar, Will e Gared passaram pelo menos uma noite na fortaleza de Craster enquanto rastreavam os selvagens saqueadores.
Lorde Mormont disse:
Ben andava à procura de Sor Waymar Royce, que tinha desaparecido com Gared e o jovem Will.
Sim, desses três me lembro. O fidalgo não era mais velho do que um destes cachorros. Orgulhoso demais para dormir debaixo do meu teto, aquele, com seu manto de zibelina e aço negro. Ainda assim, minhas mulheres ficaram de olho grande – olhou de soslaio a mais próxima das mulheres. – Gared disse que iam caçar salteadores. Eu lhe disse que com um comandante assim tão verde era melhor que não os pegassem. Gared não era mau para um corvo.
(ACOK Jon III)
Observa-se aqui que Craster só fala sobre Gared e Waymar, não sobre Will. E Will é um patrulheiro veterano, alguém que Craster provavelmente já conheceria, mas é deixado de fora. Craster lembra Waymar com riqueza de detalhes, concentrando-se em suas roupas finas e boa aparência. Craster se concentrou muito em Waymar, mas quando perguntado sobre para onde os patrulheiros estavam indo quando partiram, Craster responde (ACOK Jon III):
Quando Sor Waymar partiu, para onde se dirigiu?
Craster encolheu os ombros:
Acontece que tenho mais que fazer do que tratar das idas e vindas dos corvos.
Craster não tem coisas melhores para fazer, seus dias giram em torno de ficar bêbado e ser um humano terrível para com suas "esposas". E ele se contradiz, alegando não ter interesse nos patrulheiros ao mesmo tempo que discorre em detalhes sobre Royce. Dado o relacionamento muito próximo de Craster com os Outros (organizando um acordo em que ele dá seus filhos em troca de proteção), esse encontro casual foi o que deu início à cadeia de eventos que levaram à morte de Waymar. Craster viu algo importante em Waymar Royce, algo em que os Outros prestaram muita atenção e agiram de maneira dramática.

A aparência de um Stark

Vamos analisar rapidamente o que Craster poderia ter aprendido. Com suas próprias palavras, ele percebe que Waymar é de alto nascimento. Não é uma informação particularmente valiosa, existem muitos patrulheiros e membros da Patrulha bem nascidos e os Outros não criaram armadilhas individuais para eles até onde sabemos.
Ele poderia ter ficado sabendo que Waymar era da Casa Royce e do Vale. Não há outros homens dos Royces na Patrulha, mas há outro patrulheiro chamado Tim Stone, do Vale. Tim sobrevive à Grande Patrulha e ainda está vivo no final do Festim dos Corvos, então essa parece uma explicação improvável. Talvez ser Royce tenha feito os Outros ficarem atentos. Os Royces tem sangue de Primeiros Homens, uma casa antiga que remonta às brumas da história. Talvez algum tipo de rancor?
Existe algo em seu comportamento? Waymar é altivo e autoconfiante, repele as pessoas com uma atitude de superioridade. Isso aborreceu Craster, mas duvido que os Outros chegariam em força para acalmar um leve aborrecimento do gerente de fábrica de bebês. O quanto eles demonstram interesse em Waymar implica que o que Craster disse a eles foi uma informação suculenta e importante que o atraiu de forma intensa. O que nos resta é a aparência de Waymar (AGOT, Prólogo):
Era um jovem atraente de dezoito anos, olhos cinzentos, elegante e esbelto como uma faca.
Olhos cinzentos, esbeltos, graciosos. Esta é uma descrição que é usada apenas um capítulo depois com um personagem muito famoso (AGOT, Bran I):
Podia-se ver em seus olhos, Stark – os de Jon eram de um cinza tão escuro que pareciam quase negros, mas pouco havia que não vissem. Tinha a mesma idade que Robb, mas os dois não eram parecidos. Jon era esguio e escuro, enquanto Robb era musculoso e claro; este era gracioso e ligeiro; seu meio-irmão, forte e rápido.
Waymar se parece com Jon Snow. Os outros membros conhecidos da Casa Royce que não ficaram grisalhos (Myranda Royce e seus "espessos cachos cor de avelã" e Albar Royce e seus "ferozes suíças negras") têm cabelo preto ou marrom. É lógico que Waymar tambémteria dada a predominância de cabelos escuros nas famílias. A arte oficial dos fundos dos calendários confirma isso, com GRRM aprovando os cabelos pretos de Waymar. Mas Craster não conhece Jon Snow no momento, então por que a comparação importa? A resposta vem da primeira interação de Craster com Jon Snow (ACOK, Jon III):
Quem é este aí? – Craster perguntou, antes que Jon pudesse se afastar. – Tem o ar dos Stark.
É o meu intendente e escudeiro, Jon Snow.
Quer dizer então que é um bastardo? – Craster olhou Jon de cima a baixo. – Se um homem quer se deitar com uma mulher, parece que a devia tomar como esposa. É o que eu faço – enxotou Jon com um gesto. – Bom, corre a cuidar do seu serviço, bastardo, e vê se esse machado está bom e afiado, que não tenho serventia para aço cego.
Craster de relance reconhece Jon corretamente como tendo a aparência de um Stark. Ele não fala isso de novo com mais ninguém que conhece nos capítulos que aparece, ninguém menciona isso depois, é a única vez que Craster diz que alguém se parece com uma família em particular. Ele sabe que aparência os Starks devem ter, e isso é confirmado por outros personagens. Uma de suas características definidoras, mencionadas muitas vezes, são os olhos cinzentos.
Catelyn lembrando Brandon Stark (AGOT, Catelyn VII):
E seu prometido a olhou com os frios olhos cinzentos de um Stark e lhe prometeu poupar a vida do rapaz que a amava.
Jaime Lannister lembrando Ned Stark na época da rebelião (ASOS, Jaime VI):
Lembrou-se de Eddard Stark, percorrendo a cavalo todo o comprimento da sala do trono de Aerys, envolto em silêncio. Só seus olhos tinham falado; olhos de senhor, frios, cinzentos e cheios de julgamento.
Theon lembrando qual deveria ser a aparência de Arya. (ADWD, Fedor II)
Arya tinha os olhos do pai, os olhos cinzentos dos Stark. Uma garota da idade dela podia deixar o cabelo crescer, adicionar uns centímetros à altura, ver os seios aumentarem, mas não podia mudar a cor dos olhos.
Tyrion Lannister reconhece Jon como tendo a aparência Stark também (AGOT, Tyrion II):
O rapaz absorveu tudo aquilo em silêncio. Possuía o rosto dos Stark, mesmo que não tivesse o nome: comprido, solene, reservado, um rosto que nada revelava.
Pelo reconhecimento correto de Craster e dos monólogos internos de Tyrion e Catelyn, parecer um verdadeiro "Stark" significa que você deve ter olhos cinzentos, cabelos castanhos escuros ou pretos e um rosto longo e solene. Waymar Royce tem três destas quatro características. No entanto ele poderia ter todas, se você considerar o rosto de seu pai um indicativo do aspecto do rosto de Waymar (AFFC, Alayne I):
Os últimos a chegar foram os Royce, Lorde Nestor e Bronze Yohn. O Senhor de Pedrarruna era tão alto quanto Cão de Caça. Embora tivesse cabelos grisalhos e rugas no rosto, Lorde Yohn ainda parecia poder quebrar a maior parte dos homens mais novos como se fossem gravetos nas suas enormes mãos nodosas. Seu rosto vincado e solene trouxe de volta todas as memórias de Sansa do tempo que passara em Winterfell.
O mesmo rosto solene que você procuraria em um Stark. Seu rosto até a lembra de Winterfell e, presumivelmente, de seu pai. Acredito que foi isso que Craster viu em Waymar e que ele alertou os Outros a respeito. Ele tinha visto alguém que se parece muito com um Stark, de alto nascimento e jovem. Isso se encaixa em um perfil importante para os Outros, pois eles entram em ação, preparando sua armadilha para Waymar. Infelizmente, Waymar não é um Stark de verdade, mas ele parece próximo o suficiente para enganar Craster e os Outros.

O Royce na Pele de Lobo

No entanto, Craster não está totalmente errado sobre Waymar ser parecido com um Stark. Os Starks e Royces se casaram recentemente. Beron Stark, tetravô de Jon, casou-se com Lorra Royce. E sua neta, Jocelyn Stark, filha de William Stark e Melantha Blackwood, casou-se com Benedict Royce, dos Royces dos Portões da Lua. Via Catelyn descobrimos onde no Vale seus filhos se casaram:
O pai do seu pai não tinha irmãos, mas o pai dele tinha uma irmã que se casou com um filho mais novo de Lorde Raymar Royce, do ramo menor da casa. Eles tiveram três filhas, todas as quais casaram com fidalgos do Vale. Um Waynwood e um Corbray comc erteza. A mais nova... pode ter sido um Templeton, mas...
(ASOS Catelyn V)
Este é o ramo errado da casa Royce, no entanto, suas filhas todas se casaram com outras famílias nobres, tornando possível que o sangue Stark chegasse, através de casamentos políticos, ao ramo principal da família e Waymar. Sabemos muito pouco sobre a árvore genealógica Royce para além dos membros atuais, nem sabemos o nome ou a casa da esposa de Yohn Royce.
No meu vídeo The Wild Wolves: The Children of Brandon Stark , proponho que Waymar seja realmente um bastardo secreto dos Stark na casa Royce. Há uma quantidade razoável de conexões entre o Lobo Selvagem e Waymar, particularmente sua coragem e sua busca por aventura. Se essa teoria fosse verdadeira, fortaleceria o raciocínio por trás do ataque dos Outros a Waymar, pois ele pode ser um Stark em tudo menos no nome. Você pode imaginar que, enquanto Waymar, Will e Gared estavam andando pela Floresta Assombrada, os Outros seguiam silenciosamente, inspecionando Waymar de longe e ficando excitados por terem encontrado quem procuravam. Talvez eles pudessem sentir o cheiro do sangue do lobo nele.
É minha conclusão que Waymar Royce foi morto pelos Outros por engano, devido às informações incorretas de seu batedor de reconhecimento Stark (Craster). Waymar foi morto por não ser o cara certo. Mas a partir da armadilha e da situação que os Outros criaram, podemos descobrir quem eles esperavam encontrar.

O teste e o ritual

Primeiro, eles montam uma armadilha elaborada usando criaturas para enganar os patrulheiros. A partir disso, podemos concluir que eles esperavam que seu alvo fosse muito cauteloso e inteligente. Caso contrário, eles poderiam simplesmente encontrá-los à noite e se esgueirar para matar. Eles acreditavam que precisavam prender os Stark que estavam caçando.
Segundo, o número de Outros que aparecem. Seis outros aparecem, uma grande quantidade deles para uma disputa que ser espadachins aparentemente experientes. Mais tarde na história, os Outros apenas enviam um para matar pelo menos três membros da Patrulha da Noite, mas Sam o mata com uma adaga de obsidiana. Para Waymar, eles enviam seis. Se você quer alguém para assistir ao duelo, você envia um ou dois extras. Outros cinco implicam que a pessoa que você duelará terá muito sucesso. Você está prevendo que essa pessoa provavelmente matará vários Outros antes que a luta termine. Eles o temem e o respeitam. No entanto, eles descobrem que essas suposições não são verdadeiras. Primeiro, eles verificam a espada de Waymar quando ele a levanta, quase que temendo-a.
Sor Waymar enfrentou o inimigo com bravura.
Neste caso, dance comigo.
Ergueu a espada bem alto, acima da cabeça, desafiador. As mãos tremiam com o peso da arma, ou talvez devido ao frio. Mas naquele momento, pensou Will, Sor Waymar já não era um rapaz, e sim um homem da Patrulha da Noite. O Outro parou. Will viu seus olhos, azuis, mais profundos e mais azuis do que quaisquer olhos humanos, de um azul que queimava como gelo. Will fixou-se na espada que estremecia, erguida, e observou o luar que corria, frio, ao longo do metal. Durante um segundo, atreveu-se a ter esperança.
Quando estão certos de que a espada não está prestes a explodir em chamas como Luminífera, eles seguem em frente e testam suas habilidades com a lâmina.
Então, o golpe de Royce chegou um pouco tarde demais. A espada cristalina trespassou a cota de malha por baixo de seu braço. O jovem senhor gritou de dor. Sangue surgiu por entre os aros, jorrando no ar frio, e as gotas pareciam vermelhas como fogo onde tocavam a neve. Os dedos de Sor Waymar tocaram o flanco. Sua luva de pele de toupeira veio empapada de vermelho.
O Outro disse qualquer coisa numa língua que Will não conhecia; sua voz era como o quebrar do gelo num lago de inverno, e as palavras, escarnecedoras.
(AGOT, Prólogo):
O Outro acerta um golpe, e você quase pode dizer o que ele está dizendo. "Esse cara não deveria ser um lutador incrível?" Então eles executam outro teste
Quando as lâminas se tocaram, o aço despedaçou-se.
Um grito ecoou pela noite da floresta, e a espada quebrou-se numa centena de pedaços, espalhando os estilhaços como uma chuva de agulhas. Royce caiu de joelhos, guinchando, e cobriu os olhos. Sangue jorrou-lhe por entre os dedos.
Os observadores aproximaram-se uns dos outros, como que em resposta a um sinal. Espadas ergueram-se e caíram, tudo num silêncio mortal.
Era um assassinato frio. As lâminas pálidas atravessaram a cota de malha como se fosse seda. Will fechou os olhos. Muito abaixo, ouviu as vozes e os risos, aguçados como pingentes.
(AGOT, Prólogo)
O sinal da morte de Waymar é que sua espada se quebra no frio. Eles esperam que Waymar tenha uma espada que resista a seus ataques frios, pelo menos de aço valiriano. Quando sua espada não o resiste, eles estão convencidos de que Waymar não é quem eles querem e o matam.
Vale a pena prestar muita atenção em quão estranhos esses comportamentos são baseados em como os Outros atacam, como evidenciado mais adiante na história. Em seu ataque ao Punho dos Primeiros Homens, não há Outros à vista, eles usam exclusivamente criaturas. Da mesma forma, eles usam criaturas para expulsar Sam e Gilly do motim na fortaleza de Craster. Quando Sam mata um com sua adaga de obsidiana, apenas um Outro considera uma luta fácil encarar três homens da Patrulha da Noite. Na tentativa de matar Jeor Mormont e Jeremy Rykker, esta missão é dada a duas criaturas sozinhas.
Eles operam como fantasmas, matando nas sombras em sua camuflagem gelada e deixando seus fantoches fazerem seu trabalho sujo. Mas aqui eles abandonam totalmente seu comportamento furtivo. Isso implica que isso foi incrivelmente importante para eles, e a organização parece um ritual ou cerimônia de algum tipo.
Há mais uma coisa em que os Outros têm seus olhos treinados. Depois que Waymar recebe seu ferimento, seu sangue começa a escorrer para a luva e depois sangra abertamente do lado dele. O que está acontecendo até agora pode ser apenas um caso de identificação incorreta de Stark por Craster. Esse detalhe, no entanto, nos dá uma imagem muito diferente. Isso nos diz que eles estão procurando Jon Snow sem saber o nome dele. Deixe-me explicar.
No final de A Dança dos Dragões, Jon é morto por seus irmãos da Patrulha da Noite e sente o frio da morte sobre ele. No programa de TV, Jon é ressuscitado por Melisandre praticamente a mesma pessoa que ele era, com algumas cicatrizes retorcidas. O mesmo vale para Beric Dondarrion, cujos próprios retornos da morte servem como preparação para Jon. Em uma entrevista à Time Magazine, George conta uma história muito diferente sobre como o corpo de Beric funciona.
[…] o pobre Beric Dondarrion, que serviu de prenúncio [foreshadowing] de tudo isso, toda vez que ele é um pouco menos Beric. Suas memórias estão desaparecendo, ele tem todas aquelas cicatrizes, está se tornando cada vez mais hediondo, porque ele não é mais um ser humano vivo. Seu coração não está batendo, seu sangue não está fluindo em suas veias, ele é uma criatura [wight], mas uma criatura animado pelo fogo, e não pelo gelo, e agora estamos voltando a toda essa coisa de fogo e gelo.
Isso é parecido com o que o personagem conhecido como Mãos-Frias diz a Bran, que tem isso a dizer sobre sua própria versão dos mortos-vivos e como seu corpo se saiu.
O cavaleiro olhou as mãos, como se nunca as tivesse notado antes.
Assim que o coração para de bater, o sangue do homem corre para as extremidades, onde engrossa e congela. – Sua voz falhava na garganta, tão fina e fraca como ele. – As mãos e os pés incham e ficam negros como chouriço. O resto dele torna-se branco como leite.
(ADWD, Bran I)
O que estão nos mostrando é que, após a ressurreição, os corpos dessas pessoas estão sendo mantidos em um estado de animação suspensa. Eles não bombeiam mais sangue, raramente precisam de comida ou sono, podem até não envelhecer. Quando o sangue bombeia quente do flanco de Waymar, os Outros podem ver que ele não está morto-vivo, como Jon provavelmente estará nos próximos livros.
Some todos esses indícios. Eles estavam procurando por uma espada que fosse resistente à sua magia, certamente aço valiriano como a espada Garralonga que Jon Snow empunha. Eles querem um jovem de cabelos escuros, longos traços faciais e olhos cinzentos de um Stark. Novamente um sinal fúnebre para Jon Snow. Eles querem alguém cujo sangue não flua mais quente. Isso nos dá um indício de que, no futuro, Jon estará sendo procurado por ele; passada sua morte e ressurreição na Muralha.

Um destino escrito em gelo e fogo

Como poderia ser assim? Como os Outros poderiam saber quem é Jon, como ele é e por que ele é importante para eles? A chave para o mistério é o fato de que os Outros foram feitos pelos Filhos da Floresta, e toda a linguagem simbólica e descritiva ao seu redor indica que eles vêm e extraem poderes dos Bosques. E sabemos o que isso significa: visão verde e sonhos verdes. Ou visão de gelo. Semelhante ao que vemos em personagens como Bran, Jojen, Melisandre, Cara-Malhada e muito mais. Acesso a um mundo de sonhos sem tempo com características altamente simbólicas. Como exemplo, é assim que Jojen interpreta Bran em seus sonhos.
Os olhos de Jojen eram da cor do musgo, e às vezes, quando se fixavam, pareciam estar vendo alguma outra coisa. Como acontecia agora.
Sonhei com um lobo alado preso à terra por correntes de pedra cinza – ele disse. – Era um sonho verde, por isso soube que era verdade. Um corvo estava tentando quebrar suas correntes com bicadas, mas a pedra era dura demais, e seu bico só conseguia arrancar lascas.
(ACOK, Bran IV)
A natureza incerta do mundo dos sonhos verdes torna perfeitamente compreensível como os Outros poderiam confundir Waymar com Jon. Eles podem tê-lo visto apenas em flashes, seu rosto obscurecido, seu nome desconhecido, seu período exato incerto. Lembre-se de quantos problemas os Targaryens, valirians, Melisandre e muitos outros tentaram adivinhar quando o Príncipe prometido chegaria, interpretando a estrela que sangrava e o nascimento em meio a sal e fumaça "criativamente" ao longo de sua história. Os Outros podem estar fazendo a mesma coisa com quem vêem no futuro, e há um sonho em particular que pode aterrorizá-los. O sonho de Jon.
Flechas incendiárias assobiaram para cima, arrastando línguas de fogo. Irmãos espantalhos caíram, seus mantos negros em chamas. Snow, uma águia gritou, enquanto inimigos escalavam o gelo como aranhas. Jon estava com uma armadura de gelo negro, mas sua lâmina queimava vermelha em seu punho. Conforme os mortos chegavam ao topo da Muralha, ele os enviava para baixo, para morrer novamente. Matou um ancião e um garoto imberbe, um gigante, um homem magro com dentes afiados, uma garota com grossos cabelos vermelhos. Tarde demais, reconheceu Ygritte. Ela se foi tão rápido quanto aparecera.
O mundo se dissolveu em uma névoa vermelha. Jon esfaqueava, fatiava e cortava. Atingiu Donal Noye e tirou as vísceras de Dick Surdo Follard. Qhorin Meia-Mão caiu de joelhos, tentando, em vão, estancar o fluxo de sangue do pescoço.
Sou o Senhor de Winterfell – Jon gritou. Robb estava diante dele agora, o cabelo molhado com neve derretida. Garralonga cortou sua cabeça fora.
(ADWD, Jon XII)
Jon vestido com uma armadura de gelo empunhando uma espada flamejante, lutando sozinho contra as hordas de mortos-vivos, matando repetidas vezes sua própria família, entes queridos e irmãos. Essa pessoa seria sem dúvida um problema para os Outros. Ou eles podem ter visto a visão igualmente aterrorizante de Melisandre sobre Jon.
As chamas crepitavam suavemente, e em seu crepitar ela ouviu uma voz sussurrando o nome de Jon Snow. Seu rosto comprido flutuou diante dela, delineado em chamas vermelhas e laranja, aparecendo e desaparecendo novamente, meio escondido atrás de uma cortina esvoaçante. Primeiro ele era um homem, depois um lobo, no fim um homem novamente. Mas as caveiras estavam ali também, as caveiras estavam todas ao redor dele.
(ADWD, Melisandre I)
Jon e Waymar também incorporam traços clássicos do Último Herói, a pessoa que de alguma forma terminou a Longa Noite. Waymar até parece animado quando percebe que os invasores podem ter sido mortos pelos Outros. Conforme a Velha Ama,
[…] o último herói decidiu procurar os filhos da floresta, na esperança de que sua antiga magia pudesse reconquistar aquilo que os exércitos dos homens tinham perdido. Partiu para as terras mortas com uma espada, um cavalo, um cão e uma dúzia de companheiros. Procurou durante anos, até perder a esperança de chegar algum dia a encontrar os filhos da floresta em suas cidades secretas. Um por um os amigos morreram, e também o cavalo, e por fim até o cão, e sua espada congelou tanto que a lâmina se quebrou quando tentou usá-la. E os Outros cheiraram nele o sangue quente e seguiram-lhe o rastro em silêncio, perseguindo-o com matilhas de aranhas brancas, grandes como cães de caça…
(AGOT, Bran IV)
A missão Outros pode ser tão simples quanto garantir que o Último Herói nunca chegue aos Filhos da Floresta novamente, que não haverá salvação para os homens desta vez. Eles também cercaram a caverna de Corvo de Sangue, talvez como mais uma defesa contra o Herói que se aproximava deles. Enquanto os humanos consideram o Último Herói como uma lenda de grandes realizações, para os Outros ele seria o Grande Outro, a versão deles do Rei da Noite. Um demônio que acabou com suas ambições, um monstro com uma espada que os destrói com um toque e é incansável, destemido. Faz sentido que, se pensassem que haviam encontrado essa pessoa, eles trariam um grande número de si mesmos para o duelo. É o medo que os fez ser tão cautelosos com Waymar. Medo de terem encontrado seu verdadeiro inimigo mais uma vez. O demônio da estrela que sangra, um monstro feito de fumaça e sal com uma espada flamejante.
E a pergunta permanece: quando eles finalmente encontrarem essa pessoa, o que farão com ela? Vimos alguém falhar nos testes, que teve uma morte rápida e brutal. E se ocorrer um sucesso? Eles vão matá-lo de novo? Manterão Jon refém? Irão convertê-lo em seu novo rei do inverno? Desfilarão seu corpo eterno na frente de seus exércitos? Ainda podemos descobrir quando os Ventos do Inverno soprarem e o lobo branco finalmente uive.
TL;DR - Waymar foi morto porque Craster o achou muito parecido com um jovem e bem nascido patrulheiro Stark, um perfil que combina com Jon Snow. Os Outros podem até estar procurando especificamente Jon Snow por visões ou sonhos verdes com o mesmo empenho com que o mundo dos vivos está procurando por Azor Ahai e o Príncipe Prometido.
submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


2020.07.23 00:58 Cellbitoves Me ajudem por favor, preciso de um conselho urgente!

Boa noite a todos, acabei de fazer meu cadastro nesse site, após lê sem querer, um post antigo de uma pessoa( não citarei nomes) que estava na dúvida se trocaria a carreira pública pela iniciativa privada. Após a leitura dessa discussão nesse forum, percebi que deveria fazer o mesmo questionamento, visto que me encontro indeciso profissionalmente e com tendencias de DEPRESSÃO, isso será quase o meu primeiro desabafo da vida, bem para começar irei falar um pouco de mim, e serei o mais breve possível.

Sou um jovem de 18 anos que mora no Norte do país, ps: odeio morar aqui, tive uma infância relativamente tranquila, estudei sempre em escola privada( não sou rico, aqui no norte a escola particular custa mesmo de 600 reais), bem fiz amizades desde cedo, no entanto, meu pai começou a não querer mais trabalhar para governo que é o órgão que mais emprega nesse estado miserável que moro, tornando a minha mãe a responsável pelas finanças por muitos anos. Quando completei o ensino fundamental troquei de escola para uma das escola mais caras(r$800 de mensalidade), pois no início pensava em fazer medicina, no entanto o meu problema começa aqui, não me adaptei ao ritmo intenso de estudos pra vestibulares, pois é um modelo de estudo voltado a aprender pra marca o , e não estudar algo que vc tem prazer, e isso começou a afetar a minha vida pessoal, primeiro pq chegava em casa e via meu pai assistindo tv enquanto minha mãe se matava de trabalhar, eu não conseguia entender nada de química, e com esse enjaulamento em casa deixei de ter tantas amizades, e as que tinha construído na infância não queriam mais sair comigo pq era outra fase da vida, novas relações e cada um estava se redescobrindo.

Bem avançando um pouco a história comecei a ficar triste( AQUI COMEÇAR), ainda no primeiro ano tentei reunir todos meus amigos do passado com os meus colegas do médio, e deu "certo" bem entre aspas, pois quando fiz essa comemoração de 15 anos, ja de cara os brothers que eu mais consideravam não puderam ir, ai blz, curtimos esse dia. em Julho fui para BSB onde ja havia passado varias vezes antes pq meus pais tinham um ap lá( depois tiveram que vender). E sério não digo que lá é perfeito, mas coisas como BK, Starbucks, Outback e lojas jamais havia visto na minha cidade natal, sinceramente nesse ponto notei que eu estava perdendo tempo de vida na minha cidade natal.

Bem voltei e um ano após, comecei meu 2 ano do EM( 2018), meu pai voltou a trabalhar, talvez isso tenha me ajudo, ja consegui entrozar mais com a galera da escola, fui pra uns jogos de futebol, conheci muita gente nova, mas nenhum virou meu amigo so colegas de escola do tipo que te esquecem no ano seguinte. Esse ano eu consegui algumas coisas do tipo perde o ficar com uma mina, que me difamou em toda escola, pq ela tinha acabo um relacionamento recente( não fiquem com alguém que terminou recentemente), na época eu tinha uns 3 contatinhos no esquema e ela conseguiu estragar todos depois que a gente ficou. Bem, nessa época retornei contato com dois amigos meus de infancia, so que um continua brother e o outro que conheço desde os 4 anos, simplesmente me ignora, meio que não vai nos roles que eu chamo, fura no meu niver, isso me deixou muito pra baixo. Cheguei ao ponto de ir a um psicologo quando desabafei o que sentia, ele me falou que em todos os anos de carreira nunca havia visto algo assim( isso posso relatar em um futuro post), então me enviou a um psiquiatra que me recomendou remédios para dormir, os mesmos remédios que usam para pessoas em MANICÔMIOS, ele disse que eu tinha algum TRANSTORNO/DEPRESSÃO, bem deixei tudo passar, e segui em frente.

Em 2019 foi a minha pior decisão resolvi ir para o colégio mais elitista da região. Nunca tinha estudando em um ambiente com tantos mauricinhos e patricinhas(odeio essa galera que se exibe, só pq tem dinheiro). Era ano de vestibular e eu ja não queria mais fazer medicina, estava com planos de ir apra economia e me especializar em mercado financeira( uma de minhas paixões), no entanto, percebi que a matriz curricular das federais e particulares de economia so tem matérias de economia voltado a GESTÃO PÚBLICA, e onde eu ainda moro, não tem quase emprego para esses profissionais. O tempo foi passando, estava em uma escola nova da qual eu não gostava, com apenas 3 amigos, pensei que se conseguisse uma namorada as coisas iriam melhorar e bem eu tentei, a mina era linda( eu tenho muita pira com esse negócio de beleza quando vou entrar em relacionamento amoroso), so que eu tava tão fodido da cabeça que mesmo ela se interessando por mim, eu travei e perdi ela pra um outro mlk lá. RESUMO, eu não gostava da escola, mas consegui terminar, terminei indo parar na área de TI, pq sempre gostei de tecnologia, inovação e é uma carreira que eu não precisava ter um pré-requisito para entrar, e *incrivelmente esse ano a Federal não abriu vaga para o meu curso*. Paguei uma fortuna de colégio para ir para uma faculdade privada, que é boa sim, mas não precisava ter passado 3 longos anos da minha vida fazendo simulados de ENEM.

( SE NÃO TIVER PACIÊNCIA COMECE DAQUI)
Agora em 2020, tentei fazer um encontro, tipo rolezão, com todos os meus brothers de infância, e aqui começou a cagada, dos 20 "amigos" que eu tinha, so 3 foram e todo o resto sumiu, me ignoraram totalmente, tive uma CRISE EMOCIONAL do kct, cara eu to numa cidade que odeio, sem amigos, e de novo vendo a cena da minha mãe saindo pra trabalhar e meu pai sentado no sofá vendo TV, pq cansou de trabalhar. Comecei a refletir sobre o que quero fazer da minha vida a partir de agora, pq caiu a ficha, quando completei 18 anos.

( AJUDA POR FAVOR)
Meu curso tem duração de 3 anos, e eu quero ser independente até lá, agora começam as minhas DÚVIDAS, sou muito jovem, e por não ser rico a ponto de viajar, so conheço minha cidade e BSB, bem outra PAIXÃO minha é morar fora do BR( por isso escolhi TI, me da uma chance maior), eu comecei a investir na bolsa esse ano, consegui juntar uma graninha legal, comprei um curso de como ganhar dinheiro como produtor de infoprodutos, adquiri um curso grátis muito bom sobre Day Trade, e também um curso preparatório para CONCURSO PÚBLICO. Ai vcs devem estar pensando, " ta mais como assim vc vai fazer concurso, quer trabalhar na bolsa e quer ser programador morando fora?", e ai está o X da questão, perdi as esperanças no BR, sempre fui ligado na politica, acreditei que esse país aqui poderia mudar( pelo visto estou errado). So que com esses curso ai que dizem ensinar como fazer dinheiro na net, investir uma grana, comecei a colocar em dúvida se valia a pena mesmo ir para fora( é meu sonho) ou se tentaria ficar rico aqui mesmo, ps: tenho familia fora e a que mora aqui não tem muito esse laço de fazer festa, comemorar juntos, então isso não seria uma falta para mim.

(PLANOS VIÁVEIS?)
Meu pai agora decidiu largar tudo e ir para o USA para trabalhar de peão junto com o resto da minha familia que mora lá, achei a ideia até boa, já eu tenho duas idéias em mente( É AGORA GALERA) * Não sei e * PLANO 1- Me especializar na minha área durante a facul e aprender ingles, e daqui a 3 anos tentar ir para europa, Australia ou Canada para trabalhar como programador lá e realizar meu sonho de ir embora dessa jocha. OU
PLANO 2- Me formo aqui, continuo operando na bolsa, crio meu canal no YT( uma de minha metas), faço um concurso público, pq quero ter algo para eu não morrer de fome, ( cara quem é jovem aqui não tem oportunidade nesse paí, bora garantir o nosso que é), enfim, faço mestrado e doutorado, me mudo dessa cidade que eu odeio, vou para o sul do BR, tipo inteiro de SC, não confio mais em mulher brasileira, então iria ser um solteirão convicto hehe. E serei concursado com doutorado pago pelo órgão, ( eles pagam kk), teria dinheiro investido na bolsa, uma renda extra com cursos na net e canal no YT, nesse tempo também estudaria inglês, e com toda essa bagagem acumulada tentaria o visto de trabalho no exterior para minha área, casando com uma estrangeira.OU tentarei esquecer das merdas que aconteceu aqui no BR e morarei vivendo no meu carguinho público, no interior do sul.
(THE END)
Manos foi um desabafo e tanto, não? Resumindo, eu fico no BR, concursado com doutorado, tocando minha vida que eu sou apaixonado, que vai ser quando chegar em casa, e trabalhar no meu canal do YT e meus investimentos. OU eu termino minha faculdade daqui a três anos e meto o pé dessa desgraça enquanto sou jovem? ( para trabalhar na minha área, ja tenho visto, não sei inglês ainda)
submitted by Cellbitoves to desabafos [link] [comments]


2020.06.06 08:37 Ayka_Okimura Uma história bem longa sobre um nice guy

Ola Luba,gatas,Mateus,tuxo,editores novos(boa sorte) e tuma que estar a ver,a história é bem grande "Nunca ignore sua intuição" Eu estava ficando com um garoto,tinhamos ficado duas vezes,ele me chamou pra ir na casa de uma amiga minha pra beber,ia ele e o amigo dele(vamos chamar de carls),eu queria muito ir,então falei pra minha mãe que era un trabalho,ela não queria deixar eu ir,briguei com ela e td ate ela deixar(porque não ti ouvir mãe)nisso era segundo e tinhamos marcado pra sexta,fiquei conversando com minha amiga e o garoto e eles tavam querendo me jogar pro calrs,que inclusive tinha dado em cima de mim e eu lerda não entendi,ai chegou terça feira,me arrumei,e fui encontra a minha amiga,eu não tava mt afim de ir,tava sentindo que ia dar merda mas fui mesmo assim,no caminho encontro ela e o carls que tinham ido comprar bebida,descubro que o garoto que eu tava ficando so chegaria mas tarde pq tava trabalhando,ate ai td bem,fomos pra casa da minha amiga e ficamos na garragem bebendo,so que ai minha amiga viu um conhecido passando e foi conversar com ele,eu fui atras e sentei na casinha do registro de água,ate que do nd o carls vem do meu lado,me cutuca e diz "vamos?" Ai qnd eu ia perguntar vamos pra onde ele me deu um selinho,eu fiquei em choque e ele me deu outro,então minha amiga virou pra olhar e perguntou o q a gente tava fazendo e ele respondeu que não estávamos fazendo nd,depois que ela terminou de conversar voltamos pras escadas onde estavamos sentados,so que dessa vez o carls sentou do meu lado e ficou passando as mãos nas minhas costas e apertando minha cintura,ai começou a subir um fogo pq né,então o garoto que eu tava ficando chegou a gente conversou,até que eles foram buscar uma água e deixaram eu e o carls sozinha,nos beijamos e os dois "flagraram"(so que não pq quase certeza que eles sabiam) ai eles desceram e eu e o carls subimos mas pro começo da escada(era uma escada que subia reto e dps virava,então assim niguem via a gente) ficamos nos beijando e ele ficou me tocando por cima da calça e nos meus peitos (olha eu acho que se eu quero eu n vou ficar me fazendo de difícil eu estava afim então que se foda)depois disso td eu fui pra casa. No outro dia eu tive que sair pra comprar breu(é um negocio que passa no arco do violino)chamei minha amiga mas ela tava demorando pra responder,então chamei o carls,e acabou indo nós três,nisso ele foi super fofo,comprou chocolate pra mim e pra ela,ficou pegando na minha mãe e tals,me levou ate a esquina da minha casa(pq não queria que ele descesse ate a minha casa),so que no caminho ate a minha casa ele falou que tinha apostado com meu amigo(o garoto que eu fiquei e que ficou dps com a minha amiga(fiquei bem chateada qnd soube)qual de nos duas(eu e minha amiga)pedia um deles em namoro primeiro,e ficou tentando me convencer a namorar com ele,nisso eu pedi pra gente ir com calma,então chegamos,nos beijamos(dei o restante do chocolate pra uma amiga minha pq não gosto de comer muito mas isso não vem ao caso)nisso era quarta feira. Na sexta a gente marcou de os quatro ficar na casa da minha amiga,fui mas cedo la,me arrumei,eles chegaram e cada um dos casais ficou num canto,então o carls me pediu em namoro sussurando no meu ouvido,e eu não tava gostando dele mas não queria falar não na cara dele então aceitei(uma péssima escolha pq se ele não respeitou meu pedido de ir com calma n ia respeitar nd)nisso a gente fingiu que eu que pedi e claro que meu amigo n acreditou,ai eu fui pra casa e contei pra minha mãe,ela quase desmaiou(ele foi meu primeiro namorado),no outro dia levei ele pra conhecer minha familia,Luba eu escancarei minha vida pra ele,apresentei ele pras pessoas que eu mais amava,levei ele pra minha igreja e td mais,so que ele nunca me levou na casa dele(dizia que tava sem tempo,q tinha que marcar direitinho com a mãe dele),passou um tempo e eu me apaixonei,mas ele era bem abusivo,ele falava mal do meu corpo,da minha altura(eu era mais alta que ele),falava que eu parecia uma virgem no sexo(sendo q eu não me soltava por causa de um trauma meu q ele sabia e pq não tinha confiança nele pelo jeito que me tratava)desprezava meus gostos e minhas opiniões,ficava me ignorando pq eu sou mais nova que ele,e morria de ciumes do meu amigo,pq eu gostava mt dele,a gente sempre saia junto com a minha amiga,e o carls nunca tinha tempo pra mim,eu era mt chegada nesse amigo pq confiava nele e ele me entendia,n desprezava meus sentimentos e minhas opiniões,eu n sentia nd por ele,mas o carls vivia discutindo por causa desse ciúmes e terminamos algumas vezes,depois voltavamos,pq ele me pedia e eu n queria desistir,nisso ele ia ficando cada vez mais distante passando semanas sem vir me ver e sem falar comigo,e eu fui perdendo os sentimentos,numa dessas nossas brigas eu sai com meus amigos,e meu amigo levou um amigo dele(tambem amigo do meu namorado),que vamos chamar de farls,o farls é um otaku gamer skatista,daqueles que deixa de sair pra jogar lol,ele era timido e fofo,mt fofo,um verdadeiro princeso,so que eu estava focada no meu namorado e n tinha prestado atenção direito no farls nem olhado com outros olhos(e meus amigos bem que tentaram pq deram um sumiço no meio do caminho pra casa da minha amiga e mesmo assim eu e ele nem ligamos)chegando na casa da minha amiga eu me isolei num canto sozinha,coloquei um casaco na cabeça e fiquei la deprimida,então decidimos comprar uma pizza,pedimos e meus amigos foram buscar,deixando a gente sozinhos,mas antes de sair meu amigo disso "cuidado com o q vc vai fazer farls,a ayka é comprometida",nisso me atisou e eu comecei a olhar farls com outros olhos,mas n fiz nd pq tinha namorado,depois de duas semanas eu e o carls terminamos,e eu pedi pro meu amigo arrumar o farls pra mim,mas no dia seguinte o carls ficou sabendo e veio brigar comigo,ai ele pediu para voltar e eu aceitei com umas condições,que ele n ia ficar tocando no assunto do farls e que agora ele tava em teste(ele tinha me colocado em teste no nosso primeiro termino,sendo que era culpa dele que tinhamos terminado,pq ele que tava com ciumes de nd e ele que terminou),nisso a gente voltou,brigamos algumas vezes,mas dps de uma tempo ele ficou um mês sem vir me ver e sem falar comigo direito,nisso a minha mãe disse que ele tava me traindo,meu pai(que não mora comigo e n nos falamos direito so voltamos a nos falar pq apresentei o carls mas dps nos afastamos de novo)disse que ele soube que o carls tava me traindo,perguntei pro meu amigo ele disse que não sabia,o carls veio me ver e a troxa aqui disse o q eles tinham falado e ele disse que era neurose deles,depois ele sumiu de novo,mas eu n tentei puxar conversa nem nd pq n tava ligando tanto. Ai um belo dia minha amiga me diz que o meu amigo e o carls tavam num corujam com os amigos deles(passaram a noite td jogando)e um deles teve a brilhante ideia de mostrar os nuds que tinham no celular(carls tinha acabado de ganhar um celular novo)meu amigo que tava comprometido com a minha amiga n tinha mas nenhum então n mostrou nem o carls,então meu amigo foi no banheiro e qnd voltou viu o carls mostrando um nuds pros garotos,meu amigo contou pra minha amiga mas n ia contar pra mim pra n se envolver e minha amiga me contou,nisso Luba eu fui pro chão,fiquei o dia td chorando,fiquei arrasada,mas como ja tinha dado ts de mim desisti,passei o fim de semana tentando falar com o carls pra terminar mas ele n respondia minhas mensagem,enquanto isso eu marquei de ficar com o farls(pelo meu amigo é claro)e de possivelmente fazer secho,achando q o carls ia me responder a tempo,chegou o dia e o farls n pode ir,no fim desse dia o carls me respondeu eu fui tirar satisfações do ocorrido e ele disse q a garota que tinha mandado q ele n tinha me traido(so q Luba se ele n tivesse me traido ele deixaria eu ver o celular dele,coisa q ele nunca deixou mas sempre queria fuçar no meu,ele teria apagado,como me obrigou a fazer com a minha coleção de nuds qnd começamos a namorar,e n teria mostrado pros garotos se vangloriando)terminamos e no outro dia fiquei com o farls,nos beijamos na casa da minha amiga e depois saimos com meus amigoa passamos o dia passeando e no fim da tarde voltamos pra casa da minha amiga,nisso a gente foi pro quarto dela(os quatro)ela colocou um colchão no chão,a gente brincou um pouco de eu nunca(eu ganhei) e depois dormimos abraçados (no caso eu e o farls),como n tinha rolado nd de secho marcamos pra na outra semana fazer na casa do meu amigo,so q rolou uma festa no fim de semana na casa de um amigo deles,meu amigo me chamou e eu fui ja na intenção né,levei camisinha e td,so q o farls n sabia que eu ia,chegando la ele tava jogando lol,e eu n ia atrapalhar então enquanto esperava ele terminar o amigo deles e meu amigo encheram eu e ele de askov,qnd o farls terminou eles foram falar com ele sobre o motivo de eu estar la(eram duas casas ligadas então a festa tava rolando em uma e a gente ia pra outra e meu amigo e o amigo deles queriam gravar,eu aceitei na brincadeira pq achei q eles n tavam falando serio)nisso o farls ficou meio assim mas aceitou,nisso o amigo deles me levou na outra casa conversou um pouco comigo e o farls veio,fizemos e foi o melhor secho da minha vida,e os garotos gravaram mas a gente nem ligou,so q depois o carls ficou sabendo e ficou puto,brigou comigo por ter transado com o farls,por ter gravado e td mais,passou um tempo e eu fiquei mas algumas vezes com o farls e depois perdi o interesse,so q semana passada uma amiga minha apostou comigo dizendo q eu n conseguia perguntar pro meu ex o pq ele namorou comigo,como odeio q duvidem de mim perguntei,ele disse q so namorou comigo pq eu tenho buceta,eu fiquei chateada mas fingi q n liguei,so q ele passou a semana me infernizando,ele veio falar q era uma pena q a gente acabou e q a culpa era minha por ter ficado com o farls,q ele era um cara legal,disse q o farls só ficou comigo pq tava bebado e q nas outras vezes foi obrigado e q ele nunca se interessou por mim,depois ele pediu pra ficar comigo e eu disse q n pq tava ficando com alguém,ai ele me ligou,me deu os parabéns e disse q achou q eu nunca fosse conseguir alguém de novo,disse q a gente podia fazer um menage eu ele o garoto q eu to ficando e o farls,eu disse q n,ai ele perguntou se eu tinha cansado dele,eu disse q sim e ele disse q logo eu ia correr atras,dps ele veio pedindo a foto do garoto q eu to ficando,e eu mandei pq o garoto é mt lindo,bem mas bonito q ele,ai ele disse q um garoto bonito desse jeito nunca ficaria comigo e q ate ele dava pra o garoto,eu disse q eu podia arrumar um esquema pros dois pra ele se descobrir,ai ele disse q ja era bem descoberto e me bloqueou Bom lubisco a historia é longa mais foi isso,te amo bjs <3
submitted by Ayka_Okimura to TurmaFeira [link] [comments]


2020.04.12 22:56 Pomiwl Ninguém Precisa Saber Capítulo 3

III. O PRIMEIRO PASSO ANTES DA MORTE
Correram entre a grama perfumada pelo orvalho. Suas botas pesavam e afundavam no barro. Suas canelas mergulhavam-se em lodo. Sentiam cada gota de água escorrer de suas costas ao chão. Se aproximavam da casa do outro lado. Já não enxergavam mais a família de patos que ajudaram mais cedo. Agora, já podiam analisar de mais perto; as memórias surgiram na cabeça de Diana como um flash. Tentava lembrar-se do nome do homem que ali vivia. Era um amigo da família, mas não os viam com frequência. Lembrou-se de um verão passado, onde foram acampar naquele mesmo lugar, e suas feições confortantes brotavam à sua mente. Senhor simpático; vivia sozinho com seu cachorro. O ritmo de seus passos diminuiu. Apoiou-se em uma das paredes com sua mão — sentia como se seu coração a qualquer instante saltaria por sua boca. Sua respiração tornava-se mais leve. Não acreditava que esteve tão próxima da praga. Era realmente aquilo que tanto comentavam; e não poderia ser menos do que especulava-se. Olhando sobre os ombros, podia enxergar uma mancha cinza aceleradamente tomar conta da clareira. Sentiu os pelos do braço se arrepiarem. Levou a mão à porta de madeira e bateu levemente, ansiosa por uma resposta. Não demorou muito até que pudesse ouvir passos vindos de dentro. Aliviou-se ao ver o rosto do homem pela primeira vez em tanto tempo, e no momento em que seus olhos se encontraram e percebeu um sorriso surgir-se no rosto do senhor, lembrou de seu nome: August Moore. — Ora! Que surpresa agradável. Entre, entre, Diana. — impressionou-se com o fato de ter lembrado seu nome. Os cabelos grisalhos limitavam-se ao topo de sua cabeça, enrugada e parcialmente corada pela exposição ao sol. As mãos, cobertas por uma grossa luva de couro preto, ainda apoiavam-se na porta. O suéter cafona cobria uma grande barriga, apertada por um cinto à altura do umbigo.
Depois de um refrescante banho, Diana, ainda com seu cabelo molhado, sentou-se ao empoeirado sofá de Moore, bebericando uma xícara de chocolate quente que parecia aquecer seu corpo internamente. Khan também já estava limpo, com seus pelos completamente estufados — ele não parecia aguentar mais aquela massa de lama grudada ao seu corpo. — Então, não sabe onde seus pais estão... — levou o dedo dobrado à boca para limpar o resto da bebida. — eu realmente sinto muito. Queria poder te abrigar por mais tempo... mas esta desgraça já chegou. Referia-se ao vírus de forma desgostosa, largando a xícara sobre a mesa de chá balançando rapidamente a cabeça de um lado ao outro. — Sim. Deve mesmo ser difícil para alguém que sobrevive do plantio, como você. Inclusive, antes de tudo, gostaria de lhe agradecer. Estou perambulando por aí há dias. Mal posso descrever o alívio que foi ao ver sua cabana do outro lado do lago. — Não há de quê, minha filha. Tudo para ajudar uma das netas de Colress. Mas o que uma criança como você está fazendo por aí com um surto desses? — ela incomodou-se levemente com o uso da palavra “criança”. Para o que já tinha passado até então, não era mais uma criança. A citação do nome de seu avô, no entanto, a confortou. — Eu cometi um erro. Pouco antes do início de todo esse surto, não sei se soube, meu irmão desapareceu. — tentava não transparecer o remorso ao falar sobre aquilo. — Ele simplesmente não voltou para casa naquele dia. — Sinto muito em ouvir isso, minha filha. Só Deus sabe o quão boa aquela criança era. — tentava não reparar no quanto estava sendo insensível ao referir-se a Max como um caso perfeito. Ele não “era” uma boa criança. Ele É uma boa criança. Ajeitou-se no sofá, constantemente posicionando seu cabelo sobre a orelha. Khan, ao seu lado, observava com um único olho aberto o cachorro de Moore, Darius, que não se incomodava de dividir um espaço no divã. A luz da lareira aquecia sua pele e o som da lenha crepitando fundia-se à chuva que surrava a janela, coberta por cortinas com um reconfortante tom avermelhado. — Foi quando tudo começou a dar errado. Logo quando os primeiros casos apareciam na capital, a polícia arquivou a investigação sem mais nem menos, e ninguém pareceu ligar. Isso foi o que mais me perturbou. Até meus pais pareciam despreocupados demais com tudo aquilo. — evitou cruzar os olhares com Moore, que tomou um último gole de seu chá. — Deixe-me adivinhar... você, insatisfeita, decidiu fazer justiça com as próprias mãos? — repousou a xícara sobre o pires, provocando um agudo ruído quando as porcelanas se tocaram. Diana nada fez além de concordar, movendo a cabeça de cima para baixo. — Eu tava saindo da escola quando o sinal da evacuação começou a ser acionado. Não foi difícil me esconder em um beco qualquer com toda aquela multidão. Estava inconformada. Eu sabia que ia achar ele, tinha certeza, e eu sei, senhor Moore, que Max está vivo. — seu corpo elevou-se do sofá ao ritmo de sua voz, crescente conforme as lembranças vinham à tona. — E, desde então, não vi mais meus pais. E ainda não encontrei meu irmão. E, toda noite, antes de dormir numa barraca roubada de uma loja qualquer, eu me pergunto se fiz a decisão certa. Repousou de volta ao sofá. A testa suava como o estresse que liberava pelo peso das suas palavras. Moore nada vez além de rir e cobrir sua boca com os dedos. — Decisões são complicadas, não? Mas acho que o principal porquê de nos arrependermos tanto é não saber o que aconteceria se fizéssemos a outra escolha. Não minto que sua decisão pode ter parecido um pouco impulsiva, mas e se você realmente tivesse ido juntamente com seus pais? Será que um dia realmente encontraria seu irmão? Eles estão tão perdidos quanto você, e provavelmente se perguntando o mesmo. — ele respondeu com uma grandiosa segurança. A fez acreditar que não haviam decisões erradas. Nós fazemos nosso próprio destino, e nunca seríamos glorificados com o poder de enxergar além de seus erros, a ponto de ao menos ter a chance de considerá-los erros. Ela fitou a xícara cheia do chocolate quente. Sua mão tremia levemente; adrenalina. — Mas e você? — ela ao menos esperou uma reação por parte do senhor. — O que você teria feito? — Sabe... esse é o desafio da sociedade. A dificuldade de ser empático. Não posso julgar o que teria feito na sua situação, porque nunca passei e nunca passarei por cada simples detalhe que te levou a resistir aos chamados de evacuação. Todos vivem dizendo para nos colocarmos no lugar dos outros, mas cada um tem uma percepção diferente de tudo. Se eu me colocasse no seu lugar, pode ser que minha vivência tivesse me levado à outro destino. Mas será que isso realmente importa? Ela refletiu. Moore era sábio. Era o tipo de pessoa que, para cara pequeno pensamento, tinha grandes palavras — mas a forma que falava só a intrigava cada vez mais. Era como se deixasse um espaço para suas próprias relações. Ela o admirava por isso. Não disseram uma única palavra até o mútuo “boa noite”. Ele ainda mantinha as longas luvas de couro negro cobrindo as mãos. Diana foi à frente, dando as costas à sala e seguindo pelo corredor, até que ouviu Moore dizer algo pela suas costas. — Espere. — ela virou-se para ele, parando seu passo de supetão. Seu silêncio repentino traduzia como um “o quê?”. — Eu teria feito o mesmo que você fez. Ela sorriu de imediato. Ele retribuiu. Aquilo a tranquilizou — se Moore, que provou-se sábio, concordou com sua atitude, então ela podia não estar tão errada quanto achava que estava. Até o quarto de hóspedes, manteve os dentes à mostra. Os lábios secos, o gosto do chocolate ainda na boca. Moore, no entanto, não foi ao seu quarto. Deitada, registrou no diário toda a conversa que teve com o homem. Khan já dormia sobre sua barriga, ronronando levemente até que apagasse a luz do abajur empoeirado sobre a mesa de cabeceira. Pegou o gato e o ajeitou ao seu lado, levantando-se para servir alguma água para si. Com passos leves sobre o assoalho, dirigiu-se pelo corredor até a cozinha. A porta do quarto de Moore estava fechada, mas ali estava ele, de pé apoiado ao balcão. Um estranho sorriso aberto. Os olhos estavam vazios. Não se mostrou em momento algum, apoiando-se na parede do corredor. Ouviu o barulho da gaveta a abrir e, em seguida, de metal batendo contra o granito, quase como um talher caindo sobre o prato de porcelana. Aquilo não lhe parecia comum. Espiava de vez em quando para saber o que o homem fazia, e arrepiou-se ao ver com o que mexia. Tateava um cutelo; a lâmina quase que com o tamanho de sua cabeça. Pela primeira vez, a visão de suas mãos, descobertas pelas pesadas luvas, a assombrou; estavam lívidas. Brancas como o rosto de um cadáver. A pele em putrefação. Arrastava os dedos contra a lâmina, abrindo buracos ao longo das mãos, mas não tinha qualquer reação de dor. O sangue vazava preto e secava rapidamente contra a pele, como uma pedra. As gotas, de tão pesadas, podiam ser ouvidas surrando o assoalho como a chuva caía sobre as janelas, cobertas por cortinas. Ela não sabia o que estava acontecendo, mas não gostava daquilo. Continuou esfaqueando a própria mão, esbanjando os dentes atrofiados. Pelo nariz, começavam a escorrer gotas de sangue que petrificavam-se imediatamente. As manchas cinzentas das mãos agora já haviam alcançado seus ombros. Era a praga. O coração de Diana quase escapou de seu peito, debatendo-se contra o chão. Fechava os olhos e só podia enxergar aquela mesma cena, como se as mãos ensanguentadas por um elixir de carvão penetrassem sua mente. Ficou tonta, mas não podia ser vista. A praga era ainda pior do que imaginava. Podia ver as veias ao longo de seu braço contra a pele fina, todas negras. Entrou em estado de negação. Forçou o corpo contra as tábuas da parede, sacudindo o rosto e gritando para si mesma. Como tudo de ruim poderia acontecer tão de repente com ela? Há dois minutos, estavam juntos servindo-se de bebidas quentes e conversando sobre suas decisões. “Eu teria feito o mesmo que você fez” soava em sua cabeça ao tempo todo, emergindo na poça de sangue negro que formava-se no chão. Ela não podia o ajudar. Ninguém podia. O único que conseguia fazer era engolir seus soluços de desespero. O cutelo já estava desgastado de ser batido contra os ossos do senhor, atravessando seus músculos em uma chuva de escuridão. Por que ele estava fazendo aquilo? Foi quando lembrou-se de algumas palavras que ouviu do rádio em sua casa, no dia anterior à sua fuga de Lyrion. “...Os principais sintomas já identificados são a presença de manchas pretas na pele e comportamento agressivo e, pouco depois, o indivíduo morre.“ Era isso. Moore estava prestes a matá-la. Em que momento a praga tomou conta de sua lucidez? O vírus já havia dominado seu corpo durante a conversa dos dois? Ela devia seguir os conselhos de uma marionete mortal, ou aquelas foram as últimas palavras de Moore antes de ceder sua mente à alucinação total? O conceito de sua lucidez já havia embaralhado-se na sua cabeça. Ela não queria acreditar que Moore havia sido corrompido completamente, a ponto de afetar sua própria mente e o transformado num psicopata. Foi quando percebeu que a sorte não estava ao seu favor. Era o primeiro lugar em que Diana finalmente se sentiu segura. O que mais a preocupava não era simplesmente que o homem iria tentar os assassinar — mas sim, que ele morreria em pouco tempo. Era apenas um senhor, ele não poderia fazer muito contra a jovem e ativa Diana. Ela sabia que aquele não era o Moore que ela conhecia, ele havia sido corrompido, não era sua culpa. Mas, sem escolhas, ela teria de fugir — novamente. Sentiu a adrenalina no seu sangue, como um sedativo para seu medo. Parou de martelar a faca contra si mesmo e partiu ao corredor, erguendo a lâmina que brilhava à luz da lareira, como um presente de despedida do mundo. Contornou o caminho do balcão. Ele havia a encontrado. Sabia que aconteceria uma hora ou outra. Parou seus passos pesados no instante em que viu a jovem encolhida, mostrando apenas um dos olhos contra os braços. Estava ainda pior de perto. O sangue vazava pela ponta de seus dedos em um gotejar periódico de desespero. O líquido percorria seu caminho desde o alto do antebraço, formando um rio de carvão até a palma das mãos, onde encontravam os ferimentos feitos por si mesmo. Os olhos estavam completamente brancos e vazios, como se estivesse cego. Os dentes estavam manchados pela lágrima escarlate. Por um instante, pareceu tomar um gole de sua sanidade, forçando-se numa batalha interna contra a doença para pronunciar alguns balbucios, quase que inaudíveis: “Corra.” E tomou de volta a sede de sangue. Já não havia mais “Moore”. Era apenas o escravo, uma carcaça vazia, que não partiria de seu corpo até que tirasse outra vida que não a própria, usando as mãos sujas de alguém que soava tão puro. A visão era de um filme de terror. Achava que estaria pronta quando cruzasse contra um dos dominados durante sua jornada, mas não estava. O desespero não era forte para mantê-la de pé, ao menos o suficiente para fugir. Retomou os passos. Podia senti-los dentro de sua cabeça, como se sapateassem em seu cérebro e sugavam sua vitalidade — a mesma que contava para conseguir sair dali o mais rápido que pudesse. As costas apoiadas no chão, encarando o senhor que parecia bem maior e amedrontador com sangue ao invés de café manchando seus lábios. Estava prestes a vomitar — a comida revirava-se no estômago. A primeira facada que disferiu erroneamente contra seu corpo cortou a tensão do ar, como se estivesse cego pela sua própria alma. No fundo de seus globos oculares, enxergou um pedido de ajuda. — S-Senhor Moore, me escute... eu sei que você está em algum lugar aí dentro... — engasgou-se com as palavras, poucas eram para descrever o que sentia. Não sabia o porquê de achar que aquilo funcionaria. — Por favor, acorde. Você não precisa fazer isso. Você é mais forte que a praga. Por favor... Os sentimentos atropelavam-se em uma mescla de medo, desespero, horror e tristeza. Por onde saía o sangue em Moore, em Diana, saíam lágrimas. A marionete não reagiu às súplicas e guinchos da garota, avançando contra seu corpo prensado ao chão como um zumbi. Pensou em fugir. A janela de seu quarto era alta demais; mesmo sem tentasse correr, não daria tempo de escalar. A porta de saída estava logo atrás de Moore, e o corredor estreito não colaborava em facilitar sua passagem rápida. Parecia que tudo estava planejado para que ela fosse atacada. Estava presa em um ciclo de seguidos calafrios; a respiração ofegante se tornava cada vez mais rápida, assim como o palpitar de seu coração. Dizem que, quando você está prestes a morrer, pode enxergar toda a sua vida passando pela frente de seus olhos, como um presente de despedida do destino, para compensar o seu mergulho ao desconhecido. Isso não aconteceu com Diana. Talvez como um prelúdio do que viria a seguir. Do contrário, passou pelos seus olhos uma visão abençoada. A visão de como teria sido sua vida com Max, e sem a praga. Uma troca equivalente; pelo menos para a balança de sua moral. Fechou os olhos por um instante e, no momento seguinte, pôde sentir o calor da lareira de casa acesa. Na televisão, assistiam desenhos animados juntos e comiam marshmallows, enquanto seus pais cozinhavam juntos na cozinha. Sentiu as lágrimas do rosto secarem junto com a brisa refrescante que vinha da janela. Olhou para o lado. Max sorriu para ela. Ela sorriu de volta. Como um balde d’água fria, a realidade trouxe Diana de volta do seu labirinto de devaneios. Não havia mais Moore. Ele já havia morrido há tempo; apenas seu corpo sobrevivia. E, agora, ele também era consumido. Eram apenas os dois. Ela, e a personificação daquilo que tirara toda a possibilidade de não viver em um futuro incerto, em que acordava todos os dias sem saber se haveria comida no dia seguinte; ou se ao menos sobreviveria até lá. Aquilo não podia acabar. Já tinha ido longe demais, mas não o suficiente. E não pararia de lutar pelo seu objetivo até que se visualizasse ali novamente; em um lugar que poderia chamar de lar, sem o medo de ter perdido tudo que construiu no dia seguinte. Era sua chance de mostrar que Diana Evolwood era mais do que uma garota da cidade com uma decisão estúpida e um desejo irreal. Diana Evolwood era bem mais do que a própria sabia. E só poderia fazer isso empunhando uma faca em mãos e expondo-se ao perigo de um confronto, ou sucumbindo em uma eterna ilusão que nunca se concretizaria se não quisesse lutar. O mundo já não era mais o mesmo. Mas não sabia se conhecia o mundo o suficiente para afirmar isso. Levantou-se. As mãos raladas e trêmulas, mas com uma missão. Só precisava achar uma forma de ir até a cozinha e ser rápida o suficiente para achar uma faca. Podia tentar fugir, mas isso não seria honrar todo o caminho que percorreu até aquele momento. De fato, era como se tudo aquilo houvesse sido armado para que fosse atacada; mas, como um sinal do universo para não parar por aí, porque ainda tinha uma lição para mostrar ao mundo e provar seu valor. E não faria isso abrindo aquela porta e correndo para um lugar longe o bastante para que não pudesse ser vista. Dentes cerrados, bem como os punhos. Franziu o cenho e tentou concentrar-se em seu objetivo. A missão era passar pela marionete — não conseguia imaginar “aquilo” ainda como Moore — e arranjar algo afiado o suficiente para fazer com que os ferimentos auto-infringidos por ele parecessem brincadeira de criança. Talvez isso fosse outro ponto a analisar antes de uma investida — ele já não sentia mais dor por conta da adrenalina. Diversos cortes no braço não foram páreos para detê-lo. Se ela, que nunca havia utilizado uma faca para ferir alguém conseguisse ao menos alcançar a cozinha, já estaria de grandessíssimo tamanho. Mas ela não tinha a noite toda. A marionete carregou a mínima força qua ainda potencializava no fundo do organismo do homem, como um parasita, e a desferiu lateralmente contra a garota. Sentiu a lâmina percorrendo o caminho de sua garganta, como se cortasse uma folha de papel; a prova que, mesmo com um ataque errôneo, podia sentir cada músculo de seu corpo em negação à estúpida decisão que havia feito. O vento provocado pelo movimento rápido a deu calafrios, selando o espaço entre seu queixo e seu pescoço com um ataque decisivo e, por pouco, não certeiro. Não era o suficiente para fazê-la desistir. Um passo atrás do outro, alcançou a porta do quarto de hóspedes, onde Khan ainda repousava, como se esperasse seu carinho na nuca habitual antes de dormir. Ingênuo animal. Sua pata repousava sobre o seu caderno; a caneta largada sobre o couro. Se não poderia alcançar a cozinha e arranjar uma faca, talvez uma caneta desse conta. Esticou seu corpo contra a cama, caçando o objeto com as mãos, sem tirar os olhos de Moore. Khan espiou até onde o limite de sua visão alcançava: não o suficiente para notar que estavam em perigo. Finalmente, catou o objeto, a ponta ainda vazando tinta preta, que mal se distinguiria de todo o líquido que vazou de seu corpo. Retomou a posição no confronto. Moore aproximava-se, exibindo seus dentes, sorridente como uma criança num parque de diversões. O cutilo jazia sobre a mão direita; era a mesma posição de ataque das últimas duas vezes. Às vezes, uma qualidade pode ser bem mais útil do que uma faca. Duas facadas errôneas foram o suficiente para notar um padrão, que não faria sentido de alterar-se num terceiro golpe. Erguia a lâmina no ar, mais ou menos na altura do nariz, e atacava de cima para baixo, da direita para a esquerda, de forma que um acerto no pescoço seria suficiente para tirar a vida do oponente. Não era uma doença estúpida. Esperou o momento certo. Viu o homem erguer o cutilo ao ar, a mão mole como a de um defunto; era como se tivesse encontrado uma ruptura — uma brecha — entre seus já previsíveis ataques. O corredor estreito acabou ajudando-a em algo, restringindo o espaço de movimento de Moore e facilitando que desviasse sob seu braço, pronto para desferir um ataque mortal. Mortal seria se Diana estivesse no mesmo lugar em que estava há algumas frações de segundo. Como um esgrimista, pôs-se de pé, à altura da nuca do homem. Esticou seu braço sobre seu ombro e, sem um alvo específico, forçou a caneta em sua própria direção, cravando-a na cavidade ocular de Moore. Ele pôde ao menos não ter sentido dor, mas a força e o ódio com o qual forçou o objeto contra seu olho direito foram o suficiente para levá-lo ao chão por um instante, o cutilo lançado pelo assoalho, deslizando pelas tábuas até o fim do corredor. Finalmente pôde ver o estrago que havia feito. A caneta, ainda presa, estava coberta daquele sangue putrificado; o resto de seu rosto, dividido pelo nariz, tornou-se uma piscina de lágrimas ácidas, pus e uma chuva escarlate, como um chafariz. Ele não manifestou qualquer expressão. Ela, um sorrisinho de canto de boca. Mas não era como se houvesse acabado. E soube perfeitamente disso quando ouviu grunhidos próximos à sua perna e uma dor aguda na panturrilha. Era Darius, o cão — os dentes afiados contra sua pele, atravessando o tecido de sua meia-calça, já completamente rasgada. Quase não sentiu o desconforto até ver seu próprio sangue espalhando-se pelo seu focinho e face, tingindo seus pelos de um tom escarlate. Recuou, tropeçando entre seus próprios passos. Já havia voltado ao seu pequeno e intocável casulo de inquietação e desespero, abraçando as canelas, como se aceitasse seu destino. O cão não desgrudou até que o empurrasse — ainda se preocupava em o machucar o mínimo que podia. Não era culpa dele. Ela havia acabado de cravar uma caneta na porra do olho do melhor amigo dele. Ele só estava sendo leal. Não merecia o maltrato. Afastou-o com chutes contra o assoalho, provocando um incômodo barulho que foi o suficiente para que o animal recuasse e aninhasse entre os braços do dono. Suas patas cobriam-se do sangue negro. Moore levantou-se, a caneta ainda presa ao seu corpo, como se fosse apenas um acessório. Darius rapidamente lambeu suas pernas ensanguentadas, abandando o rabo de um lado para o outro, agradecendo por seu amigo ainda estar “vivo”. Moore chutou-o na costela, jogando-o contra a parede. O animal chorou, mal conseguindo andar. Diana encheu-se de rancor. O ódio que corria em suas veias transformou-se em uma rápida hiperventilação. Gritou o mais alto que pôde. Tentou confortar o animal, que ainda tirou forças para morder sua mão e correr na direção contrária, até a cozinha, driblando a marionete. Ela não pegaria o cutilo; estava coberto de sangue. A chance de acabar se contaminando era grande — talvez aquilo fosse uma estratégia exatamente para isso. Agora, já não tinha mais sua caneta, sua panturrilha não a permitia correr e aquilo que poderia ser sua única saída foi uma armadilha. Não conseguiria sair viva dali sem uma ajuda que fosse. Moore começou a caminhar a caminho da garota, que tinha suas mãos cheias do próprio sangue, tentando estancar desesperadamente seu ferimento. Soluçou em seu canto. O universo tinha dado-lhe uma chance. E ela a desperdiçou tentando provar que poderia lutar por si só. Acima de tudo, sentiu-se incapaz; havia falhado. E Max, em algum canto do mundo, estaria chorando, pedindo por ajuda — isso se ainda estivesse vivo. Qual era a chance de um dia reencontrar sua família? Realmente acreditava que conseguiria sobreviver e ir longe o suficiente para salvar seu irmão? Uma garota da cidade que tinha a vida perfeita; pais que se preocupavam e um irmão atencioso. E agora, seria apenas mais um número para as vítimas da chacina da praga. Podia imaginar seu corpo coberto das manchas pretas que vira no momento em que Moore tirou suas luvas. Tudo aconteceu rápido demais. Sentiu seu corpo sendo coberto pela sombra do corpo da marionete. Esperou o momento. Enganou-se com o pensamento de que não temia a morte. — Senhor Moore... você também? Ouviu o ruído da porta de madeira úmida se abrir com um rangido, a maçaneta se chocando contra a parede. Uma voz desconhecida. Seu coração bateu mais rápido e, por algum motivo, aquilo chamara a atenção do homem, que virou a cabeça em um instante, sem mover o corpo. Eram dois garotos; um maior, empunhando uma espingarda que parecia levemente mais pesada do que aguentava. Ao lado, outro, que aparentava ter a mesma idade de Diana, segurando um estilingue. Aquela estava longe de ser a última visão que a garota teria antes de morrer, e soube disso quando escutou o estampido do disparo e Moore caindo sobre seus joelhos. Em sua testa, um buraco que permitia a visão de seu cérebro negro. Sangue voou contra seu rosto. Estava paralisada, quase como se tivesse se tornado pedra. A boca aberta, os dentes de chocando com a mandíbula trêmula. Ela arrancou a caneta de seu olho direito, ensopada de sangue. O homem ousou levantar seu braço mais uma vez, mas sucumbiu aos braços da morte quando, em um golpe final, Diana cravou a caneta de volta em seu coração. Sentiu o interior de seu corpo retorcendo e desinflando como uma bexiga. Estava viva. E acabara de matar um homem. — Você está bem?! — disse o mais novo, correndo em sua direção, fazendo o assoalho se retorcer a medida de seus passos. — S-Sim... — ela respondeu. Não havia entendido o que acabara de acontecer. Para ela, a qualquer instante, acordaria de um transe em que ainda estaria sentada naquele sofá, agora coberto de sangue. Ele estendeu a mão para ajudá-la a se levantar, notando sua dificuldade e a marca dos dentes de Darius em sua perna. — Puxa, a coisa tá feia. Vamos te ajudar, não se preocupe. Só precisamos que aguente até que cheguemos à nossa vila... não é muito longe daqui. — sua tentativa de fazê-la manter a calma funcionou. Não se preocupava mais. Olhou no fundo de seus olhos, que lembraram a lua cheia que brilhava do lado de fora das janelas cobertas pelo líquido negro que vazara do corpo do senhor. — Eu sou Bruce. E meu irmão mais velho é o David. Precisa confiar na gente. — ele sorriu, levando a cabeça de cima a baixo rapidamente. — Você é...? — Diana. Diana Evolwood. Vim de Lyrion... — Lyrion? Caramba. Você vem de longe. — o nome da cidade chamou a atenção de David, que olhou de relance enquanto examinava o corpo jogado em meio ao corredor estreito. — O que você veio fazer nesse fim de mundo? E, principalmente, no meio do surto? É perigoso. Onde está a sua família? Ela não respondeu. Seu silêncio bastou para que ambos compreendessem o que havia acontecido. — Certo. Diana, não? Não quero te preocupar, mas se não cuidarmos de seu machucado, você pode adoecer. Venha conosco até Mouneet Town. Há comida e medicamentos. — Muito obrigada... mesmo. Se não fosse por vocês, eu estaria morta. — suas palavras pesaram. Seus soluços começaram a transformar-se em lágrimas. — Tudo aconteceu tão rápido... há alguns minutos, estávamos ali, sentados naquele sofá, e de repente ele ficou louco e tentou me matar, e... — Não precisa agradecer. Nós nos oferecemos à comunidade em que vivemos para fazermos pequenas rondas durante a noite. Seu grito nos chamou a atenção... — Foi só uma pena que o Senhor Moore tenha sido contaminado. Era um bom homem. — continuou David. — Você pode nos explicar melhor o que aconteceu no caminho. Levantaram-a, apoiando seus braços nos ombros dos garotos. Darius não se moveu, chorando sobre o corpo de seu dono. Khan correu ao encontro dos rapazes, dando de cara com as paredes ensanguentadas e Diana machucada. — Khan... que bom que está bem... Seus olhos começaram a fechar lentamente. Sua voz atrofiou-se e seus batimentos cardíacos tornaram-se menos recorrentes. — Diana, você está bem?! — Deve ter desmaiado. Já passou por coisas ruins demais em apenas uma noite. Ela deve ter um bom motivo para ter vindo de tão longe para cá. — David pareceu mais calmo, acostumado com situações de tensão como aquela. — Eu posso carregá-la. Pegue seus pertences e leve seu gato. Se ela sobreviveu tempo o suficiente sozinha com um dos dominados, usando apenas uma caneta como arma, então ela aguenta um machucado na panturrilha. Posso dizer que ela é forte. Bruce sorriu, indo em direção ao quarto de hóspedes e levando apenas seu diário — foi o que encontrou. — David! Olha o que eu achei! Um diário... talvez pudéssemos entender o que aconteceu se déssemos uma olhada. — Não, Bruce. Invadir a privacidade de pessoas não é legal. Podemos perguntá-la amanhã, quando já estiver melhor, e só saberemos do que precisamos saber. — Tá bom... — ele fechou a cara, mas compreendeu. — Vamos. Banharam-se à luz do luar, todos em uma fila. E, desde o momento em que trocaram a primeira palavra, Diana soube que tudo estaria bem na manhã seguinte. Não era um sonho. Mas também já não sabia mais se era um pesadelo.
submitted by Pomiwl to NinguemPrecisaSaber [link] [comments]


2020.03.16 02:05 Leotmat Compilado organizado (na medida do possível) das perguntas já feitas

Concientização:
P: Como convencer e conscientizar as pessoas da minha família a evitar aglomerações e encontros de várias pessoas, ainda mais com gente gripada no meio ?
R:Acho que o mais eficaz seria lembrar a eles que esses são apenas os casos confirmados, o número real de infectados pode ser muito maior porque muita gente pode estar assintomática ou não vai se testar porque os sintomas são similares aos da gripe. (+vídeos do atila,claro)
P: Existe algum vídeo ou site confiável (fora o do MS) sobre as medidas contra o COVID-19 para eu mandar para a minha família? Eles estão caindo em vídeo de "químico autodidata" que fala até pra não usar álcool em gel e isso tá me deixando extremamente preocupada...
R: Já experimentou algum do Átila?
hub de vídeos do Átila no telegram
P: Muita gente dizendo que de 10 a 20% dos casos precisam de alguma atenção médica, mas eu não achei fontes para esses dados, alguém pode me ajudar com isso?
R: Não achei uma resposta adequada
P: Pelo que sei, as crianças não apresentam sintoma da doença. Mas o que mais já sabe sobre as crianças?
R: Não achei uma resposta adequada

Transmissão:
P:O que está acontecendo com o número de casos em SP?
R:O Ministério da Saúde começou a contabilizar apenas casos de internação na contagem. Se a pessoa fez teste, deu positivo, mas está em casa, eles não estão considerando como um caso de COVID-19. Isso foi a partir de sexta-feira, ACHO.
P: Médicos estão recomendando que quem está com sintomas leves fique em casa e não procure atendimento. A gente sabe que o empregador não aceitaria falta sem atestado médico. O que fazer nesse caso?
R:"Falando seriamente, vc deve falar pro seu chefe que está com febre e tosse seca. A maioria das pessoas vai entender e que é muito pior te manter lá. Inclusive é recomendação do CDC isso. "
P: Com a fase de mitigação da doença, escolas e faculdades fecharão. Se tivermos o mesmo contexto da Itália aqui no Brasil, talvez até comércio e transporte. Talvez quarentena de cidades. Minha dúvida é: por quanto tempo isso durará? Algumas semanas, meses?
Sabemos que o Brasil não é nenhuma Europa, e milhares de pessoas não terão condições de ficar muito tempo sem trabalhar e sem transporte público para tanto. E o Estado não terá condições de auxiliar essas pessoas...
R: Ninguém tem a minima ideia, quem estiver falando diferente ta mentindo ou delirando.
A gente pode até tentar dar alguns chutes educados. Por exemplo, espera-se que o pico seja daqui a um mês ou dois. Sera que a nossa quarentena vai ser efetiva e a gente vai conseguir atrasar o pico e liberar as pessoas antes? Ninguém sabe. Sera que o governo vai querer parar a quarentena antes, ou depois? Acho que nem os governantes sabem.
P: Devo fazer home office já? Devo esperar ter transmissão comunitária/sustentada? Qual o gatilho? Estou em Florianópolis. Temos 2 casos confirmados na cidade de pessoas que vieram de fora. Prefeito proibiu eventos fechados de mais de 100 pessoas.
R: Não achei uma resposta adequada
P: Qual é o tempo entre a pessoa ser infectada e passar a ter a capacidade de transmitir o vírus ?
R: Não achei uma resposta adequada
P: Não tava levando a sério a pandemia porque só vi a taxa de letalidade, não a de internações :/
Algum conselho que vocês podem me dar pra ajudar a proteger meus conhecidos além de evitar aglomerações?
E pro pessoal que depende de transporte público lotado (eu inclusive)?
R: Não achei uma resposta adequada
P: Uma coisa que eu ando me perguntando é: será que aqui no Brasil o contágio não pode ser acelerado pela nossa cultura de buffets? Há mais facilidade de contágio num buffet do que num restaurante a la carte ou fast food?
R: Não achei uma resposta adequada
P: "queria saber se ainda é tranquilo ir para parques por serem locais abertos ou é melhor evitar e treinar em casa "
R: segundo a OMS, o vírus é transmitido por meio de gotículas que saem quando a pessoa espirra, tosse ou expira. essas gotículas com vírus podem se depositar em superfícies e infectar uma pessoa que tocou nelas.
ou seja, não se sabe quem tocou nos equipamentos de calistenia e nem quais cuidados de prevenção as pessoas tomaram (provavelmente nenhum), então por precaução é melhor ficar em casa pq vc ao menos tem mais certeza de que tá limpo
P: Quem pega e se cura pode pegar de novo?
R: (A única resposta dizia que sim, mas eu vi um vídeo recente dizendo que não, que no máximo eram resquicios da doença, vou deixar o atila responder)
P: Qual o tempo ideal de suspensão de atividades escolares de acordo com as estimativas atuais?
R: O ideal é ir reavaliando aos poucos, não dá pra saber o que vai acontecer ou qual vai ser o impacto real das medidas que estao sendo tomadas
P: Estatisticamente faz diferença limitar eventos e salas de cinema à metade da capacidade ou o real efetivo é fechar esses lugares por completo?
R: estatiscamente faz diferenca. Faz diferença suficiente? Não. Ia continuar sendo rapido demais. Pra nao falar da impossibilidade logistica de fiscalizar esse tipo de coisa
P: Minha faculdade anunciou neste domingo que as aulas serão suspensas por 15 dias inicialmente. Esse número de dias faz algum sentido? Não seria melhor fechar indefinidamente?
R: eles provavelmente simplesmente vão reavaliar em 15 dias. Se precisar eles fazem mais. Se eles falarem indefinidamente fica todo mundo sem ter nem ideia de quando volta, pode ser amanha ou daqui a dois dias. Com esse prazo, eles garantem a todo mundo que não vão reiniciar em menos tempo.
P: Existe algum produto pra passar no pelo de cachorros ou gatos, sei que aparentementemente eles não são hospedeiros, mas acredito que talvez o pelo possa ser exposto igual um pano seria, nesse caso existe algo a ser feito? algum produto que não agrida eles?
R: Não achei uma resposta adequada
P: Faço identidades a manhã toda, para a população no geral (desde moradores de rua até gente com PhD). Sento em uma mesa aberta, sem nenhuma proteção entre eu e a pessoa, tendo necessariamente que ter contato físico com a mão das pessoas para coletar a digital. Eu passo álcool em gel na mão após todo o atendimento, mas ainda estou em sério risco. Existe alguma outra medida que eu possa tomar para evitar me contaminar no trabalho?
R: Não achei uma resposta adequada
P: Quando se diz que o corona vírus se transmite pelo ar, da pra ter uma noção da distância que o vírus se distância do infectado?
R: Não achei uma resposta adequada

Covid no Brasil:
P: Existe alguma estimativa de previsão de pico em número de casos no Brasil? Ouvi dizer algo entre abril e maio, se for isso msm o cenário ideal seria suspensão de aulas de escolas e universidades por 2 meses e meio??

Covid no mundo:
P: Estou vendo que na Itália os casos estão aumentando todos os dias mesmo com quarentena. foi assim na China também? Demora pra surtir efeito ou é possível que a Itália tenha tomado essa medida tarde demais pra funcionar como na China?
R: Tem um período de incubação, em que a pessoa já está infectada, mas ainda não desenvolveu sintonas. Inclusive, uma das maiores dificuldades no controle é fazer esses infectados assintomaticos evitarem contatos. No COVID-19 pode ser de até 14 dias (http://www.saude.sp.gov.bses/perfil/cidadao/homepage/destaques/perguntas-e-respostas-tire-suas-duvidas-sobre-o-novo-coronavirus)
Assim, quem está sendo diagnosticado agora entrou em contato com o vírus dias atrás, e portanto não se beneficiou da quarentena.
P: Como a China conseguiu diminuir a curva de crescimento do vírus?
R: Isolando os casos e impedindo que infectassem outras pessoas
P: Por que a letalidade do vírus é muito maior na Itália e no Irã que em outros países? Percebi, olhando os números, que as mortes nesses dois países não seguem a proporção vista no resto do mundo. São 21 mil infectados na Itália e quase 2 mil mortos (1800, pra ser mais específico). A Coréia do Sul, por outro lado, tem quase 10 mil infectados e apenas 75 mortes até agora. Seria só questão de política públicas relacionadas à saúde ou há, também, questões geográficas, climáticas e culturais? Não encontrei nada a respeito.
R: Não achei uma resposta adequada (tinha, mas eu considerei incompleta)
Governo Brasileiro:
P: Gostaria de saber se o Brasil tem sido eficiente nas medidas que tem tomado e se há alguma previsão de quando a pandemia vai dar uma "acalmada".
Comparado, aos países como Itália ou Coreia do Sul, estamos indo bem, está sendo supervisionado e tals. Agora a pandemia, eu acredito que daqui alguns meses o pico já tenha acalmado.
R: Não achei uma resposta adequada
P: Segundo boatos aqui em BH os hospitais todos já estão com casos confirmados de Corona, porém não querem anunciar por medo da repercussão. Por enquanto está tudo funcionando normalmente, estão todos trabalhando e estudando. O que fazer? Continuo vivendo normalmente até anunciarem que ninguém pode sair de casa? Preciso estudar, não posso perder nenhuma aula.
R: Não achei uma resposta adequada
P: Atila, o que você acha da decisão de não acompanhar mais casos fora os de internação em hospitais no BR? Sei que é recomendação da OMS, mas me parece irresponsável de se tomar aqui... Ainda mais com o período de incubação assintomático e muita gente no Brasil ainda não levando a situação do Corona Vírus a sério.
R: Não achei uma resposta adequada
P: Há alguma fonte oficial sobre restrições de entrada e quarentena para brasileiros vindo do exterior?
R: Não achei uma resposta adequada
P: Moro no interior de PE (sertão) e por enquanto casos só em Recife. Acredita que os cuidados devem ser tomados também por aqui? Me refiro a paralisação das instituições
R: Não achei uma resposta adequada
P: Pq vão ser realizados apenas testes nos casos mais graves da doença? Como são fabricados os testes?
R: Não achei uma resposta adequada

Saúde pessoal:
P: Tenho hipertensão "leve" e tomo remédio, mas tenho 25 anos, tenho a pressão controlada e pratico atividade física regularmente. Eu estou no grupo de risco? Até pra, se eu tiver algum sintoma, saber se preciso procurar a unidade de saúde imediatamente.
Resposta parcial:
Meu caso é bem parecido, tenho pressão alta e tb tomo remédio (Losartana), li que esse remedio altera algumas células o que pode agravar caso seja infectado pelo covid-19.
P: Alguém sabe que se alguém que toma tamoxifeno(novaldex) pode apresentar sintomas piores?
R: Não achei uma resposta adequada
P: Ja tive pneumonia na adolescência. Faço parte do grupo de risco?
R: Assumindo que você
• não tem 18 anos e dois dias, e sua pneumonia foi nos longinguos tempos que voce tinha 17 anos, 11 meses e 3 semanas;
• e que vc não ficou com nenhuma sequela;
Não, pode ficar tranquilo
P: No caso eu tenho ansiedade e depressão e muitos médicos já me disseram que minha imunidade é baixa por conta da doença e do antidepressivo, isso é real? E eu teria mais risco com a doença em si? Mesmo tendo 22 anos
R: É baixa a ponto de ter problemas respiratórios graves ou diabetes ou pressão alta? Se não, é mais um de nós que sentirá como uma gripe normal. De qualquer forma, converse com seu médico.
P: O que se sabe sobre interações de medicamentos? Recebi uma corrente falando que ibuprofeno e corticoides podem agravar casos de Corona. É verdade? Pode acontecer também com paracetamol e dipirona?
R: Respondi isso aqui
Em um reply embaixo também linkei a sociedade europeia de cardiologia orientando a não deixar de tomar os remédios e nem mudar conduta nenhuma.
P: Caso eu apresente sintomas de gripe, devo procurar hospitais particulares/públicos imediatamente ou notificar as autoridades(se sim, quais)?
R: Telefona no 156 (disque saúde), que eles vão explicar tudo. Em alguns lugares estão indo até a cada das pessoas pra recolher material pro teste. Não vai pra hospital nem pra posso de saúde antes de ligar pra eles e se informar.
OU
Quem faz notificação é o hospital.
Se tiver sintomas, procure atendimento.
Se tiver ido pro exteriotiver contato com alguem doente -> Procurar medico logo no primeiro sintoma
Se nao, depois de 4 ou 5 dias sem resolucao espontanea. -> Importante nao ficar lotando o sistema de saude com a primeira tosse.
P: Sou asmática e possuo fibrose pulmonar devido a uma pneumonia severa ano passado
Preciso usar Aerolin em caso de falta de ar, gostaria de saber se é seguro já que vi que a versão com corticoide piora os sintomas do virus, obrigada!
R: Não achei uma resposta adequada
P: Gostaria de saber se pessoas com anemia falciforme estão no grupo de risco? Já pesquisei muito, mas nenhum lugar de aprofunda nas questões de doenças sanguíneas crônicas.
R: Não achei uma resposta adequada
P: Como deve ser o tratamento para quem tem sintomas, mas não tem necessidade de ir até um hospital? Até o momento, só li para evitar o ibuprofeno. O que deve ser usado para dor de cabeça, febre, tosse?
R: Não tem recomendação nenhuma de evitar ibuprofeno. Trate como vc trataria qualquer outra gripe/virose. Parecetamol, dipirona... o que vc preferir
P: Quais remédios estão sendo usados para tratar a dor no corpo, febre e falta de ar quando estão com corona vírus?
R: O remédio usual da sua preferência. Paracetamol, dipirona, o que vc estiver acostumado.
E não existe nenhuma contra indicacão pra ibuprofeno
P: E pra falta de ar?
R: A falta de ar é a mesma dificuldade de respiracansaço que vc sente quando está gripado.
Se estiver grave, procure atendimento
P: Tenho 24 anos e fumo há 7 anos (1 maço por dia). Entro em grupo de risco ou não
R: Não achei uma resposta adequada (mas diria que sim)

Higienização:
P: Iodo funciona como desinfetante pra matar o corona? Em qual concentração? Se funcionar, iodofor é uma opção super barata, dá pra encontrar em qualquer loja agropecuária, e 1 litro dele concentrado rende praticamente pra sempre.
R: Não achei uma resposta adequada
R: Na minha cidade acabou o alcool gel e nas cidades vizinhas também.
Compartilharam num grupo do WhatsApp uma receita de álcool Gel .. segue a receita:
2 folhas de gelatina sem sabor 1 copo de agua quente para dissolver essaa duas folhas de gelatina
Esperar a água quente com as folhas de gelatina esfriar e adicionar 12 copos de álcool a 96° graus... e pronto!
Diz virar álcool gel de 72° a 75° graus...
Essa receita funciona para a higienização das mãos mesmo?
R: O álcool 96% evapora muito rápido em contato com o ambiente externo; essa receita aí não funciona não, sem contar que gelatina tem origem animal e por isso vai mofar facinho.
Na falta de produtos específicos, use água e sabonete para lavar as mãos várias vezes ao dia.
P: posso usar álcool em gel 80% de acender carvão, como álcool em gel para limpeza das mãos?
R: Nas vezes que eu vi meus professores ou algum especialista falando sobre isso, eles sempre dizem que o álcool gel 70 é melhor pra isso. Os mais fortes evaporam muito rápido e os micróbios conseguem sobreviver na sua mão, os mais fracos não tem tanta força pra matar os micróbios. O 70 seria como um equilíbrio entre a força do álcool e o ficar tempo suficiente pra fazer efeito. Outras quantidades devem funcionar, só que não são melhores que o 70.
P: Muita gente anda pagando caro por álcool "chique". Ou álcool de menor quantidade mas que fica na vitrine da farmácia e é mais caro. Esse álcool aqui, funciona normal também?
R: Esse teu álcool é de volumagem 70... Pode usar sem medo!
A única diferença dele para os "chiques" é que esse aí talvez resseque um pouco a pele por não conter hidratantes como os perfumados de farmácia
P: Pra quem não ta conseguindo achar álcool em gel, álcool 52° GL ou água oxigenada serve também?
R: Alcool 52° não serve.
P: Em face da falta de álcool 70, eu posso usar um spray de álcool hidratado com detergente de cozinha pra higienizar mãos e superfícies?
Meu ponto é que o melhor que a água, o álcool hidratado evapora, mas é molhado o suficiente para fazer até espuma com o detergente de cozinha. Não precisa dar o sermão de que isso não é o ideal, pq esse já está ok.
R: Não achei uma resposta adequada

Vírus em si:
P: Ja existe informação quanto a resistência do corona quando exposto ao sol?
Moro no nordeste e aqui o clima sempre em volta dos 32 graus. Me é inviável lavar as duas calças jeans que uso pra trabalhar todo dia, to expondo as calças jeans ao sol das 08h da manhã as 14h e torcendo pra servir de alguma forma.
R: Parece que o vírus não é tão resistente ao calor, o Átila chegou a falar um pouquinho sobre isso nesse vídeo com o Iberê do Manual do Mundo
P: Eu estou com dúvida referente a origem do vírus. No meu meio uns falam que foi do morcego, outros de um animal daquela região que parece um tatu e outro de frutos do mar. Qual é a origem desse vírus?
R: Esse vírus PROVAVELMENTE veio de um pangolim mas é originalmente de um morcego, ou seja, ele é uma zoonose que passou por mutação para infectar um hospedeiro intermediário e posteriormente o ser humano. A hipótese do pangolim faz mais sentido por se ter muito mais acesso a ele, ser uma iguaria, um dos animais mais contrabandeados do mundo.
"The WHO considers bats the most likely natural reservoir of SARS-CoV-2,[33] but differences between the bat coronavirus and SARS-CoV-2 suggest that humans were infected via an intermediate host.[34]"
"An intermediate reservoir such as a pangolin is also thought to be involved in its introduction to humans.[13][14]"
https://en.m.wikipedia.org/wiki/Severe_acute_respiratory_syndrome_coronavirus_2
P: Vi o artigo do The Lancet sobre câncer e coronavírus e quero saber se os números de quem pegou coronavírus e tem/teve câncer podem estar relacionados com outras características que não o câncer já que a idade média das pessoas é maior além de que quem está em tratamento frequenta o hospital e está mais propenso a contrair a doença por ter mais chances de ser exposto. Tive câncer com 12 anos, nunca bebi e nem fumei. Só por ter tido isso já elevaria minhas chances de ter o coronavírus e complicações ou ainda é cedo para afirmar qualquer coisa?
Artigo do The Lancet: https://www.thelancet.com/journals/lanonc/article/PIIS1470-2045%2820%2930096-6/fulltext
R: O paper fala de pessoas em tratamento no momento.
Pessoas que tiveram cancer no passado não são consideradas grupos de risco
P: E esse paper? Acharam um anticorpo específico para tratamento?
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/32134278/
R: Não. Ele tá reunindo o que se conhece de virus similares para levantar hipoteses e orientar a busca.
Não deu tempo de encontrar naada especifico, ensaios clinicos com testes em humanos levam anos
P: Recebi a notícia abaixo em um grupo de whatsapp e gostaria de saber se é verdadeira.
Informação preliminar, estão a estudar a razão do percurso da doença em Itália ser mais grave. Um dos factores foi a maioria dos doentes ter tomado ibuprofeno em casa. Juntaram o vírus e ibuprofeno no laboratório e chegaram à conclusão que a administração de ibuprofeno acelera a multiplicação do vírus e que está relacionado com percurso mais grave da doença. Recomendam evitar ibuprofeno e administrar paracetamol, aspirina, diclofenac. E há este artigo que fala um pouco sobre isso.
https://www.thelancet.com/journals/lanres/article/PIIS2213-2600(20)30116-8/fulltext30116-8/fulltext) "Human pathogenic coronaviruses (severe acute respiratory syndrome coronavirus [SARS-CoV] and SARS-CoV-2) bind to their target cells through angiotensin-converting enzyme 2 (ACE2), which is expressed by epithelial cells of the lung, intestine, kidney, and blood vessels.4 The expression of ACE2 is substantially increased in patients with type 1 or type 2 diabetes, who are treated with ACE inhibitors and angiotensin II type-I receptor blockers (ARBs).4 Hypertension is also treated with ACE inhibitors and ARBs, which results in an upregulation of ACE2.5 ACE2 can also be increased by thiazolidinediones and ibuprofen. These data suggest that ACE2 expression is increased in diabetes and treatment with ACE inhibitors and ARBs increases ACE2 expression. Consequently, the increased expression of ACE2 would facilitate infection with COVID-19. We therefore hypothesise that diabetes and hypertension treatment with ACE2-stimulating drugs increases the risk of developing severe and fatal COVID-19."
R: Não. Falei sobre isso aqui
Por favor, desminta isso
P: Recebi essa notícia de uma colega, vocês tem alguma informação a respeito?
https://www.news.com.au/lifestyle/health/health-problems/chinese-doctors-say-coronavirus-like-a-combination-of-sars-and-aids-can-cause-irreversible-lung-damage/news-story/f58f19c5eeae99b845c54e2d2b9305ca
R: Não achei uma resposta adequada
P: O estudo de que o pulmão fica danificado de 20 a 30% mesmo depois de se recuperar do vírus é real? E se sim, seria pra todos os casos?
R: O "estudo" é só relato de alguns casos em Hong Kong.
Não foram todos os pacientes e, mais importante, não temos nenhum motivo pra dizer que existe lesão permanente.
Simplesmente as pessoas apresentaram melhora clinica e receberam alta, mas ainda estavam ficando cansadas e tinham vestigios no pulmao.
O proprio medico apontou que isso pode melhorar com exercicios.
P: O sintoma da falta de ar do Covid-19 é uma falta de ar contínua, ou seja, que não para, ou a pessoa sente uma falta de ar, passa e depois volta?
R: É basicamente a mesma dificuldade de respirar de quem está gripado
Aliás, para efeitos práticos, os sintomas iniciais são indiferenciaveis de uma gripe. E a maioria dos casos melhora em até 1 semana, como uma gripe.
Se demorar mais que isso, ou estiver grave, procure atendimento.
P: Estava com uma dúvida com relação aos sintomas. Geralmente eles acontecem em associação ou um sintoma dos descritos pro covid-19 já basta pra acusar a contaminação?
Além disso, os sintomas vão aparecendo ao longo do tempo ou eles costumam ser mais notáveis de uma hora pra outra?
R: Não achei uma resposta adequada

Prevenção pré-crise:
P: É necessário fazer um mini estoque de alimentos e remédios ou isso não afeta a indústria farmacêutica?
R: Não achei uma resposta adequada
P: Minha avó de 84 anos está na UTI e ela tem problemas respiratórios que a fazem dependente de oxigênio. Por conta do corona, restringiram as visitas.
Estou receoso de transmitir a ela alguma coisa. Fora os cuidados básicos de higiene, existe alguma precaução que possa ser tomada para isso? Devo usar máscara durante as visitas?
R: Não achei uma resposta adequada
P: Acham que se eu tentar pegar covid19 agora e me isolar no mês de Março não vai ser melhor do que ainda correr risco de passar covid pra elas no mês que vem? Pra pegar o covid basta ir para um pronto socorro?
R: Previna-se! E se possível, insista para que sua mãe e avó não façam a viagem. O momento é de prevenção e não de "será que se eu pegar já é melhor" Não existe esse "melhor" já que ainda não temos cura ou tratamento efetivo.
P: Como é a evolução dos sintomas em quem foi infectado pelo vírus? Em media quais sintomas aparecem primeiro, em quantos dias eles vão piorando e quanto tempo leva para melhorar?
R: Não achei uma resposta adequada
P: o esquema é conter os picos apenas, até o vírus se instalar gradavivamente correto?
R: Não achei uma resposta adequada

Outros:
P: O Brasil (especialmente o Sudeste) está no meio de um surto de dengue e sarampo. É de se esperar que com o pico de casos do Coronavírus (e consequente superlotação dos hospitais) tenhamos aumento na mortalidade dessas doenças (seja pela dificuldade de tratamento, seja pela diminuição de diagnósticos)? Será que esse estresse que o Covid-19 vai causar no nosso sistema de saúde não vai gerar um "efeito cascata" e agravar as doenças 'domésticas' que nós já temos?
R: Não achei uma resposta adequada
P: Alguém tem uma comparação do surto de corona com o de sarampo, no ano passado?
Que eu saiba o sarampo é muito mais letal e dura muito mais tempo no ambiente... Mas não deu esse alarde todo.
Queria saber se tem algum motivo além do corona estar espalhado pelo mundo.
R: Sarampo tem vacina
submitted by Leotmat to coronabr [link] [comments]


2020.02.24 03:57 altovaliriano A Mulher Morena

“Sábado de personagens” ainda no domingo. Fazer o quê?
A mulher morena é uma das mais misteriosas personagens de As Crônicas de Gelo e Fogo. Seu nome e origem nunca foi revelado ao leitor. Pouco mais sabemos sobre ela, mas em resumo a mulher foi entregue por Euron a Victarion como um prêmio. Sabemos que ela é muda e que Victarion a considera bonita.
Porém, em determinado momento da história, fica evidente ao leitor de que a mulher morena é mais do que parece ser. A tripulação de Victarion resgata do mar Moqorro, um sacerdote de R’hllor enviado pelo Templo Vermelho para auxiliar Daenerys em Meereen, e leva-o a Victarion, pois o homem afirma estar sabendo de que o Capitão de Ferro corre perigo de morte. Quando um mal súbito atinge Victarion, ele e Moqorro vão à sua cabine e o seguinte ocorre:
Quando abriu a porta da cabine do capitão, a mulher morena se virou em sua direção, silenciosa e sorridente... mas, quando viu o sacerdote vermelho ao lado dele, seus lábios se afastaram de seus dentes, e ela sibilou em súbita fúria, como uma serpente. Victarion a acertou com as costas da mão boa e a derrubou no chão.
– Quieta, mulher. Vinho para nós dois. [...]
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
A hostilidade da mulher morena para com Moqorro parece uma indicação muito forte sobre a origem e propósito da personagem na história. A partir deste fato apenas, leitores foram levados às mais loucas especulações sobre a identidade da misteriosa serva-amante de Victarion. Entretanto, se o reino das especulações produz resultados estranhos, posso afirmar que as evidências presente no próprio texto não são menos estranhas. Se analisadas em sua literalidade, o texto produzido pelo próprio Martin aponta para direções completamente ininteligíveis.
Analisemos.

Fenótipo, aparência e semelhanças

Fenótipo é o resultado da expressão dos genes do organismo, da influência de fatores ambientais e da possível interação entre os dois. No contexto deste texto, o fenótipo da mulher morena é algo que poderia nos dar uma dica sobre sua herança genética.
Esse herança genética PODE nos ajudar a determinar a cultura na qual ela nasceu, mas é claro que isso não permite nos concluir com absoluta certeza que ela pertence esta cultura. Um bom exemplo de personagem cujo fenótipo pode ser usado para nos confundir é Sarella Sand, que pertence à cultura westerosi, apesar de que sua aparência denotaria ter nascido nas Ilhas do Verão.
Entretanto, diante das poucas informações disponíveis sobre a mulher morena, esta análise se torna necessária. Em verdade, o próprio Martin parece estar induzindo os leitores a realizar estas investigações, pois ele mesmo deposita dicas disso no texto:
Sua pele era negra. Não o marrom castanho dos ilhéus do Verão com seus navios cisne, nem o marrom-avermelhado dos senhores dos cavalos dothrakis, nem a cor de carvão-e-terra da pele da mulher morena*, mas negra. Mais negra que carvão, mais negra do que o azeviche, mais negra do que as asas de um corvo.*
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Na passagem acima, vê-se que Martin descarta através de Victarion que a mulher morena pertence às culturas dos Ilhéus do Verão e dos senhores de cavalo Dothraki. A exclusão das Ilhas do Verão é especialmente útil, haja vista onde Euron ALEGA ter encontrado a mulher morena:
INGLÊS: As a reward for his leal service, the new-crowned king had given Victarion the dusky woman, taken off some slaver bound for Lys.
PORTUGUÊS: Como recompensa por seu leal serviço, o recém-coroado rei dera a Victarion a morena, roubada de algum mercador de escravos a caminho de Lys*.*
(AFFC, O Pirata)
Eu acho curioso a forma como fica apenas implícito de que Euron teria capturado a Mulher Morena nos porões de um navio de escravos indo para Lys, quando, na verdade, nada disso está escrito no texto. Não se menciona qualquer navio, nem que ela era uma escrava. Tão facilmente como tomou Falia Flowers quando invadiram o Castelo dos Hewett, Euron poderia muito bem ter tomado a amante de um mercador de escravos.
Mas evitemos a interpretação segundo a qual Martin, a esta altura da história, está tentando nos confundir com jogos de palavras. Que outras opções de origem teria uma mulher “bela, com uma pele tão castanha quanto teca oleada”?
Aqueles que partirem para O Mundo de Gelo e Fogo em busca de auxílio encontrarão logo a seguinte referência sobre os habitantes de Naath:
O povo nativo da ilha é uma raça bonita e gentil, com rostos redondos, pele escura e grandes olhos suaves cor de âmbar, em geral salpicados de dourado.
[...~]
O Povo Pacífico sempre teve um bom preço, dizem, pois são tão inteligentes quanto gentis, belos de se olhar e rápidos em aprender a obediência*. É relatado que* uma casa de prazer em Lys é famosa por suas garotas naathi*, que usam diáfanos vestidos de seda e são adornadas com asas de borboletas alegremente pintadas.*
(TWOIAF, Naath)
As descrições tem certa compatibilidade com as características relatadas da mulher morena. Entretanto, os característicos olhos amarelados teriam sido notados facilmente mesmo por alguém tão tapado quanto Victarion. Por outro lado, depois da demonstração de fúria perante Moqorro, acredito que pouco classificariam a mulher morena como “gentil”.
Caso continuemos a pesquisa no livro de meistre Yandell, logo encontraremos uma outra descrição sobre o povo de Leng que é bastante capciosa:
Os lengii nativos são talvez os mais altos de todas as raças da humanidade, com muitos homens entre eles chegando a mais de dois metros de altura, e alguns até com dois metros e meio. De pernas longas e esguios, pele cor de teca oleada*, eles têm grandes olhos dourados e supostamente podem ver mais longe e melhor do que outros homens,* especialmente à noite. Embora formidavelmente altas*, as mulheres lengii são notoriamente ágeis e encantadoras, de* beleza insuperável*.*
(TWOIAF, Leng)
A descrição da pele é inteiramente simétrica àquela da mulher morena (fornecida por VIctarion). Na verdade, é curioso perceber que a única vez que a expressão “teca oleada” é usada para descrever a pele de alguém ocorre com a mulher morena. A única outra vez em que essa analogia é usada é como o povo de Leng, fora da saga principal, em um livro acessório.
Entretanto, há mais problemas aqui do que soluções. Novamente temos a descrição do dourado dos olhos (que seriam difíceis de Victarion ignorar), a altura formidável e a beleza insuperável. Ainda que possamos alegar que Victarion é um homem alto, próximo dos 2 metros de altura (segundo estimativas dos leitores), seria difícil que ele ignorasse que a mulher morena fosse muito alta para uma mulher e de beleza insuperável.
Desse modo, acredito ser seguro descartar Leng e seguir. Não há mais nenhuma referência a características que se assemelhem à da mulher morena (fora das Ilhas do Verão, que já foram descartadas em nossas premissas acima), porém existe uma referência a um povo no estrangeiro que por vezes sofre o mesmo destino reservado à mulher morena:
Não é surpresa que Sothoros seja pouco povoado quando comparado com Westeros ou Essos. Duas dezenas de pequenas vilas de comércio se amontoam na costa norte ‒ vilas de lama e sangue*, alguns dizem: molhadas, úmidas e cheias de miséria, onde aventureiros, trapaceiros, exilados e* prostitutas das Cidades Livres e dos Sete Reinos vêm fazer fortuna.
Há riquezas escondidas entre as selvas, pântanos e taciturnos rios banhados pelo sol do sul, sem dúvida, mas, para cada homem que encontra ouro, pérolas ou especiarias preciosas, há uma centena que encontra apenas a morte. Os corsários das Ilhas Basilisco atacam esses assentamentos, levando cativos que serão mantidos confinados em Garra ou na Ilha das Lágrimas antes de serem vendidos para os mercados de carne da Baía dos Escravos, ou para as casas de prazer e jardins de prazer de Lys*.*
(TWOIAF, Sothoros)
Embora seja muito vago afirmar que esta é uma origem em potencial para a mulher morena (pois, virtualmente, é o mesmo que dizer que ela poderia ter vindo de qualquer lugar do mundo), a menção de que prostitutas das cidades livres que se aventuram em Sothoryos podem acabar em Lys pode nos ajudar a esclarecer algumas dúvidas sobre seu comportamento esquisito (vide abaixo).
Portanto, ainda que não possamos determinar sua origem, a análise acima nos permite começar a descartar algumas opções. Inclusive, percebemos que a mulher morena tem um pele de uma tonalidade ímpar (teca oleada), o que pode indicar que ela pertença a um povo que ainda não foi descrito pro Martin.
Entrentanto, há uma última analogia que não pode deixar de ser registrada:
“Não quero nenhuma de suas sobras”, dissera desdenhosamente ao irmão, mas quando Olho de Corvo declarou que a mulher seria morta se não a aceitasse, fraquejou. A língua dela tinha sido arrancada, mas exceto por este pormenor estava intacta, e era também bela, com uma pele tão castanha quanto teca oleada. Mas, por vezes, quando a olhava, surpreendia-se lembrando da primeira mulher que o irmão lhe dera*, para fazer dele um homem.*
(AFFC, O Pirata)
Sendo Euron alguém conhecido por apreciar jogos mentais, a escolha de alguém que se assemelhasse com a primeira mulher que Victarion havia recebido pode ter sido deliberada. Este detalhe pode ter sido essencial para capturar a memória afetiva de Victarion e fazer com que ele mais facilmente aceitasse o presente de Euron.
Não fica claro se por “primeira mulher” Victarion está falando de sua primeira esposa (que morreu no parto de uma menina natimorta) ou se ele estaria se referindo à primeira mulher com que se deitou. Curiosamente, esta dúvida se aprofunda quando vemos observamos os pensamentos de Victarion no capítulo liberado de Os Ventos do Inverno:
[Spoilers de Os Ventos do Inverno]Enquanto estava na proa do Vitória de Ferro vendo os navios mercantes de Uma-orelha desaparecem um a um ao oeste, as faces dos primeiros inimigos que matara voltaram a Victarion Greyjoy. Ele pensou em seu primeiro navio, em sua primeira mulher.
(TWOW, Victarion)
De todo modo, o importante é que a mulher morena desperta nele esta memória afetiva. Com efeito, o próprio Victarion não parece compreender porque aceitou a mulher ou mesmo porque não cumpriu seu desejo de sacrificá-la, a despeito de ter a perfeita noção de que qualquer presente de Euron é um presente de grego:
A mulher morena não respondeu. Euron havia cortado sua língua antes de dá-la para ele. Victarion não duvidada que o Olho de Corvo tivesse dormido com ela também. Era o jeito do seu irmão. Os presentes de Euron são envenenados, o capitão lembrara a si mesmo no dia em que a mulher morena veio a bordo*. Não quero nenhum de seus restos. Decidira, então, que cortaria a garganta dela e a atiraria ao mar, um sacrifício de sangue para o Deus Afogado.* De alguma forma, contudo, jamais chegara nem perto de fazer isso*.*
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Pior, esta sensação de familiaridade poderia justificar também a razão pela qual Victarion confiava seus segredos a ela. Não que a mudez da mulher não tenha parte nisso. Afinal, é o que os próprios pensamentos de Victarion indicam:
Cada vez mais, temia que tivessem navegado longe demais, em mares desconhecidos onde até mesmo os deuses eram estranhos... mas, essas dúvidas, ele confidenciava apenas para sua mulher morena, que não tinha língua para repeti-las.
[...]
Victarion podia falar com a mulher morena. Ela nunca tentava responder.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Contudo, isto não explica outros momentos em que Victarion observa ter uma conexão com a mulher morena que independem da confidencialidade verbal. Para estas situações, a memória afetiva me parece funcionar como uma justificativa muito melhor:
A mulher morena sabia o que ele queria sem que tivesse que pedir. Quando ele relaxou em sua cadeira, ela pegou um pano úmido e macio da bacia e o colocou em sua testa.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Outros exemplos disto são a forma como Victarion parece confiar na mulher morena não só mais do que em Meistre Kerwin, capturado em escudoverde (o que é até justificável, pois os nascidos do ferro parecem desconfiar dos meistres, especialmente em um que servia a uma Casa inimiga derrotada)...
– Pegue esta sujeira e vá. – Victarion acenou para a mulher morena. – Ela pode fazer o curativo.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
... mas talvez até mais do que confia em Moqorro:
– [...] Gostaria que eu o sangrasse?
Victarion agarrou a mulher morena pelo pulso e a puxou para si.
Ela fará isso. Vá orar ao seu deus vermelho. Acenda seu fogo, e me diga o que vê.
Os olhos escuros de Moqorro pareceram brilhar.
– Vejo dragões.
(TWOW, Victarion)
No aspecto sexual, mesmo diante de sete mulheres treinadas para o prazer pelo Yunkaítas, Victarion diz-se satisfeito com sua mulher morena até que chegue o dia de tomar Daenerys para si:
Os senhores de escravos de Yunkai as haviam treinado no caminho dos sete suspiros, mas não era para isso que Victarion precisava delas. Sua mulher morena era suficiente para satisfazer seus apetites até que pudesse chegar a Meereen e reivindicar sua rainha.
(ADWD, Victarion)
A confiança na mulher morena é a tal ponto acentuada, que Victarion passa a suspeitar que seu meistre poderia estar causando a infecção do ferimento em sua mão. Ela é uma das duas únicas pessoas tratando seu ferimento em todo o barco, mas ele não só a exclui da lista de suspeitos como confidencia a ela suas suspeitas sobre Kerwin:
– Se não foi Serry, então quem? – perguntou para a mulher morena. – Poderia aquele rato daquele meistre estar causando isso? Meistres conhecem feitiços e outros truques. Ele pode estar usando um para me envenenar, esperando que eu o deixe cortar minha mão fora. – Quanto mais pensava nisso, mais provável lhe parecia. – O Olho de Corvo o deu para mim, criatura miserável que é. – Euron tirara Kerwin de Escudoverde, onde estava a serviço de Lorde Chester, cuidando de seus corvos e ensinando seus filhos, ou talvez de outros nas redondezas. E como o rato guinchava quando um dos mudos de Euron o entregara a bordo do Vitória de Ferro, arrastando-o pela corrente em seu pescoço. – Se isso é por vingança, ele se engana comigo. Foi Euron quem insistiu que ele fosse levado, para evitar que causasse danos com suas aves. – Seu irmão lhe dera três gaiolas de corvos também, para que Kerwin pudesse mandar notícias de sua viagem, mas Victarion proibira que fossem soltas. Que fique de molho, se perguntando o que está acontecendo.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
É claro que pode-se arguir que Victarion simplesmente é burro e não vê coisas que simplesmente estão acontecendo sob seu nariz. Entretanto, o que me surpreende neste diálogo é que ele cita Kerwin ser um presente envenenado de Euron como motivo para sua suspeita, sendo que ele está falando diretamente para o primeiro presente que ele mesmo julgou envenenado.
Assim, me parece que isto demonstra que Victarion realmente desenvolveu um elo afetivo com a mulher, não APENAS que ele é burro.

Comportamentos e habilidades curiosos

A mulher morena é estranha e age de forma estranha.
A primeira coisa a se registrar são as suspeitas do fandom. Os leitores em geral acreditam que a mulher morena espia Victarion para Euron. Pouquíssimos arriscam dizer que ela é uma espiã dos magos de Qarth (Warlocks). Entretanto, tanto os primeiros quanto os últimos dizem que a espionagem se dá de forma mágica.
Alguns dizem que Euron entra na pele da mulher morena (assumindo como verdadeira a teoria de que Euron é um troca-peles poderoso) para interagir com Euron. Outros dizem que Euron ou os warlocks simplesmente usam os ouvidos e olhos da mulher morena para clariaudiência ou clarividência, sem propriamente ter controle sobre ela.
Porém, eu não acredito que essas especulações tenham fundamento textual, mas partem de um sentimento geral de suspeita que é causado pelo que está no texto. Examinemos cada caso.
Lembram-se que eu disse que a menção de O Mundo de Gelo e Fogo sobre “prostitutas das cidades livres que se aventuram em Sothoryos poderem acabar em Lys” iria nos ajudar a esclarecer o comportamento esquisito da mulher morena? Pois bem, chegou a hora.
Victarion estava guerreando no Vago, quando retorna a sua cabine para ter com a mulher morena:
Em sua apertada cabine de popa, foi encontrar a mulher morena, úmida e pronta*; a batalha talvez também tivesse aquecido seu sangue.*
(AFFC, O Pirata)
Não é estranho que uma mulher que havia sido capturada e entregue a Victarion como uma escrava estivesse “úmida e pronta” assim que seu atual captor irrompesse pela porta vestido em armadura, suado e sangrando?
É claro que simplesmente poderíamos, como Victarion (mau sinal...), assumir que a batalha a tivesse excitado. Ou que Victarion seja mais atraente do que podemos pensar.
Mas não seria igualmente possível pensar que este seria um indício de que a mulher morena tem experiência como concubina?
É sabido que Martin fez com que os meistres da Cidadela tivesse um conhecimento de medicina mais avançado do que aqueles disponíveis para os praticante da medicina da Idade Média do mundo real. Entretanto, não está claro que este grau avançado de desenvolvimento também aconteça nas demais civilizações do resto do mundo que Martin criou.
Na verdade, parece que não, pois Mirri Maz Durr cita que aprendeu artes curativas com o Arquimeistre Marwyn, o que parece indicar que a Cidadela detém os melhores conhecimentos médicos do mundo:
Uma cantora de lua de Jogos Nhai deu-me de presente as suas canções de parto, uma mulher do seu povo cavaleiro ensinou-me as magias do capim, dos grãos e dos cavalos, e um meistre das Terras do Poente abriu um cadáver e mostrou-me todos os segredos que se escondem sob a pele.
Sor Jorah Mormont interveio.
– Um meistre?
– Chamava-se Marwyn – respondeu a mulher no Idioma Comum. – Do mar. Do outro lado do mar. As Sete Terras, disse ele. Terras do Poente. Onde os homens são de ferro e os dragões governam. Ensinou-me esta língua.
(AGOT, Daenerys VII)
Ocorre que a mulher morena parece ter bons conhecimentos sobre como tratar um ferimento:
A morena lavou o ferimento com vinagre fervido*. [...] Victarion dirigiu-se à morena enquanto ela enfaixava sua mão com* linho*. [...]*
(AFFC, O Pirata)
A mulher morena estava enfaixando sua mão com linho limpo, enrolando a faixa seis vezes ao redor da palma, quando Aguado Pyke apareceu [...].
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Em verdade, o tratamento que a mulher morena vinha aplicando a Victarion era justamente o que o meistre aplicava após punção dos ferimentos:
Sangue era bom. Victarion grunhiu em aprovação. Sentou-se firme enquanto o meistre secava, apertava e limpava o pus, com quadrados de tecido macio fervidos em vinagre*. Quando terminou, a água limpa na bacia tinha se tornado uma sopa espumante. A visão por si só podia fazer qualquer homem enjoar.*
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
A mulher morena até demonstrou ter mais intimidade com este tipo de ferimentos do que o próprio meistre Kerwin. O rosado meistre não é referência de estômago forte, claro, mas a reação de nojo da mulher morena é tão econômica, que parece apontar para certa prática no assunto:
O pus que irrompeu era grosso e amarelo como leite azedo. A mulher morena torceu o nariz para o cheiro, o meistre segurou a ânsia de vômito e até Victarion sentiu seu estômago revirar.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Por outro lado, apesar de ficar parecendo pela passagem abaixo que Victarion também poderia conhecer estes procedimentos (o que não seria impossível, já que o Cão de Caça demonstrou conhece-los também quando estava com Arya), eu acredito que Victarion simplesmente está com a memória ruim, pois quem lavou primeiro o ferimento foi a mulher morena (vide citação acima):
Um arranhão de um gatinho, Victarion disse para si mesmo, depois. Lavara o corte, despejara um pouco de vinagre fervido sobre ele, enfaixara-o e deixou de pensar naquilo, acreditando que a dor diminuiria e a mão se curaria com o tempo. Em vez disso, a ferida tinha infeccionado, até que Victarion começou a se perguntar se a lâmina de Serry estava envenenada. Por que mais a ferida se recusaria a sarar?
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
De fato, como o procedimento está correto e a medicina westerosi é mais avançada do que a medieval, muitos leitores se teorizam que a mulher morena poderia estar de alguma forma envenenando Victarion, ou ao menos matando-o devagar ao fazer algo para não permitir a cicatrização do corte.
Há até mesmo uma passagem em que vimos que o único procedimento sugerido pelo meistre que não é adotado pela mulher morena é tentar drenar o ferimento em local aberto:
O meistre sugerira que o ferimento seria mais bem drenado no convés, no ar fresco e à luz do sol, mas Victarion proibira. Aquilo não era algo que sua tripulação pudesse ver. Estavam a meio mundo de casa, longe demais para deixá-los ver seu capitão de ferro começar a enferrujar.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Caso ela realmente estivesse piorando a condição de Victarion, evitar o convés seria uma atitude compatível. O problema é descobrir com que finalidade ela estaria fazendo isso. O que nos leva ao próximo e principal item desta lista
· Reconhece Moqorro como perigoso
A reação explosiva da mulher morena ao ver Moqorro parece significar que ela o acha perigoso. Mas perigoso como? Para quem? Bem, a resposta depende de saber quem realmente é a mulher morena e quais seus propósitos.
Aqueles que acham que ela está sendo possuída magicamente ou servindo de olhos e ouvidos para poderes de clarividência e clariaudiência, seja por parte de Euron ou dos Warlocks, pensam que estes sabem que Moqorro põe seus planos em riscos, pois os poderes do sacerdote vermelho permitem saber que a mulher morena é uma marionente.
Já aqueles que acreditam que a mulher morena está envenenando ou adoecendo Victarion pensam que a reação dela se deu em decorrência de que ela sabe dos poderes “curativos” do sacerdote e que todo o trabalho que ela está tendo será perdido no momento em que Moqorro entrar em ação.
E há aqueles que acreditam que a mulher morena sabe que Moqorro não está ali para curar Victarion, mas sim para trazer um sofrimento ainda maior. Nesta hipótese a mulher morena estaria tentando avisar Victarion sobre o perigo que Moqorro representa, mas não tem como expressar isso devido à mudez e à personalidade tosca de Victarion.
Porém, todos concordam em um ponto: a mulher reconheceu Moqorro. A pergunta não deveria ser “que tipo de perigo ela acha que Moqorro representa”. Isso acho dificílimo de adivinhar. Mas parece um pouco mais factível se especular sobre “de onde ela conhece Moqorro ou alguém como Moqorro”.
Para isso precisamos listar as características visíveis sobre Moqorro. Aquelas que fariam alguém entender quem ele é logo à primeira vista:
  1. Porte físico impressionante
  2. Cor de pele singular
  3. Tatuagens de chamas no rosto
Quanto ao porte físico, duvido que isso faça alguma diferença para a mulher morena, haja vista que há homens como Andrik, o Sério entre os homens de ferro.
A cor de pele da pele de Moqorro pode gerar duas reações. Uma demonstração simples de racismo, como ocorreu com os primeiros Ghiscari a chegarem às Ilhas do Verão (TWOIAF, As Ilhas do Verão). Ou a cor pode realmente vir de algo que lembre “um homem que foi tostado nas chamas até que sua carne carbonizou e caiu soltando fumaça de seus ossos”.
Nesse último caso, a cor da pele de Moqorro denunciaria algum grau avançado de poder místico. O fato de a mulher morena ter percebido isto induz a pensa que ela pode ter tido algum encontro com este tipo de pessoa no passado. Um encontro traumático, claro.
Por fim, se forem as tatuagens, simplesmente a mulher morena tem algo contra sacerdotes de R’hllor.
A parte interessante é que Moqorro não mostra interesse algum na mulher. Mas Moqorro não mostra interesse algum em ninguém, nem mesmo os tripulantes que pediram que Victarion o matasse.
Os homens de Euron são compostos de “mudos e mestiços”. Isso quer dizer que os mestiços não são necessariamente mudos. Vimos, inclusive, que um dos filhos bastardos mestiços de Euron fala. Portanto, cortar a língua da mulher morena foi uma atitude deliberada de Euron. Ou ela era parte da tripulação como os demais mudos?
Por outro lado, diante de tantas possibilidades de origens estrangeiras para a mulher, fica a pergunta: ela fala a língua comum? Sequer entende o que Victarion está falando?

Propósito e futuro

Se a mulher é uma espiã de Euron, então Euron está fazendo uma farta colheita. Mas de que serve toda esta informação agora? Será útil a Euron ou aos Warlocks no futuro saber que Moqorro está com Daenerys? Ou as notícias de que Daenerys está morta já podem ser suficientes?
Em suma, que futuro existirá para a mulher morena se tantas pessoas apostam na morte de Victarion? O próprio Victarion pensa em fazê-la de camareira:
– Ela será minha esposa, e você será minha camareira. – Uma camareira sem língua nunca deixaria escapar nenhum segredo.
Ele poderia ter dito mais, mas foi então que o meistre chegou, batendo na porta da cabine, tímido como um rato.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Há também a possibilidade de que ela carregue um filho de Euron em si. Afinal, o próprio VIctarion suspeita de que Euron já havia se deitado com a mulher antes de passa-la a ele.
Por terminar as especulações sem spoilers, seria a mulher morena uma feiticeira com poderes próprios e um objetivo claro em Meereen?

Especulações com spoilers de Ventos do Inverno

O capítulo de Victarion em Ventos do Inverno não é completo. Ele termina com algumas notas sem transcrição literal dos eventos:
❖ A mulher morena sangra o braço de Victarion em uma bacia. Victarion esfrega o sangue no berrante, murmurando suavemente para ele “​Meu berrante… dragões…”;
❖ Victarion masturba a mulher morena, não há penetração. Ele pensa que não gosta de transar antes da batalha;
❖ A mulher morena o ajuda a colocar a armadura, ele faz um discurso vibrante para a tripulação, e eles velejam em direção a Meereen.
(TWOW, Victarion)
Como a mulher morena é citada em todas as notas finasi, algumas perguntas ficam no ar:
Se Euron ou os Warlocks estão assistindo VIctarion reinvindicar o berrante via mulher morena, eles teriam algo preparado para fazer caso isso acontecesse? Fazia parte dos planos?
Qual é a importância de Victarion masturbar a mulher morena? Teria alguma relação com o braço que ele usa para fazer isso? Victarion usaria seu braço fumacento para fazer algo do tipo? Por que diabos ele faria algo do tipo?
A mulher morena fica para trás no navio quando os nascidos no ferro descem para atacar Meereen. Ela pode sabotar alguma parte dos planos? Teria alguma relação com o Atador de Dragões?
submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


2020.02.21 14:56 AdsonLeo [Encontro Miojo] Coração de Palha (1º Lv; D&D 5e)

Olá pessoal. Segue uma aventura que publiquei há um bom tempo em um blog pessoal. Fazia parte de um draft inicial para testar o formato do blog e ver se dava certo e se eu conseguiria formatar algo que fosse nas linhas da 5ª edição e funcionasse como uma aventura rápida e digestível mas ainda assim profunda e que desse ganchos e opções. Também tinha como objetivo servir de complemento ao conto postado anteriormente, para dar mais valor a cada um dos conteúdos.
Depois de um tempo parado decidi postar aqui, onde há mais visibilidade que um blog com divulgação zero da minha parte. O objetivo é mesmo divulgar o meu... trabalho, não sei... e receber opiniões. Quem se sentir confortável para dar um feedback ficarei muito grato. A ideia é trazer mais coisas como essas caso seja um conteúdo válido e que as pessoas tenham algum interesse.
Para aqueles interessados o conto Voo de Asas Cortadas serve de prelúdio para essa aventura e, além de ser uma leitura legal, te ajudará a dar cara aos personagens e clima ao cenário. Como com qualquer aventura pronta, no momento que você a pega ela é sua. Faça o que bem entender! A única coisa que peço é para que, caso se divirta e use elementos dela, dê o devido crédito ao blog e autor (no caso eu). Ajuda bastante!
Este encontro é feito para um grupo de aventureiros de primeiro nível mas, como sempre, use como achar melhor. Mesmo que os encontros sejam fáceis no final o importante é a história e as consequência que virão dela. Nomes apresentados em negrito significam uma criatura presente em algum livro de D&D 5ª edição. Logo depois dele, entre parênteses, virá uma notação com o livro e a página. Sem mais delongas, fiquem com o miojão... digo, encontro de hoje.

Ganchos de Aventura

Seja como one-shot ou um episódio de uma campanha, você pode usar esse encontro da forma que quiser. Os aventureiros atravessaram uma névoa misteriosa e se encontram num local desconhecido. Ou os moradores de uma vila buscam ajuda para lidar com o casarão assombrado que fica afastado. Talvez todos que foram investigar o local não voltaram, e aqueles que passam lá perto escutam vozes e sons indicando atividade, porém estão assutados demais para se aproximarem. Quem sabe seja a casa de uma antiga companheira dos aventureiros, que resolveram passar para uma visita rápida.
Seja como for, o grupo se encontra de frente à propriedade sombria.

Localização

Mesmo durante o dia uma névoa mantém tudo escurecido e os aventureiros não enxergam muito longe. Vá descrevendo e dando os detalhes a medida que se aproximarem de cada estrutura. A propriedade consiste de uma casa, uma plantação pequena e um celeiro. Básico. Alguns corvos se empoleiram nos telhados das construções e voam preguiçosamente em círculos sobre o grupo. As aves crocitam constantemente, formando uma melodia macabra.

1. Casarão Abandonado

A casa pode ser tão pequena ou grande como você quiser. Ela está velha e suja, poeira por todo lado e teias de aranha muito densas nos cantos, além de parecer completamente abandonada. Distribua cômodos e mobília como quiser. Peça um Dexterity Saving Thrown de DC 13 para o primeiro que entrar. Numa falha ele leva 3 (1d6) pontos de dano piercing quando o chão se rompe sobre seus pés e as lascas de madeira perfuram sua perna.
O chão range constantemente e o grupo começa a ouvir vozes infantis vindo de algum lugar do alto da casa. As vozes dizem "Papa, papa" e, se decidirem investigar, eles se deparam com 4 (2d4) corvos, Raven (Monster Manual, 332). As aves imitam o som humano e pouco a pouco se empoleiram nas janelas, observando com seus pequenos olhos negros os aventureiros. Caso alguém ataque as aves elas voam ao redor dos personagens e os atacam com bicadas até que metade delas tenha sido derrotadas, no que as demais voam pela janela mais próxima.
Pela casa é possível encontrar retratos de um casal e, dentre as coisas esperadas numa casa normal, roupas para um bebê semi-costuradas. Um sucesso em um teste de Intelligence (investigation) DC 18 revela uma abertura secreta em um dos quartos. Dentro estão presentes antigas roupas de viagem, um foco arcano na forma de um pé de um ave de rapina, um manto de penas negras e uma algibeira com 10 gemas no valor de 50 pesos de ouro cada. Esse é todo o tesouro na casa além de kits de cozinha e outros utensílios domésticos comuns.

2. Plantação

Nada saudável cresce neste local, e a estacas de madeira pendem tortas onde antes um espantalho estaria. Caso os aventureiros tenham atacado os corvos na área 1 e pelo menos um tenha fugido o espantalho na área 3 fica ciente da presença deles e se disfarça como um objeto no centro da plantação. Um sucesso em um teste de Wisdom (perception) DC 16 revela sinais de movimento recente vindo do celeiro.
O espantalho se defende caso seja descoberto e atacado. Caso contrário espera os aventureiros passarem por ele e os pega de surpresa, tentando assustar um deles na primeira rodada. Se iniciar o turno com metade ou menos de vida, o espantalho foge para o celeiro, mudando claramente de postura, indo da ferocidade e loucura anterior para medo e desespero. Os corvos sobreviventes o seguem.

3. O Celeiro

A construção não é muito grande e está tão velha quanto o casarão. Com um sucesso em um teste de Wisdom (perception) DC 12 é possível ouvir o constante crocitar misturado com os sons de "Papa, papa" vindo de dentro. A porta está trancada e é possível abri-la com um sucesso em um teste de Strength (athletics) DC 15. As janelas estão barradas por tábuas de madeira pregadas.
O interior possui algumas caixas e sacos, mas o que mais chama a atenção é uma grande quantidade de cascas de ovo e penas negras espalhadas pelo local. Dentro de uma gaiola na extremidade oposta à entrada se encontra uma corvo (igualmente um Raven) enorme, que se vira para os aventureiros assim que eles entram. O local é escuro e a única iluminação presente é a fraca luz do sol filtrada pela névoa vinda da porta aberta. Na escuridão é possível ver o brilho de dezenas de olhos os observando em variadas alturas enquanto crocitam e repetem as palavras.
Dentro também está um espantalho, Scarecrow (MM, 268). Caso os aventureiros não consigam abrir a porta do celeiro na primeira tentativa o espantalho tem tempo para se esconder. Faça um teste de Dexterity (stealth) com vantagem para ele, ou use a stealth passiva (10 + Mod. de Dex. + 5 proveniente da vantagem) para pegar os aventureiros de surpresa caso eles tenham forçado a porta. Execute aqui a luta descrita no segundo parágrafo da área 2.
Tenha o espantalho fugido para cá ou lutado já no celeiro, com um terço da sua vida ele muda de atitude repentinamente e se joga de joelhos em frente aos aventureiros. Ele não fala mas entende comum, e tenta se comunicar desesperadamente por meio de gestos. Um teste bem sucedido de Wisdom (insight) ou Intelligence (investigation) DC 10 permite aos personagens entenderem o básico da mensagem.
O espantalho pede calma e diz não querer lutar, mas só consegue manter-se longe da loucura por pouco tempo. A cada poucos segundos ele agarra a cabeça, a balança forte e olha em direção aos corvos que os observam antes de voltar ao normal. Ele pede os aventureiros para libertarem a ave dentro da gaiola e os leva para um canto do celeiro. Neste canto, deitado no chão desacordado e acorrentado, está um humanoide meio corvo do tamanho de uma criança humana, um kenku, com a pele exposta em locais que suas penas foram arrancadas. O espantalho pede para que matem esse ser.
O kenku não possui nenhuma opção ofensiva, tem apenas 1 HP e qualquer ataque contra ele automaticamente acerta. Depois de morto, o kenku retorna à forma de uma criança humana. Todos os corvos no local, 10 (5d4) Raven, atacam os aventureiros, e a ave dentro da gaiola crocita o mais alto possível, se lançando contra as barras.
Caso libertem a corvo antes de matarem o kenku, ela tenta protegê-lo a todo custo, se interpondo entre o espantalho, os aventureiros e ele. Se já o tenham matado ou o façam, ela tenta voar para longe. Todos os corvos no local a seguem numa revoada.
Se, no final, decidirem por libertar a corvo aprisionada e manter ela e o kenku vivos, o humanoide não acorda de jeito nenhum e a ave não sai do seu lado. Os corvos no local pouco a pouco se aproximam, vindo pelo chão e se empoleirando mais próximos da cena.
Independente do que acontecer o espantalho volta à loucura e ataca o grupo novamente, lutando até a morte. Se eles forem gentis com a corvo todas as aves no local os ajudam contra o espantalho. Se a atacarem todas as aves lutam até a morte contra eles.
É possível se comunicar telepaticamente com a corvo presa. Ela revela toda a história do conto, inclusive que se chama Magleth e como ela, o marido e o filho foram transformados por servos da Rainha Corvo e não conseguem se livrar desta maldição de forma alguma, apesar de que em alguns momentos a magia vacila e o marido parece recobrar a consciência. Ela pede para que enterrem, cremem, ou executem algum outro ritual para libertar a alma da criança. Com isso feito ela se vê livre para voar com seus outros filhos ou talvez se unir ao grupo e tentar voltar à sua forma humana.
submitted by AdsonLeo to rpg_brasil [link] [comments]


2020.01.01 21:40 altovaliriano O Norte não é lugar para um Peixe Negro

Link: https://towerofthehand.com/blog/2012/08/14-north-is-not-for-blackfish/index.html
Autor: Klaus (colaborador da Tower of the Hand)

Como a maioria dos leitores, tenho algumas idéias sobre onde Brynden Tully, o Peixe Negro, foi depois de sua fuga de Correrrio. Há muito tempo penso que ele iria para o Norte e procuraria Jon Snow, ou pelo menos apareceria em Winterfell. Essas idéias se expandiram tanto, que em certo ponto de A Dança dos Dragões, eu realmente acreditava que ele era o "Fantasma de Winterfell" (se é que essa pessoa misteriosa realmente existe). Mas, depois de procurar mais evidências, cheguei a outra conclusão.
A idéia de que Peixe Negro possa dizer a Jon que ele foi legitimado como herdeiro de Robb é atraente para todos os fãs dos Stark-Tully, mas isso pode não ser tão realista quanto parece. Embora ainda seja possível que o Peixe Negro rume para o Norte, é muito mais provável que ele vá para outro lugar.

Por que não o Norte?

Primeiro, alguns argumentos contra Brynden Tully ter atravessado o Gargalo, muito menos ter seguido para o Norte.
1) Os leitores não sabem ao certo se Brynden Tully sabe que Jon Snow é o herdeiro de Robb Stark (supondo que isso seja verdade). Robb tomou a decisão quando estava a caminho das Gêmeas, enquanto Brynden permaneceu em Correrrio como Protetor das Marcas Meridionais. Eles podem ter falado sobre isso com antecedência e ele até pode supor isso, mas Brynden não poderia ter 100% de certeza. Após a decisão, Robb enviou apenas dois navios com "suas ordens" (uma carta nunca foi mencionada). Um foi comandado por Galbart Glover , o outro por Maege Mormont. Deveriam seguir para a Atalaia da Água Cinzenta e depois contar a Howland Reed e os senhores do Norte sobre as intenções de Robb. Ainda não sabemos o que aconteceu estes dois. O resto dos comandantes auxiliares de Robb foram mortos ou capturados no Casamento Vermelho, portanto nenhum deles poderia ter informado Peixe Negro. Porém, há uma maneira de ele saber: Edmure poderia ter contado a ele quando se encontraram antes de sua fuga de Correrrio - mas meu próximo argumento contradiz isso.
2) O próximo ponto que sustenta a idéia de que Brynden não sabe que Jon é o herdeiro de Robb: ele recusou a maneira mais fácil de contatar Jon. Jaime Lannister lhe ofereceu salvo conduto caso entregasse o castelo e tomasse o negro. Muito pode ser dito sobre Brynden Tully, mas ele não é estúpido. Por que "fugir" à noite pelo rio frio, quando ele poderia ter dito ‘Ok, aceito sua oferta’? Claro, ele não confia em Jaime, mas poderia ter negociado termos adicionais. Por exemplo, ele poderia ter insistido em guardas adicionais de casas mais confiáveis ​​do que os Lannister ou os Frey para acompanhá-lo até a Muralha (Marbrand, por exemplo).
3) Brynden Tully é filho das Terras Fluviais e passou grande parte de sua vida adulta no Vale, tendo sido comandante lá por um longo tempo. Mas ele é um estranho para o Norte e para os senhores que lá governam. Ele não pode saber qual senhor está do lado de Bolton ou Karstark e quem ainda é um fiel da Stark (algo que até mesmo o leitor, como espectador externo, não sabe ao certo).
4) As palavras dos Tully são "Família, Dever, Honra". Quaisquer que sejam as intenções de Brynden, a família sempre virá em primeiro lugar. Sua teimosia provavelmente o impediria de ver alguém, exceto os filhos de Catelyn e Lysa, como sua família direta. Jon Snow (mesmo que ele seja realmente o único filho restante de Ned Stark) é um bastardo, e um bastardo STARK. Então, Jon Snow nunca contará como um membro da House Tully. Brynden até diz a Jaime que ele não confia em Jon. Com Hoster e Catelyn mortos, Edmure preso e todas as crianças Stark presumivelmente mortas, ele tem apenas uma parte de sua família sobrando - sua sobrinha Lysa e seu sobrinho-neto Robert “Passarinho” Arryn. Pelo menos Robert Arryn ainda está vivo quando ele deixa Correrrio. Não sabemos se ele ouviu falar da morte de Lysa.
5) Simples razões geográficas. É um longo desde Correrrio, especialmente sozinho, escondido e sem um cavalo. E o Gargalo foi fechado ou guardado pelas forças de Bolton (dependendo da linha do tempo) no momento de sua fuga.

Quatro teorias prováveis

Eu realmente não penso mais que o Peixe Negro irá para o Norte. Mas ainda acredito que ele aparecerá em algum lugar e fará alguma coisa. Talvez surpreenda a todos. Minhas idéias (da mais provável e plausível para a menos) são:
Teoria A: Ficar por perto
O movimento mais provável é que Brynden tenha ficado em algum lugar próximo, se escondendo e angariando apoio, indo para a guerra de guerrilha. O lugar mais fácil para ele fazer isso é nas Terras Fluviais. É a região de sua Casa. Ele conhece a terra e as pessoas o conhecem. Como Tully, ele pode encontrar apoio aqui. Lannisters e Freys não são os governantes mais populares. Mesmo que encontrar ajuda com o povo se torne difícil (os plebeus sofreram por sua teimosia), os senhores podem ser mais tolerantes. Peixe Negro apoiou a causa de defender sua terra natal. Jaime Lannister também acha que é isso que está acontecendo, chegando a mencionar quando o vemos em A Dança dos Dragões.
Considerando-se a visão de George RR Martin de construir uma história instigante, isso poderia ser particularmente interessante, porque com Jaime, Senhora Coração de Pedra, Brienne, Gendry, Genna Lannister (a nova Senhora de Correrrio), um monte de Freys e a Irmandade sem Estandartes, teríamos um bom número de protagonistas em uma pequena área. Um encontro de Peixe Negro com Senhora Coração de Pedra poderia dar uma boa reviravolta à história. A atitude do Peixe Negro se encaixaria no padrão ‘não perdoar’ / ‘não esquecer’ da Irmandade.
Teoria B: A estrada da montanha
Ele poderia lutar ou esgueirar-se pela Estrada de Altitude e entrar no Vale. Quando chegasse ao Portão Sangrento, ele certamente já teria ouvido falar da morte de Lysa. Portanto, a segurança de seu sobrinho-neto pode se tornar seu objetivo principal. Ele poderia até pedir ajuda a Petyr Baelish. Não sabemos o que ele pensa sobre Mindinho. Talvez eles estejam em bons termos? Caso contrário: ele simplesmente precisa encontrar alguns senhores que não estão muito felizes com Mindinho como governante (por exemplo, o restante dos Senhores Declarantes).
No Vale, ele certamente sabe quais senhores seriam os melhores para pedir abrigo (por exemplo, Bronze Yohn Royce?). Talvez alguns deles até queiram seguir Robb. Ele pode encontrar apoiadores neles. A tia de Jaime, Genna, disse algo nesse sentido. Ela temia que, se Edmure fosse morto e Brynden sobrevivesse, este último reivindicaria Correrrio em nome dele ou de Robert Arryn. Isso significa implicitamente que Genna acha que ele procuraria abrigo no Ninho da Águia.
Os leitores sabem que Brynden tem outra coisa a fazer no Vale: se ele encontrar Sansa (mesmo pela primeira vez), ele é um dos poucos que a reconheceriam imediatamente como filha de sua mãe. Com Mindinho, Sansa, Harry o Herdeiro, Mya Stone, Passarinho, Bronze Yohn, os Senhores Declarantes e Peixe Negro, a configuração do Vale também pode ser interessante em termos narrativos.
Teoria C: Procure o cranogmano
Brynden poderia procurar Howland Reed e encontrar um lugar seguro em Atalaia da Água CInzenta. Isso ainda é possível. Mas para onde ir a partir daí? Ele conhece Howland Reed e como encontrá-lo? Mesmo os senhores do Norte não reconhecem a importância de Reed (Robb teve que explicar isso para eles em um dos últimos capítulos de Catelyn). Como o Blackfish sabia que Howland poderia ser a chave para o Norte e que poderia ter algumas informações valiosas? Fora isso, a resistência no Norte ainda não havia construído uma base comum quando ele escapou de Correrrio (nem mesmo até certo ponto de A Dança dos Dragões).
Os Reeds lutam no Gargalo, ninguém (exceto Davos, e somente em ADWD) conhece as intenções de Wyman Manderly. Os Karstarks fazem têm seus próprios planos. Os clãs estão no momento com Stannis. Roose Bolton está estacionado em Winterfell. Os Mormonts são invisíveis. Os Umber estão divididos e/ou em conflito. E os Glover, quem sabe? Howland Reed pode ter alguma missão para o Peixe Negro, mas a única missão razoável que Reed poderia dar a Brynden Tully é recuperar "Arya". Mas ele nunca a conheceu. Como ele poderia encontrá-la e salvá-la, sem falar no problema de encontrar aliados confiáveis ​​no Norte? Assim, não há motivo para Reed enviá-lo para o Norte.
Teoria D: O lobo na barriga
[omiti essa parte, pois esta teoria já foi provada errada por GRRM]

Brynden Tully, o Fodão!

Esses eram os caminhos mais prováveis ​​para o Peixe Negro. Agora é hora da parte verdadeiramente maluca. Resumindo: Brynden se tornará a versão do GRRM de John Rambo ou Chuck Norris, uma unidade de comando de um homem.
Entende? Vários caminhos alternativos mais ou menos possíveis para Brynden Tully seguir. Contudo, as teorias A e B ainda parecem ser as mais plausíveis para mim. Jaime Lannister pensa que é A, Genna pensa que é B. Eu costumo acreditar na intuição de Jaime aqui e escolher a A. Mas, do ponto de vista do GRRM, B também pode levar a tramas interessantes (o cenário da Vale ainda não é tão central como poderia ser).
Gosto da ideia de que o Peixe Negro possa revelar Sansa (ou pelo menos a ajude de alguma forma) e que isso traga problemas para Mindinho. Conhecendo o GRRM, todas as possibilidades são mais ou menos imagináveis ​​(mesmo a primeira teoria "maluca" não é totalmente maluca). E levar uma certa mensagem para Jon ainda não é totalmente improvável, embora não seja tão provável quanto todos possam supor.
O que vocês acham?
submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


2019.07.22 03:17 TYagami Domadores de Almas - Destino, Espiritualidade e Apocalipse

Não acho que o nome tenha te trazido até aqui, mas se você não segue nenhuma religião, mas tem uma crença, e ainda por cima tem contato com espíritos, acho que já podemos começar nossa conversa.
Primeiramente, muito prazer.Eu nem sei o que eu estou fazendo aqui pra começo de conversa porque jamais me imaginei fazendo isso...
Caí aqui no Reddit meio que de paraquedas. No meio de uma conversa com um amigo meu, ele me disse para vir aqui e criar um post contanto minha história porque querendo ou não, tem mais pessoas envolvidas e muitas delas já sabem também que foram escolhidas para um "algo maior". Mas... Ao invés de enrolar mais, vou explicar do começo.

Meu primeiro contato com algum espirito foi aos 3 anos de idade. Eu me lembro de ter visto uma mulher de pele clara, cabelo comprido preto e usava uma roupa branca, parecia uma camisola. Uma criança normal se assustaria, já eu... Por algum motivo eu decidi falar com ela.
- Quem é você? - Perguntei.
- Um alguém. Só um alguém. - Respondeu. - Quer ser meu amigo? Sorriu a moça.
- Tá. - Respondi.
No momento em que eu respondi, ela sumiu e eu apaguei.
Alguns anos se passaram e nunca mais tinha visto aquela moça. Pra mim, aquilo tinha sido apenas um sonho. Engano meu.
Não entrarei em detalhes sobre a moça no momento para não deixar a história muito extensa e principalmente pra mim não perder o foco do post. E antes que perguntem, sim, ela ainda está comigo.
Eu sempre fui uma criança bem extrovertida, de uma imaginação muito fértil e sempre amei desenhar. Então, por conta da criatividade, as coisas que eu via/ouvia/sentia que eu não podia contar pra ninguém, eu decidi começar a escrever uma história: Domadores de Almas. Não, não são pessoas que controlam almas... Na verdade, são espíritos que são mandados para a Terra (o carnal) para encontrar pessoas capazes de receberem certos poderes/habilidades e também para que até esses espíritos ficassem mais fortes, conseguindo liberar até mesmo 100% de seu poder total. O porque desses espíritos terem vindo até nós? Um mal ia nascer a partir dos 7 pecados e esse mal irá destruir os dois lados, por isso eles receberam essa missão.
História legal, né? kk
Só que parecia que algo ou alguém não queria que eu escrevesse essa história porque sempre que eu ia escrever o capitulo 4, algo acontecia. Se fosse no caderno: A folha rasgava por conta da borracha, a ponta do lápis quebrava, a caneta estourava... Se fosse no computador: O word travava, o pc travava e até a força chegava a cair!
Ainda não "acreditou", né? Tá bom.
Com 19 anos me batizei na igreja evangélica. Pois é. Sou evangélico. Mesmo com tudo o que sempre aconteceu na minha vida, decidi seguir a Cristo rs e não me arrependo. A história? Bom, estava parada. Nunca dava pra continuar, então deixei ela de canto. Mentira. Eu pensava que era algum bloqueio meu e tentava de novo, mas ai era desde o começo e com isso as mudanças e alterações vieram, coisas que deixaram a história mais real e um pouco mais pesada também.
Toda pessoa quando cria ou faz algo tem a vontade de mostrar para a família, né? Desde os 12 anos quando eu comecei a escrever essa história eu sempre quis mostrar ela pra minha mãe e pra minha irmã mais velha. Meu pai nunca ligou muito. Sabem o que elas falavam? "Que era do demônio". Gente, como é do demônio se eu nunca li, vi, estudei ou até mesmo procurei sobre algo do tipo? Mesmo vendo e ouvindo coisas, eu tinha medo! Não gostava! Mas não quer dizer que eu procurava. ME DESCULPA SE QUANDO PASSAVA DRAGON BALL Z EU GRITAVA "SATAN, SATAN" NA SALA COM A MÃO PRA CIMA, MAS ACREDITA EM MIM, EU NUNCA PESQUISEI! E MR. SATAN É O NOME DO TIOZINHO ALI!!
Lembram? Me converti, entrei pra igreja e fui conversar com meus pastores sobre o assunto. Resumindo? Apaguei a história e queimei todos os meus desenhos referentes a minha história. Todos que de acordo com o espirito santo tinham que ser queimados/destruídos.
Eu, minha mãe, minha irmã mais velha e meus pastores descemos para uma rua aqui perto de casa que é calma e levamos os desenhos (todos que achamos), uns tapetes e uma mesa de plastico branca que íamos jogar fora. Aproveitamos pra queimar tudo junto. Peguei uma folha, molhei com álcool Zulu na ponta, peguei o esqueiro e acendi. Tava lá, a chama azul, toda bonitinha e o papel ainda branco. Branco. Não queimava. O papel não queimava. Ok, álcool de cozinha é fraco. Vamos na ponta seca. ... ... ... ... É... Acho que o problema não era o Zulu. O papel não quer pegar fogo mesmo. Parti pro tapete. Fui e pensei: "Pelo menos os fiapinhos vão pegar fogo...". Nem os fiapos do tapete pegavam fogo. A chama azul lá parada e nada acontecia. Ninguém tava acreditando. Meus pastores pegaram o carro deles e levaram tudo para o monte onde lá pegou fogo sem exitar.
Quase entrei em depressão depois disso. Eu não desenhava mais. Não escrevia mais. Nunca fui fã de copiar desenhos, sem gostei de criar os meus. Aí, num certo dia eu tive um sonho. Era muito real pra ter sido só um sonho. Eu estava num campo. Um lugar lindo. Um céu limpo com poucas nuvens, uma brisa gostosa. Do meu lado direito tinha uma montanha que por ela descia uma cachoeira e do lado esquerdo era só campo. Na minha frente tinha alguém, mas eu não conseguia ver seu rosto. Era como se o Sol estivesse atrás dele impedindo com que eu visse sua face. Ele usava uma roupa branca com uns detalhes amarelos ou eram dourados. Ele me olhou, esticou a mão em minha direção e disse:
- Vem. Vamos conversar.
Sua voz era calma. Forte, mas passava tranquilidade. Por algum motivo eu não conseguia falar e então ele continuou.
- Sabe... Tem muita coisa que gostaria de falar, mas a principal é... Sabe o porque de não conseguir escrever a história do capitulo 4 em diante? O porque de tudo isso acontecer? - Perguntou e esperou. - Porque do capitulo 4 em diante você envolveria pessoas reais. Seus amigos, os que você colocou como personagem, todos eles passariam pelo mesmo que você passa e poderia ainda acontecer coisa pior por conta da história deles. Compreende agora? - Apenas assenti que sim. - Agora sobre seus desenhos, você pode dar continuar com eles, mas com um porem. Vamos usar o ser humano como exemplo. Um homem comete vários crimes em sua vida, mas num certo ponto ele decide mudar. Ele decide ser diferente. Se arrependeu de tudo o que fez e agora segue uma vida ajudando as pessoas, fazendo a diferença. Entendeu onde eu quis chegar? Mesma pessoa, mas com atitudes diferentes. Seus personagens, ainda pode fazê-los, mas eles não podem voltar a ser quem eram. Tudo bem?
Antes que eu pudesse pensar em responder, fui acordado.
Depois disso voltei a desenhar e comecei uma história nova, mas uma coisa começou a acontecer e eu estava com medo de contar pra alguém e ser taxado de louco. mais ainda
No dia 3 de Fevereiro de 2018, no primeiro final de semana de Carnaval, foi onde "tudo começou".
3 amigos meus estavam comigo aqui em casa. Íamos pro bloquinho tanto no Sabado quanto no Domingo, mas alguma coisa tinha acontecido que não fomos no Sabado e íamos no domingo. Eu então recebi uma mensagem de um amigo meu me chamando para ir na casa dele comer pizza e beber alguma coisa, disse que estava com uns amigos, ele disse que não se importava e fomos todos. Nos dividimos em "2 grupos". Eu, Ele e um amigo meu fomos comprar bebida. A mulher dele, e os meus dois outros amigos ficaram lá com ela. Do nada, no meio da caminhada, entramos no assunto espiritualidade. Assim que chegamos na casa dele, ele me olhou e pediu pra perguntar sobre o que eles estavam conversando e em que parte eles estavam. Quando perguntei, sim, eles estavam na mesma parte que a gente, e foi ai que o assunto "bombou" e ficamos conversando sobre isso o resto da noite. No meio da conversa, ele me olha e diz:
- Tá, vamos lá. A sua moça tá aqui na minha direita dando em cima da minha entidade, né? - Perguntou ele.
- Como você? Como é que você sabe? - Perguntei.
- Ele... Isso não tem graça! - Respondeu minha moça toda sem jeito.
- Agora... - Ele então continuou. - Aquele ali é seu outro, não é? - Perguntou apontando para frente.
- Espera. Ela eu entendo você saber porque as vezes eu não resisto as piadas dela e olho pra ela sem graça, mas ele? Eu nem olhei pra ele e você sabia que ele tava ali? - Perguntei. Eu não estava acreditando.
- Do que ele tá falando? - Perguntou um amigo meu.
- E que moça? - Perguntou uma amiga minha.
Foi nessa noite que meus amigos souberam dos meus amigos. E foi nessa noite que eu descobri também que não eram amigos imaginários e que tudo o que eu tinha vivido, era 100% real.
Contei pra ele dos meus desenhos, da história e de como tudo acabou e ele ficou nervoso. Muito nervoso.
- Porque você fez isso? Apagar sua história e queimar seus desenhos? Pra que? Se tinha algo te atrapalhando era só falar comigo que eu eliminava esse ser.
- Então... Eu não fiz porque 1°: Pensei que fosse Disney minha e 2°: Não sabia de você e muito menos de mim.
- Tá, mas de verdade? Eu tenho certeza que você foi destinado a escrever essa história e sabe o que eu acho? Que depois que você apagou a história, você tá vendo todas as cenas acontecendo de verdade na sua frente. Do mesmo jeito que você tá me vendo agora, você vê as cenas. Tô mentindo? - Sorriu ele.
Ali meu mundo caiu. Lembram ali em cima quando disse que algo começou a acontecer depois que eu parei com a história? Então. Foi isso. E eu não tinha contado isso pra ninguém. E eu não conversava com esse meu amigo mais.
Depois dessa noite muita coisa na minha vida mudou. Eu precisei incorporar meus dois amigos porque esse meu outro amigo queria conhecê-los porque precisava saber se iam me fazer mal ou não. Ele queria falar com eles e esse teria sido o único meio ali já que eu já tinha dado abertura para os dois. Depois disso, além de ganhar alguns "dons" acabei ficando sem asma e meu problema de coluna.
2 meses depois enquanto voltava para o escritório depois do almoço, tem um galho abaixado, muito caído no meu caminho e uma das suas folhas ia me acertar se eu empurrasse ela ou me abaixasse. Eu bati na folha e com isso o galho levantou, mas voltou depois pro lugar que tava. De repente...
-Ai... - Ouvi uma voz infantil vindo de trás de mim.
- Acho que batemos em alguém. - Respondeu um dos meus amigos.
Quando eu olho para trás, atrás daquela folha tinha alguma coisa. Eu parei, olhei, vi duas mãozinhas segurando a folha, ele estava escondido.
- Cês tão vendo isso também? - Perguntei e eles disseram que sim.
Fui devagar até a folha e quando estava chegando, vi uma cabecinha me olhando e assim que percebe que eu a percebi ela volta pra trás da folha.
- Tem alguém ai...? - Perguntei.
- Por favor não me bate de novo, eu não fiz nada, eu só tava aqui na minha folhinha.
- Calma, eu não vou te bater e me desculpa, foi sem querer. Eu não sabia que você estava aqui.
- Ah, tudo bem então. Sua energia é boa. - Sorriu ele saindo de trás da folha. - Só a do seu amigo aí que me assusta. A energia dele é pesada. Me dá medo.
- QUE COISINHA FOFA! - Ouvi minha amiga gritando saindo de dentro de mim e indo pra cima dele apertando suas bochechas.
Vou cortar o dialogo...
Depois de conversarmos um pouco, acabei chegando na história. A reação dele não foi uma das melhores...
- O QUÊ? VOCÊ É UM DOS ESCOLHIDOS? - Gritou o pequeno. tem 19 centímetros ele.
- Escolhidos? Do que?
- Do Apocalipse. Um dos que vão ficar aqui pra batalha.
- Isso é real? Porque assim... Quando eu era pequeno que eu tinha lido apocalipse e pedia nas minhas orações pra estar na Terra ao lado de Deus e tudo mais, eu não esperava que fosse real ou que fosse dar certo.
- Não importa como foi! Eu quero ficar com você. Vou te proteger. Você me aceitando como parceiro ou não, vou te proteger. Passei muito tempo nessa arvore esperando um motivo pra sair dela e finalmente achei. Vou com vocês.
Só que... Parece que alguém mais ouviu nossa conversa...
No dia seguinte eu acordei com um grito de uma criança de madrugada.
- O que aconteceu? - Perguntei. Eu sabia que não era um sonho, porque quando sou acordado por eles é diferente.
- Nossa conversa ontem... Ouviram.
- Como assim "ouviram", pirralho. Desembucha. - Disse meu amigo rosnando.
- Calma. Me explica isso melhor.
- Eu não sei o que aconteceu, mas deveria ter alguém seguindo vocês já e agora o mundo inteiro já tá sabendo de você e que "você tá montando um exercito pro apocalipse".
- Exercito? Eu só queria escrever uma história...
- Desculpa, a culpa foi minha da gente ter conversado na rua e eu nem lembrei de fazer uma barreira também.
- Agora já foi. - Rosnou meu amigo.
No dia seguinte, no meu grupo do WhatsApp grupo do tinder rs. Entrou um rapaz do DDD 81 que depois que viu minha apresentação no grupo me chamou no privado e depois simplesmente saiu do grupo. Conversei com ele e tudo mais e depois perguntei o motivo dele ter saído.
- Já te encontrei. Não preciso de mais nada no grupo. - Respondeu o rapaz.
- Eu tô falando pra você que esse viado é do babado, mas você não me escuta... - Disse minha amiga.
- Own, que fofo. - Respondi.
- Fica tranquilo que daqui, que mesmo longe eu vou estar te protegendo. - Continuou.
- Aaaah, se eu ganhasse 1 macho a cada palpite certo meu... - Debochou minha amiga.
- Posso fazer uma pergunta? Qual sua religião? - Perguntei.
- Não tenho uma religião. Acredito em Deus, mas também acredito em outras coisas.
Quando ele disse isso... Alem de confirmar que minha amiga estava certa, também comprovou que era alguém "como eu", que tem amizades assim com espíritos e tudo mais. A gente continuou conversando, ele acabou conversando com ela, mas por um mal entendido, ele sumiu. Ela disse pra ele que "Tinha que passar por ela e pelo meu outro amiguinho pra me ter"... Foi triste. Mas seguimos. Mas não acabou por aqui. Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Portugal... Gente de vários lugares por algum motivo conseguiam meu numero, não sei como, a gente conversava e dava no mesmo. Não a parte da minha amiga falando aquilo, mas era todo mundo do "meio".
No meio do ano, em Junho de 2018 se não me engano recebi uma ameaça aqui em casa. Cercaram a minha casa e me mandaram um "aviso"
- Pode avisar para todos esses seus amigos "Domadores" que o "exercito" de vocês não chega aos pés do nosso.
Ele tinha entrado aqui em casa com outras entidades, ameaçaram de destruir meus amigos e me mandou mandar esse recado para os meus amigos que estavam nesse grupo do WhatsApp sobre o assunto.
Depois disso fomos atrás de ajuda. Eu nem sabia que dava pra atacar alguém espiritualmente, ou melhor, eu nem acreditava que pelo espiritual poderiam ser feitas tantas coisas... Eu era recém-nascido no assunto praticamente. Não tive treinamento nenhum.
Uma amiga então me disse que tinha um grupo perto da casa dela que eram do meio. Pedi para ela falar com eles dizendo que precisávamos de ajuda e fui ao encontro deles. A diferença entre nós dois? Meu grupo e o deles? O que nós conhecemos por "Apocalipse" eles conhecem por "Ragnarok". Eles estavam dispostos a nos ajudar e chegaram até a nos propor uma "aliança" entre nosso grupo e a alcateia deles, mas... Sabem minha "amiga"? Não sei se é ela que tem as visões ou se graças a ela eu consigo ter elas, mas vimos que parte deles estariam no outro time e... Eu me apego fácil as pessoas.
- Sabe que se a visão for real, alguns deles morreram pelas nossas mãos, não é? Melhor nos afastarmos sem nenhuma inimizade pra caso venhamos a nos encontrar na rua do que algo pior venha a acontecer. Sei que vai doer mais em você do que em mim. Ou melhor, em nós. - Disse meu amigo. o que rosna
Eu concordei. Ele estava certo.
Depois disso, um amigo meu que é do "meu grupo" me disse:
- Cara, porque não vai no Reddit, cria um post contando tudo e vê se consegue encontrar mais pessoas? Tá, é uma faca de dois gumes porque pode ser que apareçam pessoas querendo nos ajudar, mas também podem aparecer pessoas que vão querer nos matar a qualquer custo! O que nós, não só nós sabemos, mas todos sabem... O tempo está próximo mesmo. Não acho que essas coisas aconteceriam a toa. Acho que custa tentar. - Disse esse meu amigo.
- O que vocês acham? - Perguntei para os meus amigos.
- Não podemos sujar nossas mãos de sangue agora, mas se tentarem machucar você, não exitarei em incorporar para te proteger. - Rosnou meu amigo.
- E se forem para nos ajudar, os ajudaremos também! Com tudo o que pudermos. Se for um boy gato eu ajudo mais ainda hihi - Brincou minha amiga.
- Antes disso eu tenho que voltar a escrever a história. Só ai vou confirmar mesmo que eu aceito meu destino. - Disse.
- Infelizmente nós dois já aceitamos o nosso. - Sorriu minha amiga dando um tapa no braço do meu outro amigo.
- Domadores até o fim?
- Uma vez domadores, sempre domadores. Não importa o que aconteça. - Sorriram.
Depois que decidi que ia fazer a história e seguir com isso, tive outro sonho, naquele mesmo lugar, com aquele mesmo homem. Dessa vez eu estava em pé.
- Tem certeza de que vai seguir em frente com isso? - Perguntou ele.
- Sim. Tenho. Se eu fui destinado a escrever essa história, a estar mesmo nessa luta, mesmo que eu vá ficar com muito medo quando chegar a hora, eu vou em frente. Sem falar que... E se essa história tiver informações que possam ajudar algumas pessoas ou avisá-las sobre o que está por vir. Se acontecer algo com elas e eu não tiver avisado, vai doer bem mais em mim do que nelas, porque eu tinha a informação, mas quis guardar elas pra poupar umas 10, então... Não compensa.
- Então está certo. Que assim seja.
E ai acordei.


E é por isso eu tô aqui. Não sei se vai aparecer o horário no post com a data tudo certinho, mas agora são 22:20 de um Domingo, dia 21/07/2019 e tá dando pra sentir uma pressão muito forte vindo do lado de fora da minha casa. Eu não ia escrever esse post hoje, nem sei até quando eu ia continuar enrolando pra escrever isso, mas... Por algum motivo... Peguei meu celular pra jogar Grand Chase e o Reddit abriu. Se eu entendi? Não entendi. E como eu sei que a vida dá dessas, então eu pensei: Porque não? Deve ser a hora.
Ps: Não adianta me chamar de louco, sei que sou. kk
Ps 2: Não vou revesar o post como eu sempre faço com qualquer texto meu que eu reviso sempre umas 3 vezes. Então, escrevi, postei. kk
submitted by TYagami to u/TYagami [link] [comments]


2019.07.20 05:16 Luruisa Oi, então isso é meio que o inicio de um livro que estou tentando escrever o nome dele é, Por Onde Andou?

PROLOGO
O encontro estava seguindo bem, Nathan nem havia percebido o tamanho desconforto de Melissa, afinal era uma boa atriz, ria das piadas sem graça e conversava como se estivesse na companhia de uma das amigas. Já estava cansada de fingir, quando ele se levanta para ir ao banheiro, no mesmo instante que lhe da às costas, colocou a cabeça entre as mãos por um reflexo, se perguntava o que fazia ali? Nesse momento a única coisa passava pela sua cabeça era que precisava encontrar uma desculpa para ir embora sem ter que dar mais explicações, queria dizer algo a ele se levantar e ir em direção da porta sozinha e desaparecer, ao menos até no dia seguinte... Desde o começo desse encontro estava se perguntando em que momento pensou que fosse uma boa ideia vir até ali, como poderia ter pensado que seria divertido, alias divertido era o exato oposto do que esse encontro estava se tornando.
– Melissa... Está tudo bem com você? – A pergunta surpreende, ela não ouviu ninguém se aproximar da mesa, mas aquela voz... Não podia ser... À voz era de Thomas, o que ele estaria fazendo ali, ela estava ficando louca, devia ser um delírio, mas ao erguer a cabeça...
– Thomas? - De onde ele saiu? Fazia tempo que a estava observando? E o mais importante porque ele está parado ali, a encarando tão profundamente que parecia mergulhar em sua alma a procura de respostas que ela desconhecia.
– Você está bem? – Ele repete a pergunta para tirá-la do amontoado de pensamentos que rodeavam sua mente.
– Sim, estou... – falou perdida ao olhar dentro de seus olhos, ele parecia preocupado. – E você, como está? – Ela pergunta tentando sorrir e ignorar tudo que pulsava em seu peito.
– Eu estou bem. – Ele coloca a mão no ombro de Melissa, o que a fez se contrair. – Ei, o que houve?
– Nada vou ficar bem... – diz sem conseguir olhar nos olhos de Thomas, ela estava mentindo e não sabia como, mas ele a conhecia tão bem ao ponto de saber quando não insistir mais.
Ele passa a mão em seu braço enquanto a observa, ela nunca conseguia esconder o que sentia, pelo menos, nunca conseguia esconder dele, ele a conhecia não a tanto tempo, mas o suficiente para reconhecer que os olhos dela sempre explodiam de sentimento, quando estava triste seus olhos eram vazios e distantes, no entanto quando estava feliz ela sorria com os olhos.
Quando Thomas a viu aquela noite sentada em uma mesa com um rapaz que ele desconhecia, para qualquer outro ela aparentava estar confortável e feliz, mas não para ele.
Quando teve a chance de cumprimenta-la a primeira coisa que viu foi devastador o olhar dela estava tão triste quanto no dia que se despediram, ela não chorou aquele dia, mas seu olhar era de alguém que estava em frente a um cruzamento e não faz ideia para onde ir, ela estava tão perdida quanto naquele dia, mas dessa vez ele estava ali e não iria partir não a deixaria a própria sorte. Thomas a pegou pela mão e a fez levantar, colocou uma quantia de dinheiro sobre a mesa que pagaria pelo jantar e ainda sobraria para uma gorjeta generosa, Melissa o olhava sem saber como reagir ou o que dizer.
– Vamos. – ele não estava perguntando, ela o encara, parecia intrigada, mas ele já havia decidido que explicaria tudo que ela perguntasse depois, em um movimento a pegou pela mão e a levou, sem que ela oferecesse a menor resistência.
Ela não fazia ideia do que dizer a ele, queria perguntar como ele estava, quando voltou, mas seu primeiro objetivo era em sair dali. Com ele, sem questionamentos, só queria ir para um lugar longe de tudo aquilo. Eles se aproximaram de um carro e ele sinalizou para que ela embarcasse na porta do passageiro, e ela o fez. Duas quadras depois ela finalmente conseguiu formar palavras, sem pensar deixo sair às duas palavras que mais a afligiam.
– Quando volto? – falou assim de supetão, estava curiosa, mas tinha um fundo de raiva em sua voz, ela encarava a rua a sua frente, mas percebeu quando ele sorriu antes de responder. – Faz uma semana.

CAPITULO I
A cidade de Medusan nunca foi muito movimentada, mas nessa noite ela estava totalmente parada. Melissa podia contar nos dedos os carros que passaram por eles até que chegassem, ela não sabia exatamente onde mas chegaram. Thomas desceu mas não apagou os faróis, foi até a frente do carro e se encostou no capo. Ele estava esperando, esperava que ela fosse até ele, que ela se aproximasse por conta própria e isso não demorou muito. Ele quase sorriu quando ouviu o barulho da porta abrindo.
Ela não sentou ao lado de Thomas, ficou parada na sua frente de braços cruzados ela o encarava, devia ter muitas perguntas mas por algum motivo não falava nada.
– Como você está?– Thomas perguntou, ele queria que ela falasse, queria mesmo saber como ela estava. Mas ela não estava disposta a responder nada.
– Nem passou pela sua cabeça me avisar que iria voltar? Ou então me procurar antes?– Ela faz suas perguntas mas não queria que ele respondesse, não tinha uma justificativa para isso, ela queria que ele pedisse desculpa, mas ela sabia que ele nunca faria isso. – Lisa amanhã vai fazer uma semana que voltei, não...– Ele continuaria se fosse outra pessoa ou se eles estivessem em outros tempos, era a Melissa, sua melhor amiga que ele sempre adorou incomodar, aquela pessoa que ele irritava, só pra ver ela com raiva, ela nunca conseguia ficar brava com ele por muito tempo. – Foi mal eu deveria...
Ela não deu tempo para que ele pedisse desculpas, e o abraçou assim sem dizer nada a saudade que ela sentiu, era maior que a raiva ao saber que ele não a procurou antes.
– Você não devia ter feito isso, eu te odeio, mas senti tanto sua falta...– a respiração dela já estava irregular e a voz embargada, não queria o soltar nunca mais, e ele a abraçava com tanta força que parecia ter medo que ela fosse roubada de seus braços.
Depois de algum tempo ele afrouxou os braços que rodeava ela, com muito esforço se afastaram um do outro, como sentiu falta daquele abraço, como sentiu falta de estar na companhia dela.
– Fui um idiota, devia ter ido atrás de você...– Ele começou a falar mas logo foi interrompido, ela balançou a cabeça e sorriu de um jeito estranho, ela estava com vergonha.
– Você foi realmente um idiota, mas tudo bem,– ela estava começando a corar – faz uma semana, você devia estar ocupado – depois de uma pausa a expressão dela muda, e essa ele conhecia muito bem, ela fez um beicinho e forçou uma carinha de cachorro abandonado– Você nem devia lembrar que eu existia, quando me viu deve ter se assustado, deve ter pensado: Nossa aquela garota ali eu conheço de algum lugar, vou sequestrar ela para tentar lembrar da onde...– Ela caiu na gargalhada e não conseguiu mais fingir que estava magoada.
– Ei, eu não te sequestrei...– Thomas rebate, antes de cair na risada, ele a olhou sorrindo e percebeu o quanto ela havia mudado, mas apesar de tudo ela continuava sendo a sua Lisa que ele não trocaria por nada, e naquele instante tinha apenas uma certeza; nunca mais iria a deixar para trás.
Eles tinham muitos assuntos para colocar em dia, conversa vai conversa vem, Thomas tomou coragem de perguntar quem era o desconhecido do restaurante, Melissa sorriu amarga antes de responder.
– O nome dele é Nathan, e ele é novo aqui, se mudou com os pais. Essa semana deve ter ido umas 4 vezes no laboratório, na ultima ele me convidou para sair, não sei porque, mas aceitei. – Ele parece um cara legal.
– Ele é...– Melissa fica distante.
–O que aconteceu?
–Nada, acho que eu não devia ter saído daquele jeito...
–Desculpa– Thomas fala ao perceber que a culpa afinal era dele também, no entanto não resistiu em brincar – Você nunca suportou caras assim, eu fiquei tanto tempo assim fora?
Ela ri e gesticula com a cabeça em afirmativa.
–Eu devo ter enlouquecido... Ou talvez não seja eu, você já pensou na possibilidade de que enquanto você esteve fora eu possa ter sido abduzida por Et's e eles podem ter feito experiências com meu cérebro.
–Os Et's nunca iriam te abduzir, eles têm medo de que sua loucura seja contagiosa.– Thomas falou sério, mas não conseguiu manter-se assim por muito tempo, logo que olhou para ela e viu a expressão de quem parecia estar chocada, ela atuava como ninguém, ele teve que rir, como sentiu falta daquela garota.
–Senti falta do seu humor irritantemente sarcástico. –disse Melissa.
–Não tema, pois seu cavalheiro está de volta – disse Thomas fazendo uma pequena reverência.
Já estava tarde quando Thomas levou Melissa para casa, quando chegaram a mãe dela abriu a porta e comprimento Thomas, enquanto Lisa entrava.
– Boa noite Sra. Dantas –Boa noite Thomas, como está sua mãe? –Bem e a senhora?
–Estou bem, até mais Thomas. -disse ela adentrando a casa.
–Até– ele disse pra a Sra. Dantas.
– Boa noite Lisa.
–Boa noite Thomas.

CAPITULO II
Depois de colocar o pijama e se enterrar na cobertas, Lisa pegou o celular e lá estavam três mensagens:
Nathan, para Melissa às 19:36; "O que aconteceu? Para onde você foi?"
Nathan, para Melissa às 20:03; "Está tudo bem?"
A ultima mensagem era a unica que a deixava feliz era de Thomas:
Thomas, para Melissa às 00:24; "Oi, te vejo amanhã?"
Ela não sabia o que dizer, escreveu a unica verdade que poderia dizer a eles:
Melissa, para Nathan às 00:48; "Oi, desculpa. Estou bem, mas precisei ir embora."
Melissa, para Thomas às 00:50; "Oi, eu vou trabalhar amanhã."
Um instante depois o celular vibra,
Thomas, para Melissa às 00:51; "Te vejo amanhã, agora descansa, beijo."
Melissa, para Thomas às 00:52; "Ok, beijo."
Ela nem se deu ao trabalho de perguntar ele já havia ficado off, ela desligou o celular, fechou os olhos e dormiu rapidamente.

CAPITULO III

Já era quase cinco horas, o expediente de Melissa estava prestes a acabar, quando alguém entra no laboratório.
– Olá – que droga, Melissa não queria ter que dar explicações, não hoje, mas não havia para onde fugir, então depois de respirar fundo, sai de trás do balcão e vai de encontro com Nathan. – Oi.
– Olha você ai, está tudo bem? – Nathan pergunta, ele não parece bravo, tão pouco preocupado com o estado emocional dela.
– Estou, me desculpe por ontem, eu não devia ter indo embora daquele jeito.
– Não devia, o que diabos aconteceu?
Melissa não poderia dizer que o encontro foi um total desastre, não era culpa dele, era dela, que aceitou um encontro predestinado ao desastre.
– Eu não me senti bem, sinto muito mesmo.– ela se sentia péssima por mentir, mas isso era melhor que dizer a verdade, ao menos naquele momento.
Ele fez uma cara de incrédulo, mas não contestou as desculpas dela, foi interrompido antes, um cliente entrou no laboratório, Melissa sinalizou e disse:
– Preciso atender, – já se distanciando de Nathan, mas antes que conseguisse ir muito longe, ele a segurou pelo pulso e lhe disse:
– Quer sair hoje?
– Não posso,– ela disse ao se lembrar que Thomas havia dito que a veria hoje, e até aquele momento ele não havia aparecido, mas quando Thomas marcava algo com ela, ele sempre dava um jeito de aparecer.
Nathan soltou o braço dela sem saber o que dizer, Melissa não esperou que ele formulasse outra pergunta que ela não queria responder e foi em direção do cliente, logo depois o viu saindo do laboratório. Assim que acabou de atender ela fechou tudo, pegou seu casaco e saiu.

CAPITULO IV (inacabado)

Quando dobrou a esquina viu Thomas escorado no morro do outro lado da rua, ela atravessou e foi até ele. – E ai – ela cumprimentou, ele sorriu antes de responder. – Como vai princesa?– Ela riu, nunca gostou desse apelido, mas não se deu a trabalho de discutir, ele ofereceu o braço e ela aceito, e colocaram-se a andar na direção da casa de Melissa. Desde sua súbita chagada no dia anterior, ele não havia lhe dito por que voltou, o que o trouxe de volta, mas ela sentia que ele contaria para ela assim que estivesse reparado apesar de tamanha curiosidade que ela tinha, decidiu deixar que o amigo tomasse coragem por conta própria. Os assuntos eram tantos, falavam de como as pessoas mudaram, de seus antigos amigos, que por algum motivo acabaram se distanciando apesar de morarem na mesma cidade. – E Camile? - Thomas indaga depois de conversarem sobre alguns amigos. Melissa não entende o porque do nome naquele momento, elas nunca se deram bem, os pai de Camile eram vizinhos de Thomas antes de se mudarem para um bairro nobre da cidade, os pais dela eram ambos advogados e queria que a filha estudasse direito, mas para desgosto deles ela optou por estudar arte em uma cidade vizinha. No entanto ela volta e meia está pela cidade para a infelicidade de Melissa.

[...]
submitted by Luruisa to EscritoresBrasil [link] [comments]


2019.06.05 22:27 luchoalgusto Garota confusa demais!

Antes de tudo quero pedir perdão pelo meu português, moro na Espanha desde os 12 anos. Atualmente tenho 21 e a garota em questão 22
Faz alguns meses conheci uma garota brasileira também, muito linda e simpática por Instagram. Conversamos algumas vezes e vi que ela tinha namorado, rapidamente comecei a ver ela como amiga, nada além disso. Se bem que desde o primeiro momento eu pensei que ela era a garota perfeita, coincidíamos em absolutamente tudo. Sabendo que ela tinha namorado levei a relação simplemente como amigos. A final de contas ela é uma garota muito agradável. Nos vimos em pessoa algumas vezes, mas tudo ficou realmente na amizade, nada fora disso.
Sexta passada eu estava no bar enchendo a cara com os brother até que começo a conversar com ela pelas DMs do Instagram ela me falou que tinha aberto a relação com o namorado. Não vou mentir, naquele momento meu coração deu um leve aperto. Mas conversei numa boa. Perguntei como tava indo pros dois, aquele papinho. Até que mandei uma foto minha segurando a caneca de cerveja vazia. Ela perguntou se eu estava bebado, falei que ainda não hahahaha. Depois disso ela me diz que vai sair essa noite. Sem pretenção mandei aquele “Talvez a gente se veja”. Ela me respondeu dizendo que ia sair com o namorado.
Porque ela tem que me especificar que vai sair com o namorado? Justamente depois de ter me contando que estava em um relacionamento aberto. Não é estranho? Realmente fiquei confuso mas não dei mais bola para o assunto.
Até que no sábado ela responde um dos meus stories no Instagram perguntando se no domingo eu não queria sair tomar alguma coisa com ela. Otra fisgada no coração. Será que ela quer alguma coisa? Fazia bastante tempo que a gente não se via. Propus a ela de vir a minha casa fazer pão... Sim eu tenho o costume de fazer pão por lazer, todos meus amigos sabem disso. Ela ficou empolgada e disse que sim. Tudo foi como sempre conversa entre amigos. Tomamos duas cervejas enquanto fazíamos pão. Na hora que estávamos na sala esperando o pão ficar pronto ela me contou que teve seu primeiro encontro com um cara no tinder.
Então eu pensei: Se ela tá falando isso pra mim, obviamente ela não me vê como alguém pra ter alguma coisa. Ninguém vai contar isso pra alguém em que você está interesado, isso é um broxol.
Mas o único que ela disse era que o cara era muito baixinho, não falou mais sobre o assunto.
Então eu voltei pro meu palácio mental de análise: Eu sou um cara bem alto (1,90m) será que ela tava querendo dizer alguma coisa?
Ela não falou muito mais sobre o encontro com o cara até que eu perguntei. Ela me contou e depois falei brincando pra ela entrar no tinder e fazer swipe juntos. Realmente coisa de amigo gay, eu sei. Mas eu juro que eu achava que ela só me vê como amigo.
Depois disso eu cantei Ana Capricorniana no ukulele enquanto ela ficava olhando. Nada demais. Ela foi pra casa cada um seguiu seu caminho.
Até que hoje publiquei dizendo que queria uma camisa que tivesse escrito “Odeio negro e imigrantes” de forma irônica, claro. (Sou negro e imigrante). Ela respondeu o storie rindo. Eu falei que faria uma pra ela. Ela respondeu que não poderia usar porque ela é branca. Eu falei que ela poderia usar se tivesse perto de mim. Ela disse “Bom, já temos fantasia de carnaval então”.
Uma hora depois fiz uma enquete nos meus stories no Instagram com duas respostas “Crush ou Amigo”. Ela respondeu o storie dizendo que os dois. Minha única reação no momento foi dizer “Oh boy”. Ela depois me disse que eu sou um pouco crush tocando o Ukulele. Continuamos conversando fazendo piada meio que flertando. Até que eu vejo os meus stories que ela voltou lá e votou em Amigo. Eu respondi com um gif de uma garota brava. Ela disse “Ficou bravo” e mandou outro de um velho chorando.
Gente o que essa garota quer? Sou um maluco só caralho??
submitted by luchoalgusto to desabafos [link] [comments]


2019.06.02 06:31 thsixred Não sei se estou certo ou errado

Eu era um usuário de cocaina e também bebia bastante durante as minhas noitadas, até que um dia quando eu voltava para casa depois de ter usado umas das porções mais puras de toda a minha trajetória nessa vida, eu passei mal no caminho e as 3h sem ninguém na rua pra pedir ajuda eu chamei o Samu pra mim mesmo. Meu coração estava muito acelerado, mal conseguia respirar, então a atendente me passou para o médico e conversei com ele, que me orientou a comer alguma coisa somente. Deitei na calçada e fiquei esperando o mal estar passar para ir embora, e a partir desse dia resolvi que iria viver outra vida. Eu sempre gostei de ser livre, da vida noturna, por isso eu não tinha namorada pois não queria que alguém se apaixonasse de verdade por mim e ficasse sofrendo depois, o vício e a diversão vinham em primeiro lugar. Alguns de meus amigos largaram as drogas indo para a igreja, a maioria virando evangélicos. Como eu não sou religioso, resolvi que eu precisava de uma namorada, eu queria deixar o vício, mudar de bairro, mudar minha vida realmente. Foi quando eu aluguei uma casa e fui morar perto do trabalho e perto também de uma menina que eu conhecia há uns 5 anos. Começamos a namorar e como gostávamos muito de sexo, praticamente todos os dias, isso me ajudou muito a me distrair para ir parando de usar aos poucos e em alguns meses eu já tinha me afastado de todos os meus amigos usuários e já tinha parado por completo. Ela salvou minha vida, eu estava em um caminho sem volta e faço tudo o que está ao meu alcance por ela. Isso gerou um problema pois eu me afastei de praticamente todos os meus amigos e colegas, pois quem não virou evangélico continua usando drogas periodicamente. Me chamam para ir beber às vezes, dizem que é só um encontro pra conversar e relaxar mas eu não vou pois tenho medo de rolar uma recaída, então vou inventando desculpas e só nos falamos por whats e por redes sociais. Não nos falamos mais, na verdade eu tinha poucos amigos verdadeiros mesmo, mas como todo encontro que vier ocorrer vai ser acompanhado de bebidas prefiro não ir. Praticamente todos bebem. Estou muito feliz com ela, mas sinto muita falta daquela vida de doideras. Me afastei de tudo, temos uma linda filha e só isso é o que importa agora. Me desculpem é só um desabafo que eu precisava escrever.
submitted by thsixred to desabafos [link] [comments]


2019.03.13 16:16 kerfeus Preciso escolher a alternativa menos pior.

Bom, vamos lá! Sempre fui tímido, por isso, tenho poucos amigos e meus relacionamentos amorosos sempre foram curtos (não mais que 1 mês) e esporádicos.
Por volta dos meus 18 anos eu descobri que realmente queria trabalhar com Design e também cheguei a conclusão de que, em algum momento da minha vida, eu iria morar fora do país.
Os anos foram passando e tentei duas vezes fazer graduações que são corelacionadas com Design (aqui onde eu moro não tem Design) e ambas tentativas foram sem sucesso. Em contraste, desde os meus 18 anos trabalho com Design (atualmente estou com 23) e realmente gosto da coisa. O meu único problema é com os salários oferecidos aqui na minha cidade, por isso no último ano comecei trabalhar como freelancer pela internet.
Já que gosto tanto de Design, meu trabalho é online e sempre quis sair do país, resolvi então botar em prática o meu plano de fazer uma graduação de Design em Portugal. Juntei uma grana, ganhei outra do inventário do meu pai e iniciei a parte burocrática no início desse ano.
Até aqui parece que tudo está indo muito bem, né? Mas trabalhar em casa pode ser extremamente solitário, especialmente quando vc não tem namorada e seus poucos amigos quase não saem com você. Por isso comecei a ficar depressivo e cheguei a conclusão que não seria saudável ir pra outro país morar sozinho nessas condições.
Comecei a apelar então para os famigerados apps de relacionamento para conversar com pessoas, sabe? E, pasmem, consegui um fucking encontro no primeiro mês usando esses trekinhos. Pra alguns isso pode ser uma coisa normal, mas eu estava a quase 2 anos sem sair com ninguém (é sério, minha boca estava com teia de aranha).
Eu realmente não pensava que iria conseguir alguma coisa por ser tímido e ter essa vida monótona de ficar em casa 98% do tempo. Na minha cabeça, se arrumasse uns contatinhos pra conversar no whatsapp de vez em quando, já estaria no lucro. O fato é que não só consegui um encontro, como tbm acho que ele foi prazeroso pra ambos tanto que já temos um day 2 em vista.
E aí entra o primeiro ponto. Não tenho como rejeitar uma relação mais íntima/duradoura pois sinto que é justamente isso que falta pra mim nesse momento. Ao mesmo tempo, como me relacionar alguém sabendo que nos próximos 6 meses aquilo terá que acabar por conta do meu muito provável intercâmbio? A primeira coisa que veio na minha cabeça foi:
"Ah, relaxa. Essa tua história com a menina pode não dar em nada."
Retruquei meu própio pensamento "Sim é verdade, mas você sabe muito bem que vc não consegue ter relacionamentos vazios. Vc sempre se envolve emocionalmente e, se não for com essa, provavelmente será com outra.

O meu dilema é que estou prestes a morar longe da minha Mãe, irmãos, amigos, cidade natal pela primeira vez na minha vida e isso por si só é uma barra pesada pro emocional de qualquer um aguentar. Penso que talvez não seja prudente colocar uma futura namorada na equação, especialmente quando essa seria praticamente a sua primeira namorada (Já tive uma antes mas, por diversos motivos, não considero uma experiência real de namoro). Por outro lado, quando vc tem 23 anos e poucas experiências sociais, vc não vai querer jogar fora a chance ter um relacionamento legal com alguém e talvez fazer até novos amigos.
Então, me isolo socialmente pra não conhecer novas pessoas e ferro com o meu psicológico, conheço novas pessoas e me permito ter relacionamentos e pioro drásticamente a experiência de partida, ou boicoto minha carreira e adio a experiência de ir pro exterior pra vivenciar essas coisas "novas" por mais tempo?
submitted by kerfeus to desabafos [link] [comments]


2019.02.22 21:29 13FHY Tobby whity

Era uma tarde de verão os raios de sol entravam pela janela enquanto minha mãe fazia sanduíches na cozinha até que ouvimos uma batida na porta eu me levanto correndo pensando que seria meu pai...mas não,nao era ele...quem estava ali era um homem alto de terno ele tinha um sorriso largo no rosto e me olhava carinhosamente depois de longos minutos minha mãe apareceu atrás de mim olhando para o homem
"Quem é você?" Minha mãe falava com uma expressão confusa e ao mesmo tempo seria
"Sou um amigo do seu marido" minha mãe pareceu confusa mas acentiu deixando o homem entrar eu segui os dois até a sala olhando o homem se sentar na poltrona do meu pai com a perna cruzada sorrindo para minha mãe que logo fez menção de retribuir
"Qual seu nome pequeno?" Eu despertei de meus devaneios e encarei o homem a minha frente
"S-sou o Lucas" o homem sorriu e inclinou-se com a cabeça na sua mão
"Sou Diana e você?" Minha mãe tentava disfarçar a desconfiança em sua voz mas eu sabia que ela estava desconfiada daquele estranho amigo do meu pai
"Sou o tobby whity" minha mãe concorda novamente até que ouvimos um barulho na porta minha mãe se apressa em atender e meu pai entra na sala estava ofegante e com as roupas meias desajeitadas que o normal
"Acho melhor você subir pequeno Lucas" o homem falou me olhando...Eu olho para meus pais e meu pai concorda com a cabeça eu levanto e vou para o meu quarto confuso fechando a porta atrás de mim fiquei horas e horas sentado na cama entediado
"F-filho desc-ça por favor" meu pai guaguejou lá de baixo era estranho o que tinha acontecido para ele ficar daquele Jeito. desci as escadas correndo encontrando minha mãe com a expressão de medo e meu pai com algumas lágrimas nos olhos aquele homem continuava com o sorriso
"O tobby vai ficar por um tempo com a gente trate ele bem" não entendi muito bem mas concordei com a cabeça tobby que estava ao lado dos meus pais veio até mim pondo as suas mãos nos meus ombros
"Espero que sejamos amigos pequeno" tobby fala
"S-sim" aquilo tudo estava me assustando muito mas decidi ficar quieto e obedecer tudo.
(1991)
Estava no sofá lendo um livro que tinha ganhado de presente do tobby ele era legal comigo comprava doces e me levava para todos os lugares que meus pais não deixavam
"Você gostou mesmo deste livro não é" eu olho para ele que estava sentado à minha frente. Eu abaixo meu livro e respondo sua pergunta
"Acho que sim" sorrio meio sem jeito agora olhando o livro
"Ele fala sobre o que"
"Ahn....sobre o amor de dois jovens" ele sorri se levantando e vindo em minha direção logo se sentando do meu lado com a umas de suas mãos atrás da minha cabeça e a outra ficou na minha coxa alisando ela lentamente
"Não...mas foi uma ótima resposta...vou te dizer o que e o amor" ele fez uma breve pausa mas logo começou a falar novamente
"O amor e quando você ama tanto uma pessoa que quer fuder com ela de qualquer jeito e morreria se não fizesse...isso é o amor" eu estava paralisado queria empurra-lo e sair correndo o mais rápido e me trancar no meu quarto mas eu não me mexia meu corpo não obedecia meus comandos
"Você ama alguém assim" Ele sussurra perto do meu ouvido me fazendo arrepiar. Eu balanço a cabeça negando enquanto ele continuava com suas mãos na minha coxa mas agora apertava um pouco mais elas
"E-eu quer-ro ir embora" estava tremendo sentia as lágrimas descerem pelo meu rosto sinto o sorriso de tobby aumentar e assim Ele beija minha bochecha molhada pelas lágrimas
"Somos amigos não somos...confie em mim" ele agora escorregou sua mão pela minha cintura apertando firmemente e com a outra pegou meu queixo e virou meu rosto de encontro ao seu assim me beijando. Senti sua língua na minha senti seu gosto se misturar com o meu. Eu tentava empurra-lo mas suas mãos forçavam minha nuca a aprofundar o beijo....depois de longos minutos ele me solta deixando uma fina camada de saliva eu o olhava apavorado enquanto ele sorria
"Esse foi seu primeiro beijo" eu me sentia enjoado queria soca-lo e fugir e nunca encontrá-lo novamente queria correr para os braços dos Meus pais e contar tudo mas também algo martelava em minha mente como eles iriam reagir com nojo por seu único filho beijar outro homem eles iriam me odiar ou iriam me apoiar
"Tsc você não pode contar isso para ninguém vai ser nosso segredo" eu engulo em seco e concordo com a cabeça ele chega mais perto
"Eu vou ir no seu quarto hoje a noite deixe a porta aberta" ele sussurra saindo e me soltando me deixando sozinho...Eu limpo as lágrimas e tento me acalmar
(20:30)
Tinha acabado de comer estava deitado na minha cama com os olhos arregalados olhando a porta a escuridão tomava conta do corredor me deixando mais assustado.
Me viro paro o lado tentando não olhar muito para o corredor...Estava quase pegando no sono quando sinto a cama ao meu lado afundar e mãos tocarem minha pele por debaixo da camisa sinto a respiração no meu pescoço e o medo começar a florescer dentro de mim pelo que vinha a seguir. Minhas calças estavam sendo tiradas junto com minha cueca e assim me virando afundo minha cabeça no travesseiro enquanto sinto lágrimas molharem ele sinto a pessoa se deitar sobre mim e começar a beijar minhas costas e dar fortes mordidas eu já não aguentava segurar o grito então ele põe uma fita em minha boca e também amarrando minhas mãos nas madeiras da cama. Ele levanta meu quadril batendo fortemente em uma de minhas nadegas eu chorei mais meus cabelos grudavam no meu rosto e logo depois senti uma dor insuportável nas minhas partes íntimas eu tentava a todo custo me desprender das amarras mas era inútil a dor só aumentava enquanto eu me mexia para tentar escapar. Minhas pernas que antes estavam levantadas agora escorregavam pelo colchão mas mãos seguraram minha cintura me levantando novamente a posição atual só que agora me movimentando para frente e para trás fazendo a cama ranger e bater na parede eu esperava que meus pais ouvissem e viessem me socorrer....mas nada aconteceu ele continuou com isso em diferentes posições e quando tudo acabou estava cheio de marcas meu corpo todo doia minha cabeça doia e senti alguém bater forte em minhas coxas eu levanto num pulo
"Levante precisa tomar um café" ele estava com uma camisa branca e calças pretas sorrindo abertamente eu novamente me senti enjoado lembrando das cenas minutos atrás
"Ou você quer ficar aqui na cama e maratonar comigo" ele se aproximou com um sorriso malicioso no rosto eu rapidamente me levantei e pedi para ele sair enquanto iria trocar de roupa....ele obedece enquanto eu visto minhas roupas tentando ao máximo não parecer machucado ou assustado.
Desço as escadas encontrando meus pais e tobby sentados mas tinha algo estranho tobby estava sentado na poltrona do papai junto com ele minha mãe servia café sorrindo abertamente e meu pai no sofá ao lado cabisbaixo
"P-papai" eu guaguejei todos olhavam para mim fui andando ignorando a dor que estava me incomodando e parei em sua frente
"Filho t-tudo bem" Eu sabia que ele estava forçando um sorriso mas eu deixei de lado e acenti olhei novamente para minha mãe e seus olhos estavam inchados e vermelhos mas continuava sorrindo....tobby me olhava de cima abaixo minha mãe percebeu e entrou na sua frente fazendo ele olhar diretamente para ela
"Quer mais café" ela fala ainda com o sorriso no rosto meu pai pega na minha mão e sussurra para ir brincar com as outras crianças eu concordo saindo indo até a casa da frente onde tinha uma garota mais velha que eu chego lá e bato na porta sua mãe abre estava estranha olhos vermelhos e suas bochechas estavam vermelhas
"O-oi Paulo....o que f-faz aqui"
"Vim...brincar com a rose"
"Rose...ah ela está mal"
"Tudo bem" Eu abaixo minha cabeça e volto para casa mas até que vejo o vizinho do lado estava saindo de sua casa seu braço enfaixado junto com seu olho roxo ele me olha e da um leve sorriso
"Filho vem vamos sair" minha mãe com meu pai saindo às pressas da casa ela me pega pela mão e me guiando até o carro eles me levaram para o shopping e ficamos comendo e passeando por todo lugar voltamos de noite para casa minha mãe me mandou ir direto para o quarto e não sair até Amanhecer...Eu achei estranho mas obedeci tobby não foi essa noite o que me tranquilizou mas logo escutei uns barulhos e vozes vindo de lá debaixo.... eu lembro que minha mãe me disse para não sair mas a curiosidade era maior então eu desço as escadas silenciosamente mas paro em um dos degraus meus pais estavam em volta e tinha mais os vizinhos tobby estava amarrado em uma cadeira sorrindo
"Chegou a sua hora desgraçado" o vizinho da casa ao lado falava enquanto olhava com raiva para tobby
"Vamos te matar você desgraçou demais nossas vidas" Rose a vizinha da frente de minha casa falava
"Queime no inferno filha da puta" meu pai falava bem em frente ao rosto de tobby depois se afastou tirando uma arma da cintura e apontando na cabeça dele enquanto sorria
"Você vai queimar no inferno quando eu vim te buscar junto com a vadia de sua mulher"
"Cala a boca seu merda" meu pai cuspia as palavras mas tobby não parou
"E sabe o que vou fazer com seu filho vou fuder de novo ele até não conseguir mais andar" eu estremeci os vizinhos olhavam apavorados e com nojo ao mesmo tempo meu pai apertou o gatilho...o som alto fez eu tampar meus ouvidos mas logo tiro eles quando ouço a risada de tobby ele levanta a cabeça e um líquido preto saia de sua testa mas logo em seguida uma dor de cabeça forte me atingiu e da minha testa saiu um pouco de sangue
"Que merda e isso" o outro vizinho falava minha mãe grita para a vizinha pegar um galão de gasolina e ela obedece e volta correndo derramando em tobby meu pai pega o fosforo e acende tocando no corpo de tobby...ele não se mexia nem gritava até que seus olhos encontram o meu e seu sorriso se alarga mais eu corro novamente para o quarto só que desta vez suava parecia que estava queimando por dentro consegui dormir mas com muita dificuldade minha mãe me acordou chacoalhando ela estava com a expressão preocupada
"O que" perguntei ofegante aquela queimação não parava minhas bochechas ardiam
"Esta com febre" ela me pegou e entrou no carro pude ver uma parte do chão preto na sala efeito da noite de ontem minha mãe acelerou e conseguimos chegar no hospital a tempo o médico me examinou e receitou um remédio e repouso
"Mamãe vai ir pra casa por um segundo e já volta ta" ela falou beijando minha testa e logo cobrindo com o pano molhado eu aceno com a cabeça e ela fecha a porta atras dela....Eu fiquei esperando por horas ela voltar mas nunca a vizinha veio me buscar já era 20:30 ela tinha me deixado lá as 7 da manhã
"Olha ela deve ta trabalhando muito e não teve tempo" a vizinha tentava me confortar mas eu ficava mais apreensivo chegando na minha casa corri e abri a porta cai no chão naquele exato momento cabeça do meu pai e minha mãe penduradas seus corpos estavam na mesa com os órgãos para fora as paredes sujas de sangue e palavras escritas em sangue
"Estou dentro de você pequeno"
A vizinha liga para a polícia imediatamente enquanto outros vizinhos tentam me confortar a polícia prometeu achar o assassino o caso foi noticiado nas mídias e algumas falavam mentiras sobre drogas e outras coisas fui morar com minha tia depois disso e agora com 13 anos estudo em uma escola particular tecnicamente vivo feliz mas aquilo sempre irá me encomodar principalmente agora que estou sozinho em casa e tem um homem na esquina olhando minha casa.
submitted by 13FHY to u/13FHY [link] [comments]


2018.12.29 18:18 sorvetegatinho A causa secreta

Garcia, em pé, mirava e estalava as unhas; Fortunato, na cadeira de balanço, olhava para o teto; Maria Luísa, perto da janela, concluía um trabalho de agulha. Havia já cinco minutos que nenhum deles dizia nada. Tinham falado do dia, que estivera excelente, - de Catumbi, onde morava o casal Fortunato, e de uma casa de saúde, que adiante se explicará. Como os três personagens aqui presentes estão agora mortos e enterrados, tempo é de contar a história sem rebuço.
Tinham falado também de outra coisa, além daquelas três, coisa tão feia e grave, que não lhes deixou muito gosto para tratar do dia, do bairro e da casa de saúde. Toda a conversação a este respeito foi constrangida. Agora mesmo, os dedos de Maria Luísa parecem ainda trêmulos, ao passo que há no rosto de Garcia uma expressão de severidade, que lhe não é habitual. Em verdade, o que se passou foi de tal natureza, que para fazê-lo entender é preciso remontar à origem da situação.
Garcia tinha-se formado em medicina, no ano anterior, 1861. No de 1860, estando ainda na Escola, encontrou-se com Fortunato, pela primeira vez, à porta da Santa Casa; entrava, quando o outro saía. Fez-lhe impressão a figura; mas, ainda assim, tê-la-ia esquecido, se não fosse o segundo encontro, poucos dias depois. Morava na rua de D. Manoel. Uma de suas raras distrações era ir ao teatro de S. Januário, que ficava perto, entre essa rua e a praia; ia uma ou duas vezes por mês, e nunca achava acima de quarenta pessoas. Só os mais intrépidos ousavam estender os passos até aquele recanto da cidade. Uma noite, estando nas cadeiras, apareceu ali Fortunato, e sentou-se ao pé dele.
A peça era um dramalhão, cosido a facadas, ouriçado de imprecações e remorsos; mas Fortunato ouvia-a com singular interesse. Nos lances dolorosos, a atenção dele redobrava, os olhos iam avidamente de um personagem a outro, a tal ponto que o estudante suspeitou haver na peça reminiscências pessoais do vizinho. No fim do drama, veio uma farsa; mas Fortunato não esperou por ela e saiu; Garcia saiu atrás dele. Fortunato foi pelo beco do Cotovelo, rua de S. José, até o largo da Carioca. Ia devagar, cabisbaixo, parando às vezes, para dar uma bengalada em algum cão que dormia; o cão ficava ganindo e ele ia andando. No largo da Carioca entrou num tílburi, e seguiu para os lados da praça da Constituição. Garcia voltou para casa sem saber mais nada.
Decorreram algumas semanas. Uma noite, eram nove horas, estava em casa, quando ouviu rumor de vozes na escada; desceu logo do sótão, onde morava, ao primeiro andar, onde vivia um empregado do arsenal de guerra. Era este que alguns homens conduziam, escada acima, ensangüentado. O preto que o servia acudiu a abrir a porta; o homem gemia, as vozes eram confusas, a luz pouca. Deposto o ferido na cama, Garcia disse que era preciso chamar um médico.
Garcia olhou: era o próprio homem da Santa Casa e do teatro. Imaginou que seria parente ou amigo do ferido; mas rejeitou a suposição, desde que lhe ouvira perguntar se este tinha família ou pessoa próxima. Disse-lhe o preto que não, e ele assumiu a direção do serviço, pediu às pessoas estranhas que se retirassem, pagou aos carregadores, e deu as primeiras ordens. Sabendo que o Garcia era vizinho e estudante de medicina pediu-lhe que ficasse para ajudar o médico. Em seguida contou o que se passara.
Médico e subdelegado vieram daí a pouco; fez-se o curativo, e tomaram-se as informações. O desconhecido declarou chamar-se Fortunato Gomes da Silveira, ser capitalista, solteiro, morador em Catumbi. A ferida foi reconhecida grave. Durante o curativo ajudado pelo estudante, Fortunato serviu de criado, segurando a bacia, a vela, os panos, sem perturbar nada, olhando friamente para o ferido, que gemia muito. No fim, entendeu-se particularmente com o médico, acompanhou-o até o patamar da escada, e reiterou ao subdelegado a declaração de estar pronto a auxiliar as pesquisas da polícia. Os dois saíram, ele e o estudante ficaram no quarto.
Garcia estava atônito. Olhou para ele, viu-o sentar-se tranqüilamente, estirar as pernas, meter as mãos nas algibeiras das calças, e fitar os olhos no ferido. Os olhos eram claros, cor de chumbo, moviam-se devagar, e tinham a expressão dura, seca e fria. Cara magra e pálida; uma tira estreita de barba, por baixo do queixo, e de uma têmpora a outra, curta, ruiva e rara. Teria quarenta anos. De quando em quando, voltava-se para o estudante, e perguntava alguma coisa acerca do ferido; mas tornava logo a olhar para ele, enquanto o rapaz lhe dava a resposta. A sensação que o estudante recebia era de repulsa ao mesmo tempo que de curiosidade; não podia negar que estava assistindo a um ato de rara dedicação, e se era desinteressado como parecia, não havia mais que aceitar o coração humano como um poço de mistérios.
Fortunato saiu pouco antes de uma hora; voltou nos dias seguintes, mas a cura fez-se depressa, e, antes de concluída, desapareceu sem dizer ao obsequiado onde morava. Foi o estudante que lhe deu as indicações do nome, rua e número.
Correu a Catumbi daí a seis dias. Fortunato recebeu-o constrangido, ouviu impaciente as palavras de agradecimento, deu-lhe uma resposta enfastiada e acabou batendo com as borlas do chambre no joelho. Gouvêa, defronte dele, sentado e calado, alisava o chapéu com os dedos, levantando os olhos de quando em quando, sem achar mais nada que dizer. No fim de dez minutos, pediu licença para sair, e saiu.
O pobre-diabo saiu de lá mortificado, humilhado, mastigando a custo o desdém, forcejando por esquecê-lo, explicá-lo ou perdoá-lo, para que no coração só ficasse a memória do benefício; mas o esforço era vão. O ressentimento, hóspede novo e exclusivo, entrou e pôs fora o benefício, de tal modo que o desgraçado não teve mais que trepar à cabeça e refugiar-se ali como uma simples idéia. Foi assim que o próprio benfeitor insinuou a este homem o sentimento da ingratidão.
Tudo isso assombrou o Garcia. Este moço possuía, em gérmen, a faculdade de decifrar os homens, de decompor os caracteres, tinha o amor da análise, e sentia o regalo, que dizia ser supremo, de penetrar muitas camadas morais, até apalpar o segredo de um organismo. Picado de curiosidade, lembrou-se de ir ter com o homem de Catumbi, mas advertiu que nem recebera dele o oferecimento formal da casa. Quando menos, era-lhe preciso um pretexto, e não achou nenhum.
Tempos depois, estando já formado e morando na rua de Matacavalos, perto da do Conde, encontrou Fortunato em uma gôndola, encontrou-o ainda outras vezes, e a freqüência trouxe a familiaridade. Um dia Fortunato convidou-o a ir visitá-lo ali perto, em Catumbi.
Garcia foi lá domingo. Fortunato deu-lhe um bom jantar, bons charutos e boa palestra, em companhia da senhora, que era interessante. A figura dele não mudara; os olhos eram as mesmas chapas de estanho, duras e frias; as outras feições não eram mais atraentes que dantes. Os obséquios, porém, se não resgatavam a natureza, davam alguma compensação, e não era pouco. Maria Luísa é que possuía ambos os feitiços, pessoa e modos. Era esbelta, airosa, olhos meigos e submissos; tinha vinte e cinco anos e parecia não passar de dezenove. Garcia, à segunda vez que lá foi, percebeu que entre eles havia alguma dissonância de caracteres, pouca ou nenhuma afinidade moral, e da parte da mulher para com o marido uns modos que transcendiam o respeito e confinavam na resignação e no temor. Um dia, estando os três juntos, perguntou Garcia a Maria Luísa se tivera notícia das circunstâncias em que ele conhecera o marido.
Contou o caso da rua de D. Manoel. A moça ouviu-o espantada. Insensivelmente estendeu a mão e apertou o pulso ao marido, risonha e agradecida, como se acabasse de descobrir-lhe o coração. Fortunato sacudia os ombros, mas não ouvia com indiferença. No fim contou ele próprio a visita que o ferido lhe fez, com todos os pormenores da figura, dos gestos, das palavras atadas, dos silêncios, em suma, um estúrdio. E ria muito ao contá-la. Não era o riso da dobrez. A dobrez é evasiva e oblíqua; o riso dele era jovial e franco.
" Singular homem!" pensou Garcia.
Maria Luísa ficou desconsolada com a zombaria do marido; mas o médico restituiu-lhe a satisfação anterior, voltando a referir a dedicação deste e as suas raras qualidades de enfermeiro; tão bom enfermeiro, concluiu ele, que, se algum dia fundar uma casa de saúde, irei convidá-lo.
Garcia recusou nesse e no dia seguinte; mas a idéia tinha-se metido na cabeça ao outro, e não foi possível recuar mais. Na verdade, era uma boa estréia para ele, e podia vir a ser um bom negócio para ambos. Aceitou finalmente, daí a dias, e foi uma desilusão para Maria Luísa. Criatura nervosa e frágil, padecia só com a idéia de que o marido tivesse de viver em contato com enfermidades humanas, mas não ousou opor-se-lhe, e curvou a cabeça. O plano fez-se e cumpriu-se depressa. Verdade é que Fortunato não curou de mais nada, nem então, nem depois. Aberta a casa, foi ele o próprio administrador e chefe de enfermeiros, examinava tudo, ordenava tudo, compras e caldos, drogas e contas.
Garcia pôde então observar que a dedicação ao ferido da rua D. Manoel não era um caso fortuito, mas assentava na própria natureza deste homem. Via-o servir como nenhum dos fâmulos. Não recuava diante de nada, não conhecia moléstia aflitiva ou repelente, e estava sempre pronto para tudo, a qualquer hora do dia ou da noite. Toda a gente pasmava e aplaudia. Fortunato estudava, acompanhava as operações, e nenhum outro curava os cáusticos.
A comunhão dos interesses apertou os laços da intimidade. Garcia tornou-se familiar na casa; ali jantava quase todos os dias, ali observava a pessoa e a vida de Maria Luísa, cuja solidão moral era evidente. E a solidão como que lhe duplicava o encanto. Garcia começou a sentir que alguma coisa o agitava, quando ela aparecia, quando falava, quando trabalhava, calada, ao canto da janela, ou tocava ao piano umas músicas tristes. Manso e manso, entrou-lhe o amor no coração. Quando deu por ele, quis expeli-lo para que entre ele e Fortunato não houvesse outro laço que o da amizade; mas não pôde. Pôde apenas trancá-lo; Maria Luísa compreendeu ambas as coisas, a afeição e o silêncio, mas não se deu por achada.
No começo de outubro deu-se um incidente que desvendou ainda mais aos olhos do médico a situação da moça. Fortunato metera-se a estudar anatomia e fisiologia, e ocupava-se nas horas vagas em rasgar e envenenar gatos e cães. Como os guinchos dos animais atordoavam os doentes, mudou o laboratório para casa, e a mulher, compleição nervosa, teve de os sofrer. Um dia, porém, não podendo mais, foi ter com o médico e pediu-lhe que, como coisa sua, alcançasse do marido a cessação de tais experiências.
Maria Luísa acudiu, sorrindo:
Garcia alcançou prontamente que o outro acabasse com tais estudos. Se os foi fazer em outra parte, ninguém o soube, mas pode ser que sim. Maria Luísa agradeceu ao médico, tanto por ela como pelos animais, que não podia ver padecer. Tossia de quando em quando; Garcia perguntou-lhe se tinha alguma coisa, ela respondeu que nada.
Não deu o pulso, e retirou-se. Garcia ficou apreensivo. Cuidava, ao contrário, que ela podia ter alguma coisa, que era preciso observá-la e avisar o marido em tempo.
Dois dias depois, - exatamente o dia em que os vemos agora, - Garcia foi lá jantar. Na sala disseram-lhe que Fortunato estava no gabinete, e ele caminhou para ali; ia chegando à porta, no momento em que Maria Luísa saía aflita.
Garcia lembrou-se que na véspera ouvira ao Fortunato queixar-se de um rato, que lhe levara um papel importante; mas estava longe de esperar o que viu. Viu Fortunato sentado à mesa, que havia no centro do gabinete, e sobre a qual pusera um prato com espírito de vinho. O líquido flamejava. Entre o polegar e o índice da mão esquerda segurava um barbante, de cuja ponta pendia o rato atado pela cauda. Na direita tinha uma tesoura. No momento em que o Garcia entrou, Fortunato cortava ao rato uma das patas; em seguida desceu o infeliz até a chama, rápido, para não matá-lo, e dispôs-se a fazer o mesmo à terceira, pois já lhe havia cortado a primeira. Garcia estacou horrorizado.
E com um sorriso único, reflexo de alma satisfeita, alguma coisa que traduzia a delícia íntima das sensações supremas, Fortunato cortou a terceira pata ao rato, e fez pela terceira vez o mesmo movimento até a chama. O miserável estorcia-se, guinchando, ensangüentado, chamuscado, e não acabava de morrer. Garcia desviou os olhos, depois voltou-os novamente, e estendeu a mão para impedir que o suplício continuasse, mas não chegou a fazê-lo, porque o diabo do homem impunha medo, com toda aquela serenidade radiosa da fisionomia. Faltava cortar a última pata; Fortunato cortou-a muito devagar, acompanhando a tesoura com os olhos; a pata caiu, e ele ficou olhando para o rato meio cadáver. Ao descê-lo pela quarta vez, até a chama, deu ainda mais rapidez ao gesto, para salvar, se pudesse, alguns farrapos de vida.
Garcia, defronte, conseguia dominar a repugnância do espetáculo para fixar a cara do homem. Nem raiva, nem ódio; tão-somente um vasto prazer, quieto e profundo, como daria a outro a audição de uma bela sonata ou a vista de uma estátua divina, alguma coisa parecida com a pura sensação estética. Pareceu-lhe, e era verdade, que Fortunato havia-o inteiramente esquecido. Isto posto, não estaria fingindo, e devia ser aquilo mesmo. A chama ia morrendo, o rato podia ser que tivesse ainda um resíduo de vida, sombra de sombra; Fortunato aproveitou-o para cortar-lhe o focinho e pela última vez chegar a carne ao fogo. Afinal deixou cair o cadáver no prato, e arredou de si toda essa mistura de chamusco e sangue.
Ao levantar-se deu com o médico e teve um sobressalto. Então, mostrou-se enraivecido contra o animal, que lhe comera o papel; mas a cólera evidentemente era fingida.
"Castiga sem raiva", pensou o médico, "pela necessidade de achar uma sensação de prazer, que só a dor alheia lhe pode dar: é o segredo deste homem".
Fortunato encareceu a importância do papel, a perda que lhe trazia, perda de tempo, é certo, mas o tempo agora era-lhe preciosíssimo. Garcia ouvia só, sem dizer nada, nem lhe dar crédito. Relembrava os atos dele, graves e leves, achava a mesma explicação para todos. Era a mesma troca das teclas da sensibilidade, um diletantismo sui generis, uma redução de Calígula.
Quando Maria Luísa voltou ao gabinete, daí a pouco, o marido foi ter com ela, rindo, pegou-lhe nas mãos e falou-lhe mansamente:
E voltando-se para o médico:
Maria Luísa defendeu-se a medo, disse que era nervosa e mulher; depois foi sentar-se à janela com as suas lãs e agulhas, e os dedos ainda trêmulos, tal qual a vimos no começo desta história. Hão de lembrar-se que, depois de terem falado de outras coisas, ficaram calados os três, o marido sentado e olhando para o teto, o médico estalando as unhas. Pouco depois foram jantar; mas o jantar não foi alegre. Maria Luísa cismava e tossia; o médico indagava de si mesmo se ela não estaria exposta a algum excesso na companhia de tal homem. Era apenas possível; mas o amor trocou-lhe a possibilidade em certeza; tremeu por ela e cuidou de os vigiar.
Ela tossia, tossia, e não se passou muito tempo que a moléstia não tirasse a máscara. Era a tísica, velha dama insaciável, que chupa a vida toda, até deixar um bagaço de ossos. Fortunato recebeu a notícia como um golpe; amava deveras a mulher, a seu modo, estava acostumado com ela, custava-lhe perdê-la. Não poupou esforços, médicos, remédios, ares, todos os recursos e todos os paliativos. Mas foi tudo vão. A doença era mortal.
Nos últimos dias, em presença dos tormentos supremos da moça, a índole do marido subjugou qualquer outra afeição. Não a deixou mais; fitou o olho baço e frio naquela decomposição lenta e dolorosa da vida, bebeu uma a uma as aflições da bela criatura, agora magra e transparente, devorada de febre e minada de morte. Egoísmo aspérrimo, faminto de sensações, não lhe perdoou um só minuto de agonia, nem lhos pagou com uma só lágrima, pública ou íntima. Só quando ela expirou, é que ele ficou aturdido. Voltando a si, viu que estava outra vez só.
De noite, indo repousar uma parenta de Maria Luísa, que a ajudara a morrer, ficaram na sala Fortunato e Garcia, velando o cadáver, ambos pensativos; mas o próprio marido estava fatigado, o médico disse-lhe que repousasse um pouco.
Fortunato saiu, foi deitar-se no sofá da saleta contígua, e adormeceu logo. Vinte minutos depois acordou, quis dormir outra vez, cochilou alguns minutos, até que se levantou e voltou à sala. Caminhava nas pontas dos pés para não acordar a parenta, que dormia perto. Chegando à porta, estacou assombrado.
Garcia tinha-se chegado ao cadáver, levantara o lenço e contemplara por alguns instantes as feições defuntas. Depois, como se a morte espiritualizasse tudo, inclinou-se e beijou-a na testa. Foi nesse momento que Fortunato chegou à porta. Estacou assombrado; não podia ser o beijo da amizade, podia ser o epílogo de um livro adúltero. Não tinha ciúmes, note-se; a natureza compô-lo de maneira que lhe não deu ciúmes nem inveja, mas dera-lhe vaidade, que não é menos cativa ao ressentimento.
Olhou assombrado, mordendo os beiços.
Entretanto, Garcia inclinou-se ainda para beijar outra vez o cadáver; mas então não pôde mais. O beijo rebentou em soluços, e os olhos não puderam conter as lágrimas, que vieram em borbotões, lágrimas de amor calado, e irremediável desespero. Fortunato, à porta, onde ficara, saboreou tranqüilo essa explosão de dor moral que foi longa, muito longa, deliciosamente longa.
submitted by sorvetegatinho to historias_de_terror [link] [comments]


2018.01.04 00:28 fidjudisomada [Post-Match Thread] Primeira Liga 2017/18, 16.ª Jornada: SL Benfica 1-1 Sporting CP

TANTO BENFICA!...
Com uma grande exibição no dérbi na 16.ª jornada da Liga NOS, a equipa de Rui Vitória carregou, enfrentou decisões de arbitragem adversas, tentou o golo de diferentes formas, mas o que fica para as contas e história deste campeonato é uma igualdade: 1-1.
O Benfica sofreu um golo aos 19' precedido de infração (fora de jogo não assinalado a Acuña), carregou para igualar e virar o resultado, insistiu, forçou, rematou, teve bolas neutralizadas em cima da linha de baliza, acertou no ferro, assistiu a decisões polémicas de arbitragem (com videoárbitro incluído); porfiou ainda mais no segundo tempo, rondou o golo por diversas vezes, viu a bola passar duas vezes rente ao poste direito, arriscou taticamente, teve quase 60% de posse de bola, rematou mais de 20 vezes… mas a recompensa surgiu apenas aos 90’, com Jonas a faturar na conversão de um penálti.
O 1-1 no dérbi com o Sporting, na 16.ª jornada da Liga NOS, foi um prémio minúsculo para tanto Benfica, sempre apoiado por um público incansável, no Estádio da Luz.
O Benfica sofreu um golo aos 19' precedido de infração (fora de jogo não assinalado a Acuña), carregou para igualar e virar o resultado, insistiu, forçou, rematou, teve bolas neutralizadas em cima da linha de baliza, acertou no ferro, assistiu a decisões polémicas de arbitragem (com videoárbitro incluído); porfiou ainda mais no segundo tempo, rondou o golo por diversas vezes, viu a bola passar duas vezes rente ao poste direito, arriscou taticamente, teve quase 60% de posse de bola, rematou mais de 20 vezes… mas a recompensa surgiu apenas aos 90’, com Jonas a faturar na conversão de um penálti.
O 1-1 no dérbi com o Sporting, na 16.ª jornada da Liga NOS, foi um prémio minúsculo para tanto Benfica, sempre apoiado por um público incansável, no Estádio da Luz.
Agressivo, pressionante e desinibido, o Benfica quis ser a equipa com mais iniciativa logo no arranque do dérbi. Com circulação de bola larga, as águias procuraram explorar as faixas laterais, com André Almeida e Salvio a combinarem na direita, e Grimaldo e Cervi a entenderem-se na esquerda.
Jonas, aos 6’, invadiu a área do Sporting pela esquerda e cruzou rasteiro, mas nenhum companheiro apareceu para encostar e fazer o primeiro golo da noite. Aos 17’, de fora da área, Krovinovic usou o pé esquerdo para visar a baliza do Sporting, mas o remate não levou a direção desejada.
Do outro lado do campo, a fortuna foi total para o Sporting: um remate de Fábio Coentrão no interior da área acertou nas pernas de Rúben Dias, com a bola a ressaltar e a ganhar altura para ser cabeceada por Gelson para as redes encarnadas, num lance que as imagens mostram ter tido início numa intervenção de Acuña em posição irregular. Assim não entendeu o videoárbitro Tiago Martins.
A reação do Benfica ao bambúrrio foi pronta e enérgica e o 1-1 só não foi selado aos 24’ porque Piccini fez de Rui Patrício e sobre a linha de baliza evitou que a bola cabeceada por Jardel, após centro de Salvio, beijasse as malhas.
Com mais bola e vontade de igualar a partida, o Benfica beneficiou de vários pontapés de canto, quase todos do lado esquerdo da forma como atacava. Num deles, aos 28’, Jardel saltou na área leonina e acabou por cair, reclamando falta de Fábio Coentrão para penálti. A arbitragem, porém, decidiu em sentido contrário, mandando jogar.
Aos 32’, mais uma excelente elaboração do ataque do Benfica, com Krovinovic e Jonas em ação, cabendo a este último a finalização, errando a baliza por pouco.
Aos 34’, mais uma soberana hipótese para o Benfica chegar à igualdade: Jonas rematou, Coentrão bloqueou a bola (com a cara ou com o braço direito? A primeira das duas hipóteses, na perspetiva do árbitro e do videoárbitro); no desenvolvimento do lance, Krovinovic encheu o pé esquerdo e acertou na barra! Jonas ainda cabeceou, mas a bola não foi para a baliza.
Aos 37’, depois de nova ameaça de Krovinovic, Jardel voltou a rondar o golo num canto batido à esquerda, mas, na pequena área, o camisola 33 do Benfica foi surpreendido e não levou a cabeça à bola da melhor forma.
O Benfica fechou a primeira parte em cima da área do Sporting, em busca do 1-1, mas a bola não entrou.
No regresso do intervalo, o Benfica acentuou a pressão sobre a defensiva do Sporting e foi forçando pelo empate. Empurrando o rival para junto da sua área, a equipa de Rui Vitória mostrou-se ainda mais incisiva com a entrada de Raúl (rendeu Pizzi aos 56’).
Aos 58’, Jonas captou a bola no corredor central e armou um pontapé de pé direito para defesa de Rui Patrício. Aos 60’, o goleador dos encarnados voltou a estar perto do golo, por duas vezes. Primeiro, o camisola 10 disparou na área e a bola, depois de raspar no corpo de Coates, passou rente ao poste direito. No momento seguinte, depois da cobrança do canto, Jonas apareceu sobre a esquerda da área a chutar, com a bola a ser desviada por Piccini e a sair a milímetros do poste direito. O jogo ainda esteve parado para apreciação do videoárbitro: braço de Piccini na bola? Vistas as imagens, o parecer da arbitragem foi, mais uma vez, no sentido de não ser assinalado pontapé de penálti a favor das águias.
O Benfica só sabia fazer uma coisa: carregar, com energia e velocidade, em busca de um desequilíbrio que pudesse ser recompensado. Aos 66’, depois de uma arrancada de Salvio pela direita, Coates esticou-se para salvar o Sporting. Nova investida do Tetracampeão aos 67’, com Jonas na condução e passe curto para Raúl, tocando ao mexicano fechar a ação com um remate para fora.
A entrada de Rafa (substituiu Fejsa aos 73’) acrescentou qualidade e rapidez ao ataque do Benfica, que atuou neste período com Salvio a lateral-direito, derivando André Almeida para trinco. Aos 74’, novo lance polémico na área do Sporting (braço esquerdo de William na bola em lance com Raúl), com a arbitragem a mandar seguir.
Rafa mostrou-se logo aos 77’ com um cruzamento venenoso que por muito pouco não terminou com a bola dentro da baliza do Sporting. Seria um autogolo de Coates.
Aos 81’, João Carvalho entrou (saiu Rúben Dias) e o Benfica colocou ainda mais gente perto da baliza de Rui Patrício. João Carvalho, aliás, atirou de pé esquerdo de fora da área aos 83’ e quase assinava um golo de bandeira.
Com quase 60 por cento de posse de bola e mais de 20 remates, a equipa benfiquista nunca desistiu de, no mínimo, marcar um golo e, depois de tanto massacrar, alcançou mesmo o 1-1 na conversão de um penálti, pelo pé direito de Jonas (90’). O lance de castigo máximo resultou de um corte de Battaglia com o braço esquerdo, intercetando na área a bola chutada por Rafa.
O mesmo Rafa, aliás, perseguiu o 2-1 já em tempo de compensação, mas Coates voltou a ser um obstáculo ao ataque do Benfica praticamente em cima da baliza leonina.
RUI VITÓRIA: “DEMONSTRÁMOS UMA FORÇA QUE TEM DE SER ENALTECIDA”
O treinador avisou que o Benfica vai disputar o “campeonato até ao limite” e elogiou o apoio que veio das bancadas e a entrega dos jogadores.
No final do dérbi da 16.ª jornada da Liga NOS, que deu empate a uma bola no Estádio da Luz, Rui Vitória analisou a partida e o resultado falando numa tremenda injustiça para o Benfica. Ainda assim, segundo o técnico, houve bons indícios que deixam boas perspetivas para o que falta da Liga.
“A análise que faço é que o resultado é tremendamente injusto, pelo que foi o desenrolar do jogo, pela nossa exibição. Não merecíamos! Fizemos um grande jogo, a equipa foi sempre à procura do golo que, por infelicidade, não aconteceu. O Sporting teve poucas situações de ataque. Fomos muito mais fortes. Foi uma segunda parte foi muito forte da nossa parte. O que me apraz dizer é: não ganhámos o jogo, mas a força que demonstrámos frente a um adversário direto é um sinal muito positivo do trabalho que estamos a fazer e do que os jogadores fizeram em campo. Tivemos muita força”, afirmou.
O empate deixa o Benfica a cinco pontos da liderança, mas a exibição voltou a ser elogiada pelo técnico das águias na conferência de Imprensa.
“O resultado é o que é e ninguém vai olhar para a exibição. Fizemos um grande jogo, uma exibição com muita qualidade diante de um adversário direto e demonstrámos uma força que tem de ser enaltecida, porque os jogadores merecem. Se em alguns momentos disseram, e se calhar com razão, que não jogámos tão bem, duvido que agora haja alguém que possa dizer isso. Fizemos uma belíssima partida e a bola não quis entrar. O resultado é injusto. Defrontámos uma boa equipa, mas fomos melhores”, observou.
Instado a comentar a afirmação de Jorge Jesus, que considerou o empate um pior resultado para o Benfica do que para o Sporting, Rui Vitória foi perentório: “O futebol é feito de resultados e nunca sabemos qual é o importante. Os balanços fazem-se no fim. Há uma coisa factual: empatámos em nossa casa e fomos superiores.”
RUI VITÓRIA: "ADEPTOS MOSTRARAM QUE É IMPORTANTE ESTARMOS JUNTOS"
Os cerca de 62 mil Benfiquistas presentes nas bancadas mereceram o reconhecimento e palavras elogiosas pelo apoio dado nos 90 minutos.
No Estádio da Luz estiveram perto de 62 mil pessoas e o apoio ao Benfica no dérbi foi incessante, algo reconhecido pelo treinador Rui Vitória.
“Agradecer o apoio dos Benfiquistas. Abordámos isso na antevisão, a Onda Vermelha que quando cresce é difícil de parar. Quem joga e treina no Benfica sente isso, e neste jogo sentimos que as pessoas gostaram do que fizemos e que o que fizemos era suficiente para ganhar o jogo. Temos 18 batalhas pela frente, vamos disputar este campeonato até ao limite e podem contar connosco. Estes adeptos deram um sinal de que é importante estarmos juntos e que só tocam no coração do Benfica se deixarmos”, disse.
RUI VITÓRIA: "QUAL É O CRITÉRIO DO VIDEOÁRBITRO?"
O treinador benfiquista apelou ao esclarecimento e à colocação de regras sobre o perímetro de atuação do árbitro e videoárbitro para que não se vejam dois pesos e duas medidas em diferentes estádios portugueses.
O dérbi teve alguns lances polémicos na área do Sporting, com recurso ao videoárbitro, e Rui Vitória avisou que vai estar atento a decisões semelhantes às tomadas na Luz noutros encontros por parte de Hugo Miguel e Tiago Martins, árbitro e videoárbitro, respetivamente do jogo grande da 16.ª jornada.
O dérbi teve alguns lances polémicos na área do Sporting, com recurso ao videoárbitro, e Rui Vitória avisou que vai estar atento a decisões semelhantes às tomadas na Luz noutros encontros por parte de Hugo Miguel e Tiago Martins, árbitro e videoárbitro, respetivamente do jogo grande da 16.ª jornada.
“Duas notas muito rápidas: primeiro, marcaram um penálti dos vários que houve; segundo, vou estar atento à carreira destes dois árbitros para ver que decisões vão tomar daqui para a frente em situações semelhantes. Esclareçam até quando e em que circunstâncias é que a consulta do videoárbitro, do ecrã de televisão num recinto de jogo, faz sentido por parte do árbitro. Fala-se de aprendizagem, mas quem aprende tanto e comete tantos erros, não neste jogo, mas na situação do videoárbitro…”, considerou.
Rui Vitória estranhou, ainda, o facto de o árbitro do dérbi ter a oportunidade de consultar a televisão e não o ter feito como outros o fizeram noutros estádios.
“A arbitragem vai ter de se assumir. Andamos a dizer que foi o árbitro a decidir, que foi o videoárbitro a decidir… Precisamos de esclarecimentos e regras. Nuns estádios, o árbitro tem dúvidas e vai ver o ecrã de televisão, aqui não teria feito mal nenhum. Será que os lances deste jogo são claramente não-penáltis? Não são! Um lance na primeira parte, em que há um empurrão sobre o Jardel… o Sporting ganhou ao V. Setúbal com um lance idêntico sobre o Bas Dost. Que equilíbrio há nisto? Qual é o critério do videoárbitro?”, questionou.
O treinador recusou atribuir à arbitragem o resultado, mas sublinhou que os árbitros têm de ter procedimentos com coerência.
“Merecíamos ter ganhado. Houve várias oportunidades em que a bola não entrou. Há processos que os árbitros têm de ter. Eu gostava de poder decidir em consciência e se tivesse dúvidas ia ver à televisão. Isso não aconteceu”, referiu.
Indo de encontro à antevisão ao dérbi, a afronta ao Benfica e aos Benfiquistas teve continuidade na análise pós-jogo.
“O que se vai fazendo é uma afronta ao símbolo do Benfica. Não estou a dizer que foi isso que se passou no campo, mas é importante esclarecer alguns pressupostos para que não haja dúvidas se estão ou não a prejudicar o Benfica. Pode-se reduzir a subjetividade e acho que não foi reduzida neste jogo. Isto é feito para nos dividir, mas não conseguem. Hoje demonstrámos a força que temos e os jogadores deram uma mensagem clara de entrega, de dedicação ao jogo, de vontade e de determinação em querer ganhar”, reforçou Rui Vitória.

Coisas e Loisas

  • Desde 2014 que o Benfica não estreava um jogador tão jovem a titular num dérbi frente ao Sporting: 2017 Rúben Dias - 20 anos, 7 meses e 21 dias; 2014 Talisca - 20 anos e 7 meses.
  • Raúl Jiménez faz o 9.º, dos últimos 10 jogos, como suplente utilizado pelo Benfica. O último golo do mexicano vindo do banco aconteceu no 1.º jogo da época frente ao V. Guimarães para a Supertaça [V 3-1].
  • João Carvalho estreia-se em clássicos do futebol português aos 20 anos. É o 3.º jogo contra os grandes do futebol português: Sporting 2x [V. Setúbal e Benfica] e FC Porto [V. Setúbal]; Marcou um 1 golo contra os dragões.
  • Jonas marcou o 2.º golo em Clássicos (11 jogos), ambos de grande penalidade: Janeiro 2018 Sporting [C]; Abril 2017 FC Porto [C].
  • HISTÓRICO!!! Jonas marca pela 1.ª vez em 5 jogos consecutivos ao serviço do Benfica. O avançado brasileiro não fazia um "penta" desde Setembro 2010 quando representava o Grêmio.
  • Melhores marcadores da Liga NOS 2017/18: 19 Jonas; 13 Aboubakar; 13 Bas Dost.
  • HISTÓRICO!!! Pela 1.ª vez há 5 empates consecutivos em Clássicos do futebol português: Jan. 2018 Benfica 1-1 Sporting; Dez. 2017 FC Porto 0-0 Benfica; Out. 2017 Sporting 0-0 FC Porto; Abr. 2017 Sporting 1-1 Benfica; Abr. 2017 Benfica 1-1 FC Porto.
  • Benfica só venceu 1 dos últimos 7 clássicos na Luz: 2018 E 1-1 Sporting; 2017 E 1-1 FC Porto; 2016 V 2-1 Sporting; 2016 D 1-2 FC Porto; 2015 D 0-3 Sporting; 2015 E 0-0 FC Porto; 2014 E 1-1 Sporting.
  • Há 14 anos que não havia um golo de grande penalidade aos 90 minutos num dérbi entre o Benfica e o Sporting: 2018 Benfica 1-1 Sporting - 90' Jonas g.p.; 2004 Benfica 1-3 Sporitng - 90' Sá Pinto g.p.
  • Com o empate do Benfica, são agora apenas duas as equipas 100% vitoriosas em casa nas 10 principais Ligas UEFA: o PSG e o Club Brugge.

Eleição do MVP

Talking Points

  • O resultado foi justo? Na sua opinião o que faltou à equipa para alcançar um resultado ou exibição melhor?
  • Está satisfeito com a resposta da equipa hoje? Qual foi o aspeto do jogo que mais o impressionou?
  • Com o benefício da visão a posteriori, que alterações faria ao 11 inicial?
  • Em retrospetiva, o que faria diferente ao longo do jogo?
  • Qual foi o jogador que mais se destacou com a camisola do SL Benfica? Nessa nota, quem foi a maior deceção?
  • Quais são os aspetos positivos que o SL Benfica pode tirar deste jogo?
  • Enfrentaremos o Moreirense FC na próxima partida, no Parque de Jogos Comendador Joaquim de Almeida Freitas, em jogo a contar para a 17.ª jornada da Primeira Liga. Quais as perspetivas?

Relacionados

submitted by fidjudisomada to benfica [link] [comments]


2017.10.09 05:46 pedrothegrey Magnum Opus

I. Nigredo
"Considere o instante inicial, o instante no qual toda ciência atual falha em compreender, em que toda matéria, espaço e tempo, estavam comprimidos em um tamanho infinitesimalmente pequeno e de repente... Bang. É assim que se cria um universo. Considere as famílias destruídas no oriente, os pais e mães que já não sentem a perda de um filho pois já perderam tantos, e os pais e mães que se unem para assassinar os de seu sangue. O sorriso escondido de um padre para uma criança, as guerras e as lágrimas derramadas. As discussões inflamadas de duas partes erradas, o casal que já não se ama e o que não pode se amar. Jackson Pollock entendia a forma do mundo, e o ele é caos. Formado pela causa primeira, antes mesmo de Deus existir já existia o acaso, e é dele que somos filhos. Mas ao menos nós, desde o século XX, temos lidado com esse problema de forma direta, diferente das eras anteriores, onde nos escondíamos em cobertores metafísicos por toda a vida, utilizando a mesma bengala invisível que data de Aristóteles. Mas não se engane com meu tom, não sou uma personagem melancólica, tampouco acho esperança no vazio, respondo apatia com apati..."
Eu paro de digitar subitamente. Meu chefe se aproxima do meu cubículo e me lembro que estou com um relatório atrasado. É o segundo esse mês, droga. Não entro em pânico, deixo que ele venha e abro rapidamente o Microsoft Word. Quando ele chega, se depara com uma tela vazia. Ele para atrás de mim, é um homem não muito alto, com cabelos brancos e um pouco gordo. Veste-se sempre com calças e sapatos marrons e camisas listradas verticalmente de variadas cores. Tinha um inconfundível cheiro de cigarros e suor seco e um olhar quase morto.
– Acho que eu nem precisava dizer isso - Disse ele -, mas o relatório da semana está atrasado. Alberto, essa já é a segunda vez, teremos que fazer disso um aviso formal.
– Chefe, eu peço desculpas, de verdade. Estou tendo alguns problemas e...
– Não quero ouvir mais nada, Alberto. - Disse, me interrompendo - Trate só de não atrasar mais nada. E quero o relatório ainda hoje na minha mesa.
Ele sai do meu cubículo assim que termina de falar. Eu espero ele entrar no escritório e saio para beber água. Puxo um copo de um daqueles saquinhos e entorno água gelada nele. Bebo toda a água em um gole e quando deixo o copo abaixar, Beatriz está olhando para mim. Ela é uma mulher baixa, já tem filhos, se veste com inconstância e não tem um cheiro característico. E além disso, ela é a supervisora do meu setor.
– Outra vez essa semana? - Ela perguntou com uma voz áspera - Você não se importa com esse trabalho? Está ansioso para perdê-lo? Você sabe que só não foi demitido ainda porquê eu conversei com o chefe. Tem muita gente querendo a sua vaga, sabia?
– Olha, Beatriz, eu estou com problemas pessoais. - Respondi, gentilmente - Eu trabalho aqui há 5 anos e nunca faltei sem motivo, nem atrasei nenhum relatório antes. Esse é um caso isolado, garanto que não vai acontecer mais.
– É muito difícil construir uma reputação, mas é muito fácil acabar com ela, Alberto.
Ela continua babando enfurecida, e eu desvio minha atenção. Olho para o relógio e já são 18 horas, finalmente. Desço para o estacionamento, entro no carro e vou pra casa. Um pouco antes do meu bairro, beirando o asfalto, se ergue um pântano denso. Com pequenas canaletas que seguem correndo por baixo das raízes altas, as folhas e a grama que caem podres quase derretem quando nadam gentilmente na superfície dos pequenos rios que correm ali. Aquele lugar tem um aspecto quente, úmido e isolado. Em uma parte da rua, andando pelos arredores do pântano, pelo asfalto, se abre um pequeno caminho, uma trilha, que segue para dentro do pântano. É praticamente invisível, só depois de alguns anos olhando, todos os dias, para ali, que eu pude notar a tal trilha.
Chego em casa, ligo o computador e assisto alguns filmes e vídeos. Me distraio por duas horas, esquento uma comida velha e vou me deitar. Costumo sempre me deitar virado para a janela. Neste dia, um pouco antes de me ajeitar de baixo do cobertor, vi, parado na janela, um corvo. Ele bicava a janela, como que pedindo para entrar e virava seu rosto para o lado, tentando me encontrar com seus olhos sem brilho. A lua foi logo encoberta por nuvens e os ventos ficaram mais e mais fortes. Eu precisava dormir, no dia seguinte eu ia ter trabalho em dobro. Do lado do móvel da cama tinha um livro velho, que eu usava para apoiar os pés da mesa da sala, e o jogo na janela. O corvo se assuta e voa para longe, mas a tempestade continua a se formar.
Eu acordo às 6. Pego meu café amargo e sento na cama, e me ponho a olhar para a janela. Uma espécie de agonia cresce em mim, inominável, mas de presença inquestionável. Olho para o jardim suspenso que fica no muro da casa, bem atrás da janela. Minhas flores morreram, maldita tempestade. Me arrumo, entro no carro e saio. Passo pelo pântano, austero, tento não dar muita atenção para ele. No meio do asfalto, um cachorro morto, atropelado. Seu intestino se estica até a calçada, mas não por mero acaso, um corvo o puxa, mais e mais e mais. Ele olha para mim novamente, virando o rosto para o meu, sinto uma risada no ar e o corvo voa.
Estaciono o carro e dou meu primeiro passo no escritório. Logo ouço a voz de Beatriz.
– Já são três erros graves essa semana, Alberto. TRÊS! Eu estou indo conversar agora com o chefe.
Eu me lembro nesse instante, tínhamos uma conferência mais cedo hoje. E eu já tenho dois avisos formais. Droga, é hoje. Bebo água, cansado. Tenho uma longa, jurídica e tediosa conversa com o chefe. Despedido. Dizem que piadas não precisam ser boas, elas só precisam do timing certo. Mas estragar o timing da piada pode ser, por si só, uma piada. Quando comparam a vida com uma piada, não é à toa.
II. Albedo
Passam-se duas ou três semanas, e minha vida consiste em caminhadas da cozinha até a sala e da sala até o banheiro. Já não leio mais como antes, nem ouço músicas, nem vejo filmes. Eu somente deixo uma tela ligada saindo qualquer tipo de som e imagem. Estou alheio. O dinheiro está acabando, minuto a minuto. Eu deveria estar procurando outra vaga em outro escritório, mas eu não estou. Eu me deito no sofá divagando, pensando em todas as oportunidades que tenho agora, tantos escritórios que poderiam me contratar. Sonho que entrego o curriculum e ele é lido seguido de um longo sorriso e um aperto de mãos. Imagino meu primeiro dia, a bela secretária me oferece café, eu aceito cordialmente. Os primeiros apertos de mão e os primeiros sorrisos dos novos e revigorados colegas de trabalho. O trabalho de memorizar os novos nomes e rostos.
Mas tudo não passa de sonhos de sofá. Meu celular começa a convulsar.
– Alô?
– E aí, Alberto? Há quanto tempo! - Disse a voz.
– Desculpa, quem é mesmo?
– É o Carlos. Você está sumido, está tudo bem por aí?
– Sim, sim. - Uma breve pausa - E por aí?
– Tudo normal. Vem cá, nesse sábado quer tomar um Chopp?
– Ah, bom, eu não sei. Que dia é hoje?
– Quinta... Você está perdido mesmo, cara. Até esqueceu o dia. - Disse, rindo.
– É. - Ri forçosamente - Eu tenho que ver, tenho um compromisso com alguém, se acontecer de desmarcarem eu te aviso. Mas agradeço o convite.
– Eu te conheço há 20 anos, cara. Recusar o convite eu entendo, mas você com um compromisso com alguém? Essa é nova. Bom, aproveite. Me ligue se precisar de alguma coisa.
Por mais ofensivo que pareça, ele não deixa de estar correto. Colecionei pouca gente ao longo dos anos, é verdade. Eu posso repetir a hipótese de que os livros e os filmes realmente me fizeram companhia, ou eu posso aceitar a verdade. Eu sou chato, talvez até desinteressante. E digo isso com muita sinceridade. Em um olhar indiferente para a janela, vejo no quintal alguns pombos brancos que ciscam a grama e os restos da ração do cachorro. Fossem canários, eu teria admirado por mais tempo, mas pombos só nos inspiram ódio e violência. Dessa vez foi ligeiramente diferente, apenas senti afastamento. Era uma cena bonita, mas nem tanto. Meu cachorro estraga um momento sublime perseguindo-os e eles voam, barulhentos.
No fim do segundo mês já não há mais dinheiro. E se não havia vontade e determinação para seguir um emprego, agora não havia nem mais a cogitação da possibilidade de seguí-lo. O isolamento agora é rotina e o jejum não é mais voluntário. Vasculho todas as gavetas e os armários e não encontro nem uma migalha de pão. O dia chegou em que eu sairia de casa sem nenhum tostão. Tenho um estranho ímpeto de colocar meu casaco, como se eu não tivesse mais como voltar naquela casa. Passo por cima da minha alma, como sempre, e não presto atenção nos detalhes. Ponho o pé na rua e o sol castiga o asfalto, é quase possível ouvir ele gritar de tanto calor. Sigo andando para frente, pensando que talvez o destino me guiasse para qualquer lugar, mas quando percebo é tarde demais. Estou fazendo o caminho para o antigo escritório e na minha frente se ergue a trilha escondida.
Monstruosamente denso, com raízes altas das árvores e rios de água densa e quente (quase borbulhante), o pântano se apresenta para mim. Escuro, denso e isolado, tudo que um indigente precisa. Começo a andar pela trilha, pisando cuidadosamente, tentando evitar a lama mas no quarto ou quinto passo meu tênis já estava encharcado. Eu olho para trás e a visão do asfalto já havia sumido há, parecia, algum tempo. As árvores escuras se mexiam e faziam muito barulho. Os galhos se quebravam na ausência do vento. O pântano estava me recebendo com uma festa. Repentinamente, a paisagem densa acaba e dá lugar a um pequeno círculo plano na raíz de uma montanha, circundado por esse rio sujo que segue para a trilha de onde vim. Ali, naquele pequeno oásis de mansidão, existe uma árvore que se destaca das negras árvores do pântano. Se ergue ali, uma frondosa macieira, carregada de belas e suculentas maçãs, rubras como o olhar de uma mulher ou o crepúsculo de verão.
III. Rubedo
Sacio minha fome com duas ou três maçãs e me sento na sombra da árvore. Me incomodava, durante a trilha, a ausência de sol que assolava e umedecia o lugar, mas agora que me batem os raios de sol no rosto, prefiro me esconder na sombra de uma bela árvore. Eu não procurava sombra, mas abrigo. Eu puxo meu celular do bolso para conferir e, por incrível que pareça, ainda havia sinal de telefone. Me ponho a rir. De que adiantava o sinal agora? Para quem eu iria ligar? E tudo para quê, voltar para casa? Não, a macieira é minha nova casa de aluguel. Foi por causa dela que não morri, e é por ela que, agora, vivo.
Em pouco tempo, vejo as desvantagens do meu novo imóvel. Um pequeno residente do pântano, ou talvez um morador da montanha na qual estávamos encostados, um esquilo, bebe água do rio quente que segue para a trilha. Em movimentos rápidos ele olha para mim, e volta a beber, olha e bebe, olha e bebe, olha e... cai. A água parece ser veneno, afinal. E o esquilo boia e segue a corrente do pequeno rio.
Eu começo a pensar em como eu posso me sustentar aqui, sem água. É fato que as maçãs tem bastante líquido, mas é possível sobreviver somente com isso? E além disso, em pouco tempo eu teria esgotado o estoque de maçãs e não posso esperar algumas semanas para comer mais. Eu estava em um dilema. Eu não posso voltar pela trilha, pois ela sumiu. O pântano somente me trouxe aqui, e não pretende me deixar voltar. Só me resta, portanto, tentar subir a montanha. Esse empreendimento resultou ser mais difícil do que parece. A raíz da montamha é íngreme, e todo passo dobra meu esforço. A grama fina e mole não me deixa segurá-las com as mãos e usá-las como cordas. Eu tento, em vão, inúmeras vezes subir a montanha e sou cuspido dela em todas as tentativas.
Eu caio pela última vez, e o sol agora se prepara para ir embora. As sombras mais pesadas começam a cair e o azul do céu fica cada vez mais pálido. Meu destino se apresentava diante de mim e tudo que eu devia fazer era abraçá-lo, somente abraçá-lo. A luta, a perseverança e a esperança são atributos da luta contra o destino. Quando o homem se curva perante a vontade da natureza e entende o propósito verdadeiro da sua existência, é lhe dada uma estrada suave para caminhar. Tão suave que qualquer um, até mesmo um indigente - melhor dizendo, especialmente um indigente - pode caminhar por ela. E com um destino tão belo, tão belo.
O momento é sublime. A beleza daquela hora me emociona profundamente, e choro, enquanto uma infusão de vermelho com o já pálido azul se mostra na abódada acima de mim. Me levanto e seco as lágrimas, pego uma maça e dou uma última mordida. Tiro uma semente e a jogo para cima da montanha. Quando o azul do céu já se contorce e se desmancha, e as sombras são cada vez mais pesadas, eu coloco minha mão no rio e bebo da água quente do rio. O pântano aplaude com galhos quebrando, folhas espalhando-se e raízes se mexendo. E eu caio em paz, ao lado da frondosa macieira, para sempre minha casa.
submitted by pedrothegrey to EscritoresBrasil [link] [comments]


2017.09.11 12:34 gilsonvilain Dorocaso — Corações de Areia

Dorocaso Corações de Areia
“Essas alegrias serão jogadas ao esmo. A areia vai consumir suas lembranças até a última gota, e quando não sobrar mais nada você vai virar areia.” Jochasta, rainha dos esquecidos.
De pé ele olhava para as nuvens no céu sem sentir seus pés. Caminhando eternamente sem destino, elas vagavam escuras e carregadas como ele nunca havia imaginado. O solo é engolido pelo breu e os escorpiões alaranjados saem da areia. Cavando e cavando, centenas de lacraus submergem do da escuridão, brilhando e batendo suas garras como soldados marchando para o combate. O medo lhe puxa pela espinha, mas suas mãos estão vazias. Ao longe uma sombra de luz surge na imensidão.
-Davi! A cidade chegou! Davi! Você ainda não acordou? –Disse Franz ao lado da porta. Seus cabelos loiros iluminavam demais para sua vista adormecida. Piscando com força seus olhos, devagar ele se esticava na cama de esponja até sentir suas articulações despertarem. –Hoje não é o seu dia de vender as beterrabas? –Como um soco no peito ele se levantou. O sol já se erguera, e ele ainda estava ali.
-Chuva! –Disse o rapaz se pondo de pé velozmente, apenas para sentir uma tontura e perder parcialmente a visão tendo que se apoiar nas paredes para se manter. Calçando os sapatos escuros e com cheiro engraçado ele se ergueu novamente. Desviando das pequenas lâminas curvadas no chão, ele achou seu caminho até Franz.
-Eu e o Caiou já colocamos as caixas no Sableridge, até que horas você ficou afiando as talons? –Disse o Franz cedendo espaço para que Davi passasse correndo para as escadas. –E não esqueça de comprar um filtro novo para o reservatório!
Subindo as escadas como um lobo atrás de sua presa, Davi vê de relance Seth, Nami e Gilli sentados na mesa da cozinha. –Até as crianças já estão acordadas e eu aqui. –Subindo as escadas enquanto afivelava o cinto marrom, ele se voltou para a janela, olhando ao fundo a grande cidade cinzenta parada no deserto. –Mau dia! –Disse ele pegando a máscara azul presa na parede ao lado do espelho retangular e a colocando em seu rosto. Apertando o fecho e pressionando o único botão em sua lateral, ela se acendeu em um branco fraco. –Ah não!
Olhando a lateral do respirador ele passou o dedo por cima de pontinhos roxos que cercava o gradeado da máscara. Com o polegar pelo lado de dentro ele pressionou o puxador, fazendo as grades se abrirem e liberando a película tomada por centenas de micro pontos que variavam de roxo até rosa fraco. Davi abriu o armário de metal embaixo do espelho deixando que uma brisa gélida saísse. Colocando a película para dentro, fechou a porta e acertou o tempo para quinze segundos. Olhando novamente o espelho ele notou várias manchas de sangue coagulado em seus ombros e braços. Davi deu a volta e foi até a impressora amarelada de sujeira. Pressionando o menu ele selecionou a cor, comprimento da manga e por fim o tamanho, fazendo que a máquina emitisse um som agudo e constante ao passo de que o armário embaixo do espelho soou três apitos seguidos. Retirando a película sem luvas Davi sentiu como se seus dedos fossem derreter, só então sentindo o real frio quando encaixou a lâmina branca de volta na máscara. Vestindo a camisa bege de manga comprida, ele religou o respirador que se acendeu em um branco forte.
Fechando a porta de trás e abrindo a da frente ele foi em direção ao Sableridge. Vários arranhões circundavam o veículo encouraçado, as duas esteiras frontais estavam gastas mas não chegavam ao nível de desgaste dos pneus traseiros. Estes foram remendados tantas vezes que Davi já não sabia se eram feitos de borracha ou de remendo. A lataria perfurada era estrategicamente escondida pela sujeira e a lama viscosa das estradas. –As chaves! –Pensou ele batendo as mãos nos bolsos, só para perceber que não portava nenhuma. –As chaves! Gritou ele em direção a toca.
-Já estão dentro! - Disse Caiou do segundo andar. Davi Se aproximou do painel e ouviu o som de motor. Ele se voltou para Caiou e assentiu com a cabeça.
Poucas estradas cruzam em direção ao grande deserto. A pista de fogo sai da capital até o batalhão especial no sul, circulando o continente e passando por todas as grandes vilas. Usando areia vermelha para montar seus tijolos, a pista de fogo era o jeito mais fácil e seguro para aqueles que não possuíam problemas com o Armata. Ao seu lado muitas trilhas foram feitas ligando pequenas vilas até a pista de fogo, como galhos em um tronco. A estrada de pedra sai das grandes montanhas e se conecta com as estradas de terra, geralmente usadas por contrabandistas ou fugitivos, uma vez que não haviam patrulhas. Davi saiu da toca e seguiu em frente pegando a estrada de barro, o caminho que ele mesmo batizara, ligando a toca até a vila das palmeiras a oeste. Com uma agricultura rudimentar, a vila das palmeiras resistia apenas pela criação de roedores. Fáceis de alimentar eles eram a moeda de troca de algumas dezenas de famílias. De lá ele pegou a estrada de ferro, cruzando a floresta das almas até o grande deserto ao norte. Dali ele já conseguia ver as marcas de pneus na areia, sinal de que estava atrasado. Acelerando ele sentiu o veículo trepidar e perder força, mantendo o acelerador pressionado enquanto reduzia a marcha. Ainda assim a força havia indo embora, e ele seguiu até a pista de fogo na velocidade de um homem correndo. Devagar ele viu rasgando o deserto azul e branco. Mais de mil passos de largura, e outros oito mil de comprimento, com esteiras maiores que a vila das palmeiras, e com pistões mais fortes que dez mil homens, marchando para cima e para baixo, em um compassar estrondoso. Maciça e barulhenta, ela cavava com seus pistões exteriores descendo e subindo como um ferreiro batendo seu martelo, se enterrando mais fundo naquela areia sem dono, ela descansava enquanto ele se apressava. Apertando o pé contra o pedal e tentando aumentar as rotações, ele notou um grupo de pessoas segurando placas. Davi não conseguiu ler o que estava escrito, as manchas azuladas em suas peles tiraram sua atenção. Engatinhando pela estrada de fogo, ele rumou ao sul do titã encouraçado, seguindo outros veículos que jaziam estacionados ali.
Davi estacionou o sableridge ao lado de uma motocicleta de propulsão amarela. Algumas dezenas de veículos estavam ali, ainda assim Davi se surpreendeu com a baixa quantidade. Em temperaturas amenas, aquele pátio sempre estivera lotado de lanchas terrestres e caminhões. No porta-malas ele retirou as quatro caixas cheias de beterrabas, cada uma pesando metade de seu peso. Suas veias saltaram por entre a pele, e com um urro de vontade ele as ergueu caminhando lentamente até a entrada norte.
-Vento! Eu preciso ir até o templo das Lamentações! –Disse uma voz vinda de trás de Davi. Ele girou sua cabeça para procura-la mas no instante seguinte ela havia sumido. –Você tem um carro, pode me levar lá? –Disse a voz. Davi abaixou as caixas e conseguiu ver a moça a sua frente. Bem menor do que ele suspeitava, ela se erguia pouco a cima das quatro caixas deixadas no chão. Olhos cinzentos e lábios fartos, ele não conseguiu distinguir mais nenhuma caraterística dela, além de sua barriga proeminente e arredondada.
-Eu estou indo vender beterrabas na vila. –Disse ele olhando seus braços finos e curtos. –Esse templo fica no norte, não acho que tenha alguém de lá por aqui. –Disse ele se abaixando para pegar as caixas.
-Você não entende, eu preciso ir lá! –Disse ela erguendo a voz e riscando a areia com seu pé.
-Eu entendo, mas agora eu não posso fazer nada para te ajudar. –Disse erguendo novamente as caixas e a perdendo de seu campo de visão.
-Você pode depois? –Perguntou ela com um tom mais doce. Davi começou a andar e não olhou mais para trás. –Vou te esperar aqui!
-Não foi isso que eu quis dizer. –Falou ele alto o suficiente para ouvir suas palavras ecoarem pela vastidão seca, mais baixo o suficiente para não ouvir resposta alguma.
Se arrastando para frente, uma moça de cabelos escuros e longos passou por ele, porventura as caixas ainda tapavam sua visão frontal, o impedindo de conseguiu ver seu rosto. Ele gostava da ideia de andar sem ser percebido. Ao seu lado as vozes vindas da cidade se intensificavam, o empurrando para frente. Ouvindo passos na areia, ele inclinou a cabeça para ver um homem baixo com uma barriga proeminente caminhando de mãos dadas com uma menina de cabelos alaranjados. Os escorpiões voltaram a sua cabeça, e ele desejou que Nissa falasse algo que o puxasse de volta, mas ela estava na toca.
-Chuva! Posso ajudar? –Disse o homem com turbante branco, portando uma máscara amarela e uma barba escura e rala. Davi abaixou as caixas e suspirou por um segundo relaxando os ombros. O homem flexionou os olhos e pequenas bolsas de pele surgiram em cima de suas bochechas.
-Chuva! Eu vou vender as beterrabas. –Disse ele esticando a mão em direção ao homem.
-Os vendedores de comida já estão localizados no setor dois, penso que não há mais espaço para estandes. –Disse o homem o olhando de queixo erguido.
-Eu me atrasei. –Disse Davi abaixando o braço e se aproximando. -Mas eu tenho uma reserva. –Disse batendo as mãos nos bolsos. -E eu conheço o prefeito. –Disse Davi gesticulando com suas mãos armadas em veias proeminentes enquanto ele abria os bolsos internos da camisa.
-Certamente que não conhece. –Disse o homem de turbante. –Uma vez que eu não tenho nem ideia de quem é você, e eu sou o prefeito; Alouite Seeiso. –Disse o homem dois palmos menor que Davi, erguendo ainda mais o queixo para cima. Davi desistiu de procurar a licença e coçando a cabeça.
-Eu deixei na outra camisa! –Percebeu ele olhando para o céu. -Na verdade o prefeito que eu conheço se chama Timothy, ele tem cabelos escuros, é magro e... –Disse Davi gesticulando as medidas com as mãos. –Alto.
-Ah. –Disse Alouite. –Esse é o segundo prefeito. –Disse abaixando a cabeça e apertando os dentes. –De qualquer modo eu sou o prefeito para os assuntos externos da vilavassoura. Eu cuido de quem entra e quem sai.
-Eu sei. –Disse Davi sorrindo por debaixo da máscara. –O Thimoty cuida da manutenção da vila, proteção das pessoas, educação dos jovens, tratamento dos enfermos, conserto das máquinas, contrata os seguranças. –Enumerou Davi olhando para as beterrabas ardendo no sol do deserto. –E o senhor cuida de quem entra e sai. –Disse Davi se mordendo para não o chamar de porteiro.
-Thimoty tem suas funções, eu tenho as minhas. –Disse ele se virando de costas. -E o período para alocação de novos estantes já se encerrou.
-Eu também preciso comprar um filtro. Já acabou o período de entrada de compradores também?
-Hum. –Disse o prefeito de turbante declinando o queixo e encarando os tubérculos. –Você entra, as beterrabas não.
-Tudo bem, quando eu encontrar um vendedor de filtros, eu peço para ele vir até aqui fora retirar o pagamento, o senhor toma conta delas para mim? –Perguntou ele levantando uma caixa e colocando aos pés do prefeito. O homem bufou mais forte e se voltou para recolocar a caixa em cima das outras. Buscando todas as forças de seus braços flácidos, o prefeito ergueu a caixa poucos centímetros do chão, soltando suas alças e voltando a ficar ereto.
-Leve isso daqui. –Disse Alouite ofegante.
-Obrigado senhor prefeito! –Disse Davi erguendo as quatro caixas e seguindo em frente para a o portão de acesso.
-Bem-vindo a vilavassoura. –Disse ele em um tom seco. –Espero vê-lo novamente. –Apertando os olhos e ajeitando o turbante.
O chão de areia afundava a cada passo de Davi. Jogando areia para trás, ele sentia que a cada passo andava menos. Pisando em falso sentiu a areia dar lugar a tábuas de metal. Forçando os joelhos ele subiu a entrada que se elevava pelo menos oito passos do nível do chão. A grande fachada esculpida em madeira e aço, dizia “Village de Balai Cinq”, vilavassoura em uma língua antiga. A gigante de aço possuía metralhadora automáticas acopladas a parte de dentro apontadas para o chão. Aportando e um lugar diferente a cada dois dias, a bordo ela levava mais pessoas que ele conheceria sua vida inteira. Mais cores de cabelo do que tons de céu, mais vozes do que mil autofalantes. O cheiro das comidas, mesmo passando pelo respirador, já encharcava Davi por dentro. Olhando para o arco de entrada, ele viu seis guardas carregando fuzis e ao seu lado um grupo de pessoas rodeando um grande homem de cabelos longos e encaracolados. Davi abaixou as caixas para conseguir olhar por cima, fazendo seus músculos guincharem por dentro, mas seguindo em direção as pessoas.
-Eles andam em caravanas. Centenas de milhares. Caminham até as vilas, e lá destroem tudo. Nada fica para trás, nem os habitantes, é terrível! –Disse a senhora de cabelos curtos usando uma camisa de flores brancas, combinando com sua máscara.
-Devem ter sido mandados pelos homens de sabão. Eles estão há décadas se alastrando pelo litoral. –Disse o senhor de máscara lilás com um guarda-chuva em mãos.
-Não são os homens de sabão, quando paramos na vila da pedra, um soldado me disse que eles comem as pessoas e usam os ossos como adereços, isso é coisa do povo vermelho! –Disse o senhor careca usando um roupão verde.
-Estamos seguros aqui. –Disse o homem no centro, rodando os dedos por entre os fios de cabelo que caiam por seus ombros. –Além disso, todos os relatos são de vilas no Norte. Não há nenhum indício que ela esteja marchando para cá.
-O bosque vermelho foi dizimado. A fumaça chegou até a capital. Quando a Armata foi para o socorro, só haviam cinzas. –Disse a senhora. O homem alto inclinou a cabeça atento a suas palavras quando no meio da multidão, algo pescou sua atenção.
-Com licença. –Disse o homem alto esticando o braço. –Davi?
Davi o olhou e sorriu, ganhando espaço em meio ao aglomerado, colocou as caixas no chão esticou a mão e apertando o antebraço do senhor.
-Chuva Prefeito! –Disse ele chacoalhando o braço e sentindo os dedos finos e longos se apertarem em sua pele.
-Veio vender amoras? –Perguntou o homem de pele clara e lábios roxos e esticados.
-Pretendia. –Respondeu Davi apertando os olhos e observando as beterrabas por um instante até retornar os olhos para o prefeito. Ao seu lado havia uma grande porta dupla de vidro que guardava o estreito corredor em frente, lotado de pessoas andando por entre as lojas. O prefeito girou sua cabeça na mesma direção e coçou o nariz pontiagudo.
-Vamos ver onde eu consigo colocar você. –Disse Timothy dando um tapa em seu ombro. Davi pegou as caixas nos braços e o seguiu enquanto ele entrava na antessala do tumulto. As vozes se mesclavam a multidão atrás do vidro, podia se ouvir tudo, mas nada se entendia.
-Não vi você aqui mês passado. –Disse o prefeito erguendo os braços enquanto a primeira porta de vidro se fechava. No mesmo instante um jato de fumaça quente e clara saiu do chão e inundou toda a parte enquanto o prefeito retirava o respirador. Alguns segundos depois a fumaça se esvaiu pelo teto e a segunda porta se abriu dando acesso ao corredor.
-Mês passado. –Repetiu Davi erguendo as caixas de madeira. –Deu um vazamento lá em casa, tive que desligar todas as saídas de ar, perdemos boa parte da colheita.
-Sinto muito. Suas batatas são ótimas, as cenouras nem tanto. –Disse ele espiando as beterrabas por entre as frestas da caixa. –Você teve mais alguma notícia do Colm? – Davi balançou a cabeça. A mão do prefeito veio ao seu ombro mais uma vez enquanto ele sorria olhando para o chão. -Já pode tirar o respirador. –Disse o prefeito olhando Davi. Cerrando os olhos ele abriu a boca por um suspiro e a fechou. –Eu esqueci, o Colm me contou, mas eu esqueci, desculpa. –Disse ele enquanto Davi erguia o ombro e coçava a cabeça.
Adentrando a multidão de pessoas andando por entre as lojas, o prefeito achava brechas entre os cotovelos e ombros para Davi passar sorrateiramente, avançando entre bolsas e mochilas, sua altura lhe forneci uma visão privilegiado do pátio interno. Alguns passos para frente e uma voz chamou “prefeito! ”. Thimoty se virou e viu um sujeito de pele escura com olhos vermelhos. Com os dedos o prefeito gesticulou pequenos círculos, voltando sua cabeça para frente e seguindo até a segunda parte sem se virar para trás.
-Aqui estamos! –Disse o prefeito olhando o círculo de vendedores sentados em frente a caixas de legumes. –Você vende amoras, amoras são como alfaces não? –Perguntou ele, jogando um cacho de cabelos para trás enquanto olhava para as alfaces.
-Os dois são plantas, mas acho que beterrabas entram mais na sessão de raízes. –Respondeu Davi.
-Hahahahaha raízes! Mas não vendemos árvores aqui, e o único estande que tem espaço é o da alface. –Disse ele apontando para as folhas verdes e crespas. Davi virou a cabeça, mas não disse nada, apenas sorrindo para o prefeito e colocando as caixas no chão. –Chuva minha menina! Qual seria o seu nome? –Perguntou ele piscando para a jovem de cabelos escuros sentada atrás das caixas da alface.
-Naya. –Disse ela entortando a boca e olhando Davi de baixo para cima. –Naya Avilis, senhor. – Seus cabelos se agrupavam em cachos pequenos e longos. O delicado nariz arrebitado apontava para Davi enquanto ela falava com o prefeito. Davi apertou os punhos para tentar sair do seu encanto, mas já tinha certeza que estava encarando a jovem a tempo de mais.
-Este menino tem problema. –Disse o prefeito em direção a Davi, que mesmo assim não tirou os olhos de Naya. –Ou teve um problema. Ele pode dividir o espaço com você hoje? –Perguntou se abaixando e analisando de perto as hortaliças.
A jovem olhou sem expressão para Davi, que corou em menos de um suspiro. Ela ergueu o braço e puxou ar para argumentar, mas virou a mão e o olhou de lado.
-Achei um lugar para você! –Disse o prefeito voltando a ficar de pé. –Vocês se acertam então, eu vou ali procurar algum nabo. –Disse ele sorrindo e andando em direção aos tomates.
-Com licença. –Disse Davi colocando as caixas roxas ao lado das verdes. –Eu me chamo Davi. –Disse ele esticando o a mão em frente. A jovem sorriu e apertou seu antebraço.
-Naya. –Repetiu ela cedendo espaço para que ele dividisse a caixa ao seu lado. –Você por acaso não tem nenhum anel de vilírdia, tem? –Perguntou ela observando um roxo no pescoço de Davi. Ele balançou a cabeça tapando o machucado com a mão direita. –Imaginei que não. –Disse ela erguendo a sobrancelha ao olhar o respirador branco. –Você já foi lá? –Perguntou ela enquanto Davi levantava as sobrancelhas e fazia um beiço com os lábios. –Eu nasci lá. Em Viliris. Você é daqui?
-Eu nasci no Norte. –Mentiu ele. -Uma vila comerciante. –Disse engolindo em seco e levando os olhos até o rosto dela. –Onde fica Vilirdis?
-Viliris. Você nunca ouviu falar? –Perguntou ela abaixando as sobrancelhas e erguendo as bochechas. –Eu saí de lá ainda muito pequena, mas ela fica no extremo leste, entre mares. –Disse ela erguendo a mão e gesticulando uma onda. –No encontro de três continentes, uma linha traçada nos oceanos, delimita a vida e a morte poente, a água dá início e fim aos planos, construindo a ferro e fogo; o tridente, E costurada através dos séculos; mil anos, surge no mar da primeira e última corrente, Viliris, a cidade com sangue dos tiranos, viva para sempre, Viliris, a cidade descontente. –Cantou ela abaixando a mão ao final.
Davi a olhou boquiaberto. Nunca ouviu da cidade, mas as palavras deixavam sua boca com pétalas se soltam de flores no outono. Sua pele lisa acendia entre o cinza das paredes. Seus olhos escuros puxavam sua alma para dentro, e ele já não tinha forças para segura-la. Suspirou fundo e balançou a cabeça.
-Ela fica... no mar? –Perguntou ele encarando as alfaces.
-No Nemo. –Disse ela tirando o cabelo da frente dos olhos. –O ponto mais distante da terra entre os três continentes. –Disse abrindo um tímido sorriso. –Um dia eu vou voltar para lá.
-Quanto pelas batatas rosas? –Perguntou o homem alto de cabelos castanhos curtos que se aproximara usando uma capa marrom e um colete escuro, com braçadeiras pretas que vinham até os pulsos, e duas grandes cicatrizes no pescoço.
-São beterrabas. –Disse Davi se levantando e pegando uma da caixa.
-Batatas, baterrabas, tudo a mesma coisa. –Disse o homem estreitando os olhos. Passando a mão por dentro do colete, ele retira uma corrente avermelhada e a entrega para Davi. –Doze batatas rosas? –Perguntou ele. Davi olhou para a corrente e esticou a mão para pegá-la. Passando os dedos entre os elos e olhou de volta para o homem.
-Oito. –Disse Davi. O homem passou a mão em outro bolso e retirou um pequeno brinco prateado e o colocou na mão de Naya.
-Doze. –Disse ele rangendo os dentes enquanto ela olhava para a joia. Davi se voltou para Naya que segurava o brinco em frente aos seus olhos.
-Doze. –Repetiu Davi assentindo com a cabeça. O homem retirou a mochila das costas e começou a escolher as beterrabas. Naya entregou o brinco a Davi que o segurou com as pontas dos dedos. O brinco imitava o formato de uma orelha, adornado de pequenas pedras azuis, ele formava uma ponta no topo. Voltando-se para o homem, Davi já não o encontrava a multidão de pessoas andando entre as vendas.
-Bonito esse brinco. –Disse Naya passando o dedo por sua ponta.
-Você quer? –Perguntou ele corado.
-Ele é seu. –Disse ela se afastando.
-Eu não uso brinco, ele iria ficar bonito em você. –Disse ele esticando a mão em sua direção. Ela o apanhou e colocou na orelha esquerda.
-Como ficou? –Perguntou ela.
-Sen... –Disse ele buscando ar nos seus pulmões. –Sensacional. –Completou sorrindo.
-Mas eu não te conheço, não posso aceitar um presente assim. –Disse ela desatarraxando o pingente.
-Não, é um presente. –Disse Davi esticando seu braço em direção as hortaliças e pegando uma folha verde e molhada. –É uma troca. –Disse ele mordendo a alface com força e empurrando o resto da folha para dentro da boca. Naya riu e colocou o brinco de volta.
Antes do sol chegar no topo, todas as beterrabas já haviam sido trocadas, ao passo que mais da metade das alfaces esperavam paciente nas caixas de madeira. Davi já havia aprendido sobre o período de Naya em Viliris, sobre o Vento, o barco de seu pai que havia cruzado todos os mares baixos da costa entregando tâmaras do oceano. Dos monstros antigos que ameaçavam os cargueiros a cruzar os estreitos de pedra. Do tempo em que Naya morou nas minas de marfim com sua tia, das aventuras nas montanhas azuis, de sua vinda até a vilavassoura. Davi podia ficar ali o ano inteiro a ouvindo falar.
-Eu moro em uma “casa” na floresta. –Disse Davi apoiado na borda da vila vassoura apontando para o horizonte. –Você continua por aquele caminho até a vila das palmeiras e vira para a estrada de barro.
-Eu preciso ficar aqui a tarde, você não volta amanhã? –Perguntou Naya olhando as árvores dobradas. Davi balançou a cabeça olhando para baixo. –Meu pai é dono de uma empresa de mineração perto daquela montanha ao sul. Talvez eu volte para visita-lo um dia. Se você me convidar para conhecer a sua casa, talvez eu aceite o sofrimento de passar um tempo com ele.
-Ele é mau com você? –Perguntou Davi se voltando para ela. Na parte de fora do mercado, os dois se escoravam na lateral da cidade de aço. Naya usava um respirador vermelho com azul. Davi pensou em sugar todo o ar do mundo só para poder ver seus lábios mais uma vez.
-Ele é ausente. –Disse ela olhando para a amontanha verde. –Desde que ele deixou o barco e criou raízes na terra, ele não tem tempo para mais nada.
-Se você quiser ir lá em casa, eu acompanho você até essa fábrica. –Disse ele sorrindo por debaixo da máscara.
-Gostaria de ver você tentar. –Respondeu ela o olhando no fundo de seus olhos. –Você é diferente Davi. –Ele se virou de costas para a borda da cidade se encostou com as costas e cotovelos.
-Diferente bom? –Perguntou ele inclinando a cabeça.
-Diferente, porque você tem tantos roxos pelos braços? –Perguntou ela se voltando para examinar os machucados.
-Ah isso. –Disse ele olhando para um grande hematoma no seu pescoço. –Você me acompanha até a toca, e eu te conto o que você quiser saber sobre mim.
-Hum. –Disse ela torcendo o lábio. –Isso é um encontro? –Perguntou ela erguendo as sobrancelhas.
-Não, isso é só uma conversa. –Respondeu ele observando o brinco em sua orelha esquerda. –Quando eu te ver de novo será um encontro.
-Me diga algo primeiro. –Disse erguendo as sobrancelhas. –Porque você entrou no mercado de máscara? –Os pelos nos braços de Davi se eriçaram e ele baixou os olhos, dando um passo para trás.
-Eu preciso ir. –Disse ele diminuindo em tamanho.
-Desculpa. –Disse ela. –Eu não queria...
-Não há nada por que pedir desculpas. –Disse ele se aproximando das caixas vazias deixadas no chão. –Eu não me importo tanto com isso. –Disse ele desengatando a fivela que prendia a máscara branca. Devagar ele a abaixou segurando a respiração. Engatando novamente suas pontas ele puxou o ar com dificuldade até o respirador se acender em branco. –Mas as pessoas olham muito quando eu fico sem. Por isso prefiro ficar com ela.
-Com quantos anos você saiu de lá? –Perguntou ela deixando que as lágrimas corressem soltas sem se importar.
-Eu não sei. –Disse ele sorrindo com os olhos. –Minha mestra me tirou de lá, eu conto meu aniversário a partir daí.
-Entendo. –Disse ela limpando os caminhos deixados pelas lágrimas em seu rosto. –Então, eu passo a vila das palmeiras e viro à esquerda?
-Esquerda de quem vêm, direita de quem vai. –Disse ele caminhando em direção a saída da vilavassoura.
-Eu vou mesmo hein. –Disse Naya passando os dedos no brinco esquerdo.
-Assim espero. –Disse ele erguendo a mão e a balançando no ar. –Chuva Naya de Viliris!
-Chuva Davi! –Disse ela já distante.
Caminhando até o sableridge com as caixas vazias, tudo o que Davi conseguia fazer era reviver em sua mente as lembranças que recém fizera. Entoando as falas e buscando por detalhes que havia deixado passar. Naya deixou seus olhos, mas não sua mente. O cheiro doce. Desejou poder sentir aquele perfume para o resto da vida, mas tudo o que tinha era ar filtrado.
Caminhando sem pensar, avistou o sableridge, agora com muitos veículos ao redor. Sem pressa ele depositou as caixas no seu porta-malas e deu a volta para ir embora. Entrando ele fechou a porta e esticou a mão para puxar o cinto, olhando para o lado e sentindo seu coração apertar tanto que poderia sair do lugar.
-Agora você me leva? –Perguntou a moça grávida sentada ao seu lado. Davi não gritou, mas sentiu sua alma tremer.
-O que você está fazendo aqui dentro?! –Perguntou ele soltando o cinto a abrindo a porta.
-Você disse que me levaria. –Respondeu ela afivelando o cinto.
-Não! Eu disse que... –Começou ele apontando seu dedo, só então tentando lembrar do que havia dito. As palavras se enrolavam em sua mente, mas ele tinha noventa por cento de certeza de que não havia dito aquilo. Olhando para dentro ele viu os olhos da moça se abaixarem enquanto ela erguia os lábios inferiores para frente. –Eu não vou para lá. Posso te deixar na vila das palmeiras, de lá talvez você consiga alguma carona. A moça concordou com a cabeça, e Davi reentrou no sableridge.
Dirigindo em silêncio para fora da cidade na areia, Davi notou quatro motocicletas estacionadas na entrada da floresta que dava caminho para a estrada de ferro. Olhou para os lados, mas não viu ninguém, decidindo por seguir em frente. Pensou que se tivesse com a Ajna, poderia rever seu rosto depois, mas com a incerteza das vilasvassoura, talvez tudo que restasse fosse aquela memória malformada ainda.
Acelerando em frente o veículo começou a falhar perdendo força. Reduzindo a marcha as esteiras forçavam o carro sem resultado. Duas motos de propulsão surgiram em meio as árvores retorcidas e tomaram a frente do veículo. Davi pisou o acelerador, mas as rotações não aumentavam, permanecendo pouco mais rápido que um homem caminhando.
-Ele não anda mais que isso? –Perguntou a moça olhando para o velocímetro no painel. Davi tirou os olhos do volante e examinou as marcas no chão, só então se voltando para ela.
-Peixe dado não se olha as ovas. –Respondeu pisando fundo no acelerador sem retorno. Ao longe um ronco começou a crescer. Olhando pelo retrovisor ele viu quatro motos se aproximando.
-Talvez eles possam ajudar. –Disse ela olhando com seus olhos cinzas pelo retrovisor.
-Você conhece eles? –Perguntou Davi olhando os quatro homens descerem das motos com armas em mão. Ela balançou a cabeça se apertando para trás. Parando ao lado da porta do carro, um homem a apontou um revólver para Davi. Segurando o volante com mais força e retirando o pé do acelerador, o carro morreu.
-Sai todo mundo! –Disse o homem do lado de fora. Davi olhava fixamente para a moça. Respirando forte ele não sabia como havia sido tão ingênuo. Claramente ela conhecia eles. O velho truque da laranja que prepara o terreno para seus amigos. Seu sangue fervia em suas veias, e ele sentiu vontade de dar um soco naquela barriga falsa. Mas aquela arma era o problema principal, por enquanto
-Calma amigo, a gente só quer o que você ganhou lá dentro. –Dizia outro homem de ombros largos e cabelo curto, usando um respirador azul escuro, ao lado da porta do carona. Suando frio, ele não ousou olhar para o porta-malas, onde todo o seu ganho daquela manhã estava guardado.
Davi respirou fundo e retirou o cinto de segurança, apertando o botão vermelho abaixo do volante antes de ser puxado pela fora pelo homem que se agarrara ao seu pescoço, o jogando no chão. O homem careca se aproximou e começou a dar tapas nas pernas e braços de Davi que tentava se recompor.
-Limpo. –Disse o careca se afastando.
-Se vocês continuarem assaltando os clientes da vilavassoura, eles vão apenas parar de vir aqui. –Disse Davi olhando o homem de máscara azul enquanto outros dois entraram no sableridge revirando os bancos em busca de algo. A grávida estava em pé do lado de fora segurando sua barriga falsa.
-A gente segue ela, problema nenhum, sabe. –Disse ele fixando os olhos escuros em Davi. –Mas pelo visto você já tem um costume de ser assaltado, sabe. –Disse ele olhando para os roxos nos braços de Davi.
-Mais ou menos. –Respondeu ele olhando para trás. Um distante ronco de motor vinha em direção a estrada de fogo. Davi só conseguia pensar em quanto odiava surpresas.
-Tem uma luz piscando aqui dentro. –Avisou o homem de barba grisalha de dentro do carro.
-Você chamou alguém? –Perguntou o homem de azul dando um tapa no rosto de Davi. –Eu queria fazer as coisas sem violência, mas vocês sempre pedem, sabe. –Disse ele puxando a arma de trás das costas e apontando em direção ao barulho.
-Não chamei ninguém. –Disse Davi vendo no horizonte um veículo preto se aproximando, enquanto sentia seu rosto esquentar. Davi estava tão confuso quanto eles, o carro parecia ser de Thimoty. O homem deu-lhe mais um tapa com as costas da mão e Davi caiu de joelhos segurando a máscara. Do chão ele viu o assaltante disparar uma saraivada de balas em direção ao carro, fazendo que ele virasse para o lado e batesse em cheio a uma árvore, levantando uma nuvem de areia.
Thimoty, aquele era o carro do prefeito. Rodas prateadas, capô adornado em madeira. O que ele estaria fazendo ali, se perguntou no chão.
-O que a gente faz Tellius? –Perguntou o homem careca.
-Vá ver quem está lá! –Urrou o homem de azul apertando os dentes. Correndo em direção ao carro preto, um vulto abriu a porta e saiu mancando escorando-se nas árvores.
-Quem vem lá? –Perguntou o homem careca apontando seu revólver. Uma voz doce veio em resposta, atiçando os nervos de Davi ao máximo.
-Naya. –Disse ela erguendo as mãos enquanto o homem se aproximava.
Davi olhou para cima ignorando a conversa entre os dois. Procurando no céu, ele ainda não havia encontrado nada.
-Não vai chover hoje não garoto. –Disse o homem de azul rindo em pé a sua frente. –Tragam a menina, tenho um amigo que pagaria bastante por ela, já essa grávida aí...
-Não é chuva que eu espero. –Disse ele vendo um risco no céu.
O homem abaixou o rosto para olhar novamente para Davi, sendo surpreendido por uma cabeçada em seu estômago. Davi se levantou e subiu em cima do carro gritando “Aqui, aqui! ”. O risco no céu voava rápido e ao se aproximar largou uma grande caixa de metal em cima do veículo, balançando sua estrutura e levantando uma grande nuvem de poeira e detritos.
-Maldito! –Disse o homem de azul no chão com uma mão na barriga e a outra tapando os olhos contra a poeira. –Eu vou te picar inteiro e te jogar para os peixes, sabe! – Ao seu lado a grávida corria para dentro da floresta em direção a vila das palmeiras.
Davi pulou em cima da caixa e ela jogou uma forte luz esverdeada que o varreu por completo em menos de um piscar de olhos. A caixa abriu as laterais, saindo lâminas longas que se encaixaram nos pés de Davi, subindo o tornozelo, joelhos até se prender completamente nas duas pernas. As lâminas se prendiam desordenadamente, se arrastando entre si até encontrarem o seu encaixe. Davi pulou para frente a caixa se ergueu em seu próprio eixo, encaixando uma camada de lâminas nas suas costas, correndo o metal até os seus braços, cobrindo cada parte do seu torso. Ele se virou para trás ouvindo um tiro, rapidamente pegando o elmo prateado com um círculo azul claro no meio. Ajeitando em sua cabeça, ele se voltou para olhar os homens ainda confusos pela nuvem de poeira.
Investindo em frente, Davi passou as lâminas das mãos pelas costas do braço do homem de azul, fazendo seis pequenas e rápidas incisões em seu braço direito, enquanto contornava por trás, golpeando as pernas do homem sem reação. A lâmina fina penetrava a carne como um graveto penetra a areia. Entrando e saindo, ele costurava uma trilha de pequenos furos que passavam a pele e se enterravam até ele sentir um desengate interno. Indo para dentro do carro, Davi golpeou os dois invasores dezenas de vezes em pontos entre as costas e a barriga, sem derramar uma única gota de sangue. Com a poeira baixando ele conseguiu ver ao longe o homem careca apontando a arma para Naya, tremendo como um galho fino em frente ao furacão. Jogando a arma no chão, ele correu para trás, em direção ao grande deserto.
-Meus braços, o que você fez com os meus braços?! –Perguntou o homem no chão. Davi se aproximou emitindo um som de lâminas de metal se arrastando umas nas outras. Davi já estava cansado, e aquela armadura facilmente pesava o dobro das caixas de beterraba.
-Meu juramento me proíbe de matar qualquer um que não esteja no mesmo nível. Eu só cortei todos os tendões dos seus braços, você não vai mais usa-los. –Disse Davi retirando o elmo. –Mas o juramento não fala nada sobre abandonar moribundos. –Disse Davi passando a lâmina da mão esquerda por entre a tira que prendia a máscara azul do sujeito. Pegando-a com a mão Davi a colocou em cima da mão imóvel do homem no chão. –Sua máscara está aqui, é só a colocar de novo. Mas prenda a respiração, o ar daqui não faz muito bem, sabe?
-Desgraçado. –Disse o homem selando os lábios e amaldiçoando Davi com os olhos.
Se atentando aos sons, ele sentiu uma fisgada lhe puxar a direita, recolocando o elmo. “Nissa? ” Perguntou ele sem voz. “Três ameaças neutralizadas. Um suspeito está correndo em direção ao grande deserto a 2,759 metros por segundo. ” Ele sorriu ao ouvir a voz dela em sua mente. “Como elas estão? ” Perguntou ele se virando para olhar Naya. “Uma sofreu arranhões e uma provável contusão no lobo parental. A outra sofreu um tiro no tornozelo, está perdendo sangue. ” Davi girou seu corpo para olhar a grávida no chão se arrastando, esticando no chão uma linha vermelha que a separava de seu pé direito.
-Você é um... –Disse Naya se aproximando mancando com um filtro em mãos. Davi se voltou para ela e retirou novamente o elmo, pressionando o círculo azul claro em seu centro. A armadura de lâminas se soltou e caiu no chão desmontada. -Você é um alado!
submitted by gilsonvilain to EscritoresBrasil [link] [comments]


LEÃO - Partindo e indo ao encontro de alguém do passado... ~ Fevereiro 2020 DICAS PARA O PRIMEIRO ENCONTRO NO CINEMA Vlog indo para casa da minha vó /minha rotina 1º Encontro Rebaixados e Antigos Marialva 18/02 Marialva-PR [David Cardoso] NAMORO A DISTÂNCIA - Meu Primeiro Encontro Como Se Vestir Para Conhecer Sua Sogra

350 Perguntas Para o Primeiro Encontro – Conversas ...

  1. LEÃO - Partindo e indo ao encontro de alguém do passado... ~ Fevereiro 2020
  2. DICAS PARA O PRIMEIRO ENCONTRO NO CINEMA
  3. Vlog indo para casa da minha vó /minha rotina
  4. 1º Encontro Rebaixados e Antigos Marialva 18/02 Marialva-PR [David Cardoso]
  5. NAMORO A DISTÂNCIA - Meu Primeiro Encontro
  6. Como Se Vestir Para Conhecer Sua Sogra

Category Howto & Style; Song Anywhere; Artist Rita Ora; Album Anual Mix Summer 2018; Licensed to YouTube by SME, WMG, The Orchard Music (on behalf of VIDISCO); AMRA, Sony ATV Publishing, Warner ... O primeiro encontro com a sogra na casa dela ou em qualquer lugar pode ser terrível para muitas mulheres, aquele medo de passar uma imagem negativa ou mesmo dela não gostar de você sempre nos ... Leitura de tarot para Sol, Lua, Ascendente e Vênus em Leão. ... Partindo e indo ao encontro de alguém do passado... ~ Fevereiro 2020 ... fevereiro 2020 - a casa caiu, e foi você quem derrubou ... Como sabia que minha família era tradicional, ligou para minha vó para pedir pra namorar comigo, ela não deixou por morarmos longe e termos 16 anos na época propôs a condição de que ele ... Salve galera hj o rolé foi bem dizer no quintal de casa, primeiro encontro beneficente de rebaixados e antigos Marialva da uma conferida ai em como foi o evento deixem seu like, comentem e ... Vlog🛏😖 indo para casa da minha vó /minha rotina ... Oi pessoal tudo bemcom vocês hoje eu acabei de fazer esse vídeo por causa que hoje eu ... Namoro a distância- Nosso primeiro encontro ...